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Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) desistiram nesta quarta-feira (26) do debate da TMC Paraná com Requião Filho (PDT), na Universidade Positivo, em Curitiba, e transformaram o confronto previsto entre os três principais candidatos ao Governo do Paraná em uma sabatina de cerca de uma hora com o pedetista. A TMC lamentou o esvaziamento do encontro, que havia sido confirmado pelas três campanhas.
Moro comunicou a desistência por e-mail às 15h51, pouco mais de quatro horas antes do início do programa. A equipe do senador havia participado da reunião preparatória, assinado o documento com as regras e recebido as credenciais para o evento.
Sandro Alex também havia confirmado presença, participado da reunião de organização, assinado as regras e recebido as credenciais. A desistência do candidato do PSD foi comunicada por nota enviada ao grupo de imprensa da campanha pouco mais de duas horas antes do debate.
Segundo profissionais envolvidos na organização, Moro tomou a decisão por volta das 15h30 e Sandro Alex comunicou a saída por volta das 18h. A avaliação atribuída a pessoas que acompanharam as decisões é que os dois candidatos concluíram que poderiam perder mais do que ganhar com um confronto direto.
A consequência política foi imediata: Requião Filho permaneceu no compromisso e passou de participante de um debate para único candidato submetido às perguntas da organização, dos professores e da comunidade acadêmica.
O regulamento da TMC já previa essa possibilidade. Se dois dos candidatos convidados desistissem, o debate seria convertido em sabatina com o concorrente que mantivesse a participação. Foi exatamente o que ocorreu.
A programação estava marcada para as 20h, na Universidade Positivo, e havia sido organizada pela TMC em parceria com a instituição de ensino. O encontro foi apresentado como o primeiro debate da história da emissora com candidatos ao Governo do Paraná com representação no Congresso Nacional. Professores participariam da formulação de perguntas e estudantes estariam na plateia.
Moro repete ausência
A ausência de Moro ganha peso porque não é um episódio isolado. O senador já havia faltado ao debate anterior entre candidatos ao Governo do Paraná, realizado pela Band. A nova desistência amplia a cobrança sobre sua disposição para enfrentar adversários em confrontos públicos durante a campanha.
Moro lidera a corrida pelo Palácio Iguaçu na pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto. O levantamento contratado pela RPC ouviu 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-05388/2026.
Na pesquisa, Moro aparece com 37%, Requião Filho tem 21% e Sandro Alex, 15%. Há ainda 18% de indecisos e 7% de votos brancos, nulos ou de eleitores que não pretendem votar.
A distância entre Requião Filho e Sandro Alex, de seis pontos percentuais, coloca os dois em disputa direta pela segunda posição. A própria Folha observou que a diferença está no limite máximo da margem de erro do levantamento.
É justamente nesse ambiente que a ausência de Sandro também produz um efeito político. O candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD) perdeu a oportunidade de confrontar Requião Filho diante de uma plateia universitária e de apresentar sua agenda em um evento desenhado para colocar os três candidatos frente a frente.
O debate que não aconteceu
A organização havia preparado um confronto com regras previamente negociadas pelas campanhas de Requião Filho, Sandro Alex e Sergio Moro. A participação das três equipes na construção do formato tornou as desistências ainda mais significativas, porque não se tratava de um convite recusado antes da definição das condições.
A TMC informou que manteve o evento mesmo depois das duas desistências. Requião Filho, por sua vez, decidiu comparecer e responder às perguntas previstas para o encontro.
O que seria uma hora de confronto entre os três candidatos virou uma hora de exposição individual do pedetista. Na prática, Requião Filho ficou sem adversários para interromper, rebater ou contestar suas respostas.
Isso também muda a natureza eleitoral do programa. Em um debate, uma afirmação pode ser imediatamente confrontada por outro candidato. Em uma sabatina, a responsabilidade pelo questionamento passa integralmente aos entrevistadores e à organização.
O custo político da cadeira vazia
A ausência dos dois adversários não significa, por si só, que Requião Filho tenha transformado a sabatina em vantagem eleitoral. Mas cria uma situação incomum para uma campanha que ainda está em fase de definição de forças.
Moro tem a maior intenção de voto e, portanto, também é o candidato com mais a perder em confrontos que possam alterar a fotografia eleitoral. Sandro Alex, por outro lado, disputa diretamente com Requião Filho a segunda posição nas pesquisas e poderia usar um debate para tentar interromper a aproximação do pedetista.
A leitura de que ambos poderiam perder mais do que ganhar é uma avaliação política atribuída aos profissionais que acompanharam as decisões. Não há, até o momento, evidência pública de que as campanhas tenham declarado formalmente esse como o motivo das desistências.
O fato objetivo é outro: os dois confirmaram participação, cumpriram as etapas preparatórias e desistiram horas antes do evento. Moro comunicou a decisão às 15h51 e Sandro Alex pouco mais de duas horas antes do horário marcado.
Requião fica sozinho no palco
Requião Filho manteve a agenda e acabou recebendo uma vitrine que não estava prevista no formato original.
A situação é particularmente relevante porque o candidato aparece em segundo lugar na Quaest, com 21%, seis pontos à frente de Sandro Alex. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra Moro com 37%, mantendo uma vantagem de 16 pontos sobre o pedetista.
O resultado da noite, portanto, não é uma mudança automática na corrida eleitoral. É uma mudança no palco: dois candidatos abandonaram o confronto e um terceiro permaneceu.
A TMC lamentou o esvaziamento do debate e manteve a programação para não retirar do eleitor o espaço que havia sido preparado. Requião Filho fez o caminho inverso dos adversários e compareceu à Universidade Positivo.
No lugar do debate entre Moro, Requião Filho e Sandro Alex, o público terá uma sabatina de cerca de uma hora com o candidato do PDT.
E a eleição para o Governo do Paraná ganha mais um elemento para a disputa: enquanto Moro e Sandro evitaram o confronto, Requião aceitou ficar sozinho diante das perguntas.
Leia também no Blog do Esmael: a análise sobre a pesquisa Quaest e a disputa entre Moro, Requião Filho e Sandro Alex.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




