A União Nacional dos Estudantes (UNE) programou 18 atos em 17 cidades das cinco regiões para este domingo, 1º de novembro, em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra a ofensiva do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao resultado das urnas. A mobilização recebeu o nome de “Brasil com S” e deve se estender ao longo da semana.
Nove estados concentram as manifestações deste domingo: Alagoas, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os atos começaram pela manhã em Maceió e Belém e seguem até o fim da tarde em Manaus, Cuiabá, Recife e Porto Alegre.
Em São Paulo, a concentração está marcada para o meio-dia, na Praça Roosevelt, no centro da capital. No Rio de Janeiro, o ato começa também ao meio-dia, na Candelária. Goiânia tem manifestação às 15h, na Praça Universitária. Manaus, Cuiabá, Recife e Porto Alegre reúnem os estudantes às 16h.
A programação divulgada pela UNE inclui ainda Salvador, na segunda-feira, 2, às 9h, no Morro do Cristo, e Brasília, na quarta-feira, 4, às 16h, com concentração no Museu Nacional. A entidade afirma que a mobilização vai defender a democracia, a soberania nacional e a integridade do processo eleitoral.
O nome “Brasil com S” nasceu da primeira versão da carta divulgada em nome de Flávio Bolsonaro, na quarta-feira, 28. O documento usava um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com Z. Em versões posteriores, o símbolo foi trocado e a expressão “verdadeiro presidente eleito” deu lugar a “líder do Brasil”.
A convocação da UNE afirma que os estudantes vão às ruas defender “a integridade do nosso processo eleitoral e a soberania do nosso povo e do nosso país”. O texto também diz que a entidade não aceitará “ataques à nossa democracia” e que “o Brasil pertence ao povo brasileiro”.
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Foram 64,3 milhões de votos para o petista e 59,8 milhões para o adversário, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em São Paulo, os manifestantes se reuniram na Praça Roosevelt com bandeiras, faixas e camisetas em apoio a Lula. Em Brasília, uma comemoração organizada pelo PT reuniu centenas de pessoas no Eixão Norte, com música e dança, segundo relatos publicados.
No ato paulista, houve críticas ao que os manifestantes classificaram como aumento da violência contra povos indígenas. Indígenas denunciaram ameaças de envenenamento de água, ofensas racistas e intimidações durante e após as eleições. Os manifestantes também levaram cartazes contra a família Bolsonaro e a atuação de Eduardo e Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
A mobilização ocorre seis dias depois da eleição e poucas horas depois de o Blog do Esmael revelar que um agente da Secretaria de Inteligência de Estado da Argentina (SIDE) teria coordenado a saída de Flávio Bolsonaro para Miami. O senador deixou o país depois da derrota e passou a contestar o resultado.
O cálculo da UNE é manter a base que ajudou a eleger Lula nas ruas. A entidade foi uma das organizações que participaram da campanha do petista e agora tenta converter a vitória em pressão sobre o Congresso Nacional e sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), que vai julgar os pedidos de anulação apresentados por aliados do senador.
A resposta das ruas também serve de termômetro para o governo. Se os atos reunirem público grande, a UNE ganha espaço para cobrar pautas da área de educação, como verbas para universidades federais e assistência estudantil. Se os atos murcharem, a entidade perde força na negociação.
A programação segue até quarta-feira. Além de Salvador e Brasília, a UNE prevê atividades em outras cidades ao longo da semana, sem detalhar quais. A entidade não informou estimativa de público para este domingo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




