O senador Sergio Moro (PL) não vai participar do debate entre os candidatos ao Governo do Paraná promovido pela TMC nesta quarta-feira (26), às 20h, na Universidade Positivo, em Curitiba. A ausência repete o movimento adotado no primeiro debate televisivo da campanha, realizado pela Band Paraná em 9 de agosto, e deixa Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) frente a frente na disputa pela segunda vaga no eventual segundo turno.
Inquerida pelo Blog do Esmael, a assessoria de Moro foi lacônica: “Não vai ao debate. Avisei a TMC ontem de manhã.”
Ou seja, a ausência não ocorreu por uma decisão de última hora. Moro já havia comunicado aos organizadores, na manhã de terça-feira (25), que não compareceria ao encontro marcado para esta quarta.
A TMC havia anunciado o debate com a participação de Requião Filho, Sandro Alex e Moro. O evento, realizado em parceria com a Universidade Positivo, terá perguntas formuladas por professores e participação de estudantes na plateia. A transmissão está prevista pelo canal TMC News Br, no YouTube, e pela rádio 100.3 FM.
A decisão de Moro produz um efeito político direto: os dois adversários que aparecem imediatamente atrás dele nas pesquisas terão de disputar entre si, sem a presença do líder, o espaço de oposição e a vaga no segundo turno.
É o que, na linguagem política, pode ser chamado de “canibalismo eleitoral”. Sandro Alex e Requião Filho disputam o mesmo eleitorado interessado em chegar ao segundo turno, enquanto Moro observa a briga de fora do ringue.
A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (24), encomendada pela RPC, mostra Moro com 37% das intenções de voto, Requião Filho com 21% e Sandro Alex com 15%. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que coloca Requião e Sandro em empate técnico. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-05388/2026.
A pesquisa também ajuda a explicar a importância do confronto desta quarta-feira. Em uma simulação de segundo turno entre Requião Filho e Sandro Alex, o pedetista aparece com 37%, contra 24% do candidato do PSD. Ou seja, apesar da liderança de Moro, a disputa pela segunda posição está aberta.
É justamente nesse ponto que a ausência do senador ganha peso eleitoral.
Moro faltou ao primeiro debate da campanha, realizado pela Band Paraná em 9 de agosto. Na ocasião, Sandro Alex e Requião Filho ficaram sozinhos no confronto e trocaram críticas sobre segurança pública, escolas cívico-militares e infraestrutura. A Band registrou que o encontro ocorreu sem Moro e foi tratado como o pontapé da disputa pelo Palácio Iguaçu.
Agora, o senador repete o gesto depois da divulgação da Quaest.
A leitura política possível é que Moro esteja calculando o custo e o benefício de participar dos confrontos. Com 37% na pesquisa estimulada, ele tem uma vantagem de 16 pontos sobre Requião Filho e de 22 pontos sobre Sandro Alex. Entrar em um debate significa, portanto, abrir uma nova frente de exposição justamente quando os dois adversários mais próximos precisam disputar pontos entre si.

Há, porém, um detalhe que impede qualquer conclusão antecipada sobre o desfecho da eleição.
Os 37% atribuídos a Moro na Quaest não representam maioria absoluta dos votos válidos. O senador lidera com folga, mas ainda não alcança os 50% mais um dos votos válidos necessários para liquidar a eleição no primeiro turno. Além disso, 18% dos entrevistados estão indecisos e 7% afirmam votar branco, nulo ou não votar.
Depois da divulgação da Quaest, Moro passou a ventilar a possibilidade de vitória já no primeiro turno. A base governista de Sandro Alex também trabalha com a perspectiva de chegar à vitória sem segundo turno.
É aí que aparece a contradição eleitoral.
Moro e Sandro Alex podem falar em primeiro turno, mas ambos ainda precisam combinar com Requião Filho e, principalmente, com os russos: os eleitores paranaenses.
A eleição será decidida em 4 de outubro, e a fotografia de uma pesquisa não equivale ao resultado das urnas. A própria Quaest mostra que 44% dos entrevistados ainda admitem mudar de candidato até a eleição, enquanto 56% dizem ter uma escolha definitiva.
A ausência de Moro, portanto, não elimina o debate desta quarta-feira. Ela muda o seu eixo.
Sem o líder das pesquisas, Sandro Alex e Requião Filho terão de atacar e defender suas próprias posições diante de um eleitorado que, segundo a Quaest, ainda pode alterar significativamente a fotografia da corrida ao Palácio Iguaçu.
E esse é o ponto central: enquanto Moro evita mais um confronto direto, seus dois adversários imediatos ficam encarregados de disputar entre si os votos que podem definir quem chegará ao segundo turno.
A pergunta que fica para a campanha é simples: Moro está evitando o risco de um debate ou deixando que os próprios adversários façam o trabalho de desgastar um ao outro?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




