O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) tem 76,4% de aprovação em Curitiba, segundo pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira, 23 de setembro. O levantamento chega no início de uma bateria de sondagens sobre a eleição para o Governo e o Senado do Paraná, mas a sequência já enfrenta um obstáculo: a nova Quaest está provisoriamente impedida de divulgar seus números por decisão da Justiça Eleitoral.
A Paraná Pesquisas ouviu 825 moradores de Curitiba entre 18 e 22 de setembro. A margem de erro é de aproximadamente 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Na pergunta direta sobre aprovação, 76,4% disseram aprovar a administração de Eduardo Pimentel, 20,1% desaprovam e 3,5% não souberam ou não responderam.
Na avaliação detalhada, 17,6% classificaram a gestão como ótima e 45% como boa. A soma das duas respostas chega a 62,6%.
Outros 24% avaliaram a administração como regular. Ruim foi a resposta de 5,1% e péssima, de 7%, totalizando 12,1% de avaliação negativa. Apenas 1,3% não soube ou não quis responder.
A série histórica mostra que Pimentel mantém aprovação elevada, mas com recuo numérico. Em abril de 2025, 81% aprovavam a administração. O índice passou para 80,5% em agosto daquele ano, 80,8% em dezembro, 78% em maio de 2026 e agora chega a 76,4%.
No sentido contrário, a desaprovação passou de 14,7% em abril de 2025 para 20,1% em setembro de 2026. Como cada rodada possui margem de erro própria, oscilações isoladas precisam ser interpretadas com cautela.
O dado ganha dimensão política porque Eduardo Pimentel não está fora da campanha estadual. O prefeito do PSD assumiu a coordenação da campanha de Sandro Alex (PSD) em Curitiba e confirmou apoio à chapa formada pelo candidato ao Governo e pelo vice Rafael Greca (MDB).
Isso transforma a aprovação do prefeito em um dado relevante para a estratégia governista na capital. Não significa, porém, transferência automática de votos para Sandro Alex. Aprovação administrativa e intenção de voto são indicadores distintos.
A pesquisa também mostra pequenas diferenças entre segmentos do eleitorado. A aprovação chega a 79,6% entre moradores com 60 anos ou mais e fica em 72,4% entre entrevistados com ensino superior.
Entre as mulheres, 77,2% aprovam Pimentel; entre os homens, 75,4%.
Enquanto Curitiba recebe essa fotografia administrativa, o Paraná entra numa sequência de pesquisas eleitorais que poderá redesenhar a leitura da reta final antes do primeiro turno de 4 de outubro.
A IRG abriu a série estadual em 22 de setembro. Para 24 de setembro estavam programados levantamentos da Quaest, Neokemp e Índice Inteligência. O Instituto Veritá tem pesquisas previstas para 25 e 26 de setembro. Os registros informados são, respectivamente, PR-02802/2026, PR-07451/2026, PR-06638/2026, PR-03367/2026 e PR-02249/2026.
| Instituto | Divulgação prevista |
|---|---|
| IRG Pesquisas | 22 de setembro |
| Quaest | 24 de setembro |
| Neokemp | 24 de setembro |
| Índice Inteligência | 24 de setembro |
| Veritá | 25 de setembro |
| Veritá | 26 de setembro |
A maratona, entretanto, já foi atingida pela guerra jurídica das campanhas.
Na noite de 22 de setembro, a juíza auxiliar Cláudia Cristina Cristofani, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), suspendeu provisoriamente a divulgação da pesquisa Quaest PR-02802/2026 após representação apresentada pela coligação A Mudança Continua, de Sandro Alex.
A magistrada determinou esclarecimentos sobre a identificação do responsável pelo pagamento, uma nota fiscal de R$ 104.319 e aspectos da metodologia relacionados aos entrevistados que não informarem renda familiar. A Quaest recebeu prazo para responder.
Juridicamente, a decisão não declarou a pesquisa fraudulenta nem anulou o levantamento. Trata-se de uma suspensão cautelar, que poderá ser mantida ou revogada depois das explicações do instituto. Até nova decisão, porém, os resultados não podem ser publicados.
É nesse ponto que entra a expressão “censura”, usada politicamente para criticar tentativas de impedir a circulação de pesquisas. O fato comprovado é mais específico: existe uma ordem judicial provisória suspendendo a Quaest. A qualificação política da medida deve ser separada da natureza jurídica da decisão.
O episódio também não é isolado. Em 16 de setembro, a mesma coligação tentou impedir a divulgação de uma pesquisa do Paraná Pesquisas. Naquela ocasião, o pedido liminar foi negado e os números foram publicados normalmente em 18 de setembro.
Se não houver novas suspensões judiciais, a reta final terá uma concentração incomum de levantamentos para Governo e Senado. O ponto mais carregado seria 24 de setembro, com três institutos programados para apresentar suas fotografias do eleitorado.
Cada pesquisa, contudo, precisa ser lida dentro de sua própria metodologia, amostra, margem de erro e período de coleta. Institutos diferentes não formam uma única série histórica.
A Paraná Pesquisas desta quarta-feira não mede a corrida ao Palácio Iguaçu. Mede Curitiba e mostra que Eduardo Pimentel chega aos últimos dias da campanha estadual com 76,4% de aprovação justamente quando participa da engrenagem política de Sandro Alex na capital.
A partir de agora, a pergunta é dupla: o que mostrarão as novas pesquisas estaduais e quantas delas conseguirão chegar ao eleitor sem antes passar por uma disputa judicial.
Acompanhe o Blog do Esmael durante a semana. O Blog vai publicar cada levantamento, metodologia, decisão judicial e consequência política da reta final no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




