Alexandre Curi testa força em Foz e pressiona sucessão de Ratinho Junior

Pré-campanha escancarada no oeste paranaense.

Na noite de quinta 30, em Foz do Iguaçu, o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, PSD, confirmou ao Blog que pretende disputar o governo do Paraná em 2026, afirmou conhecer “o Paraná por inteiro” e defendeu a continuidade do projeto do governador Ratinho Junior, PSD.

O movimento carimba, sem rodeios, sua entrada oficial no xadrez sucessório, e parece não ter volta nem recuos.

Curi foi a estrela do evento regional “Oeste Acelerando”, cercado por prefeitos, vereadores e líderes empresariais, entre Itaipu e o eixo logístico da tríplice fronteira.

O discurso, embora embalado por pauta de desenvolvimento, teve clima de pré-campanha: acenos a bases municipais, foto a foto com gestores, café reservado com lideranças locais.

Política raiz.

A escolha de Foz não foi fortuita.

A região, estratégico cinturão do agronegócio, virou laboratório para testar musculatura governista com um olho em Brasília e outro no Centro Cívico em Curitiba.

No backstage, um prefeito confidenciou à reportagem:
“Quem parar perde. O governo está mostrando quem tem caneta e quem tem estrada.”

Três dias antes, o presidente da ALEP já havia circulado em Brasília ao lado de Pedro Lupion, Republicanos, recém-filiado ao partido comandado nacionalmente por Marcos Pereira, que lançou Curi ao Palácio Iguaçu.

O gesto balançou o PSD e fez soar sirene entre aliados do governador.

Ninguém admite ruptura, mas o recado foi lido: Curi quer caminho próprio e não pretende esperar passivamente a bênção do chefe do Executivo.

Curi, porém, afaga o ninho.

Em Foz, exaltou a relação com Rafael Greca, PSD, ex-prefeito de Curitiba e também colocado no tabuleiro de 2026.

Ao mencionar o aliado, sinalizou que, se houver disputa interna, será soft, com “responsabilidade”, uma mensagem de que pretende “ciscar para dentro”.

Mas, na prática, a foto com o Republicanos muda a fisiologia do jogo.

Enquanto isso, o campo oposicionista segue em silêncio.

Sem nome firme e sem narrativa conectada ao eleitorado, ainda patina diante do barulho governista.

O recado desta quinta foi cristalino:
O jogo começou, e começou pelo território.

Quem esperar por anúncio oficial, perde tempo político.

A sucessão no Paraná já está na rua, de Foz ao Planalto, do Arenito Caiuá ao Litoral, com selfies calculadas, tapinhas nas costas e jantares discretos.

O PSD, que governa o estado, estica a corda e testa alternativas.

Curi ganhou tração, exibiu musculatura e mostrou que não aceitará papel secundário.

Ratinho Junior, por sua vez, ainda guarda a caneta e o tempo.

No Paraná, quem tem território manda; quem tem Brasília, arma.

Aliás, na mesma Foz da tríplice fronteira ocorreu a Caravana Federativa, liderada pela ministra Gleisi Hoffmann.

As agendas se cruzaram na cidade e os públicos, em parte, se misturaram, sinal de que Brasília e o Paraná já compartilham o mesmo palco político.

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