O debate da RPC entre os candidatos ao Governo do Paraná, marcado para 29 de setembro, entrou na zona de incerteza nesta terça-feira, 22 de setembro, depois do cancelamento do confronto ao Senado previsto para sexta-feira, 25. Entre os motivos apresentados para a retirada do debate dos senadores está a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspendeu os atos de campanha de Deltan Dallagnol (Novo), inclusive sua participação em debates.
Na disputa pelo Palácio Iguaçu, porém, não existe até agora obstáculo judicial semelhante envolvendo Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) ou Sandro Alex (PSD).
É justamente aí que nasce a pergunta política: se o debate para governador também não sair do papel, qual seria a justificativa?
A RPC havia programado oficialmente o confronto entre os candidatos ao Governo do Paraná para terça-feira, 29 de setembro, às 22h15, depois da novela Quem Ama Cuida. A programação publicada pela afiliada da Globo continua indicando o debate como parte da cobertura eleitoral.
O Blog do Esmael apurou, entretanto, o cancelamento do debate ao Senado. Até a noite desta terça-feira, 22 de setembro, as páginas públicas da RPC consultadas ainda exibiam o calendário originalmente divulgado, inclusive o encontro dos candidatos ao Senado em 25 de setembro.
O episódio chama atenção porque a campanha paranaense já coleciona confrontos que perderam participantes ou desapareceram da programação.
Na Band Paraná, em 9 de agosto, Sergio Moro desistiu poucas horas antes do programa. A emissora manteve o debate e colocou frente a frente Requião Filho e Sandro Alex. Moro justificou a ausência afirmando que considerava o encontro um “jogo combinado” entre adversários para atacá-lo.
A segunda tentativa de colocar os três principais candidatos no mesmo palco ocorreu em 26 de agosto, no debate organizado pela TMC Paraná em parceria com a Universidade Positivo.
As campanhas haviam participado das reuniões preparatórias e aceitado as regras. Moro comunicou sua desistência às 15h51. Depois, Sandro Alex também informou que não iria. A TMC manteve a programação e transformou o debate em uma sabatina com Requião Filho.
Em Londrina, novo esvaziamento.
O Grupo Folha de Londrina, a Rádio Paiquerê 91,7 e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Londrina, haviam organizado para 12 de setembro outro debate com Moro, Requião Filho e Sandro Alex.
Moro e Requião Filho desistiram. Requião informou que acompanharia a passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por Curitiba. Com dois ausentes, o regulamento transformou novamente o confronto em sabatina, desta vez com Sandro Alex.
Depois veio a RIC Record.
A emissora havia anunciado para 21 de setembro, às 18 horas, um debate estadual transmitido também pelas plataformas do Grupo RIC. Representantes das três campanhas participaram da definição das regras.
Desta vez, não houve apenas cadeira vazia. O programa foi cancelado.
A RIC alegou “incertezas de participação” de candidaturas, além da complexidade operacional, mobilização de profissionais e necessidade de reorganização da grade. Requião Filho contestou o cancelamento no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), mas não conseguiu liminar para obrigar a emissora a realizar o encontro.
A Justiça Eleitoral ressaltou que a legislação permite às emissoras decidir se promovem ou não debates. Isso resolveu a questão jurídica imediata. Não resolveu a pergunta política sobre por que um debate previamente organizado e com regras discutidas terminou cancelado.
E a sequência ainda não acabou.
Nesta quarta-feira, 23 de setembro, a Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (Aerp) e a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) mantêm outro debate, às 8 horas.
Representantes de Moro, Requião Filho e Sandro Alex participaram da reunião de regras em 1º de setembro e assinaram o regulamento. Posteriormente, a campanha de Moro informou que o candidato não participará. A Aerp decidiu manter o programa com os demais concorrentes.
Até 22 de setembro, portanto, nenhum dos debates checados conseguiu reunir simultaneamente Moro, Requião Filho e Sandro Alex.
Mas também é necessário evitar uma simplificação conveniente.
Moro ficou fora da Band e da TMC e já anunciou ausência na Aerp/Acim. Sandro Alex desistiu da TMC, mas participou da Band e da sabatina de Londrina. Requião Filho participou da Band e da TMC, mas desistiu do encontro de Londrina devido à agenda política com Lula. São fatos verificáveis; atribuir “medo” como motivação pessoal iria além deles.
O que o histórico permite perguntar é outra coisa: por que uma eleição para governador chega à reta final sem que os três candidatos mais presentes na cobertura eleitoral tenham se enfrentado juntos em um debate?
A RPC pode ser a última grande janela televisiva para romper essa sequência.
O confronto está marcado para 29 de setembro, cinco dias antes do primeiro turno de 4 de outubro. Diferentemente do caso do Senado, não há até este momento uma suspensão judicial conhecida que retire Moro, Requião Filho ou Sandro Alex dos debates.
Se a RPC mantiver o programa, os três terão diante do eleitor a oportunidade que a campanha inteira ainda não produziu: o confronto direto, no mesmo estúdio e sob as mesmas regras.
Se não mantiver, a razão do cancelamento terá de ser explicada.
Depois de Band incompleta, TMC transformada em sabatina, Londrina esvaziada, RIC cancelada e Aerp sem Moro, a questão já ultrapassou uma emissora ou um candidato.
O eleitor paranaense ainda espera ver os três frente a frente.
Acompanhe o Blog do Esmael para saber se a RPC manterá o debate de 29 de setembro e para acompanhar a cobertura da reta final da eleição no Paraná.
Leia também:
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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