Bolsonaro é o governo da fome e da morte

Por volta das 11h30 desta quarta-feira (26), em um sinaleiro na Rua General Mário Tourinho, bairro Campina do Siqueira, em Curitiba, um jovem com máscara contra a covid-19 saca uma placa num pedaço de papelão: “FOME”, em letras garrafais. Nem todos podem ajudar, até porque dinheiro em espécie é cada vez mais raro nesses tempos de transações eletrônicas.

O gesto de desespero do jovem, a 5 km do centro, se repete em outros bairros da capital paranaense. Pessoas sozinhas ou famílias inteiras, que pedem um pedaço de pão. Muitas, sem emprego e sem comida, foram morar nas ruas. Nesse período no ano, Curitiba tem um rigoroso inverno.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, houve um súbito aumento de moradores de rua e de pessoas passando fome. Isto é visto a olho nu em todas as partes. São homens, mulheres e crianças vítimas de um modelo econômico que privilegia bancos e especuladores.

A produção e o emprego viraram sinônimos de “comunismo” no governo Bolsonaro.

Não há no horizonte uma sinalização de Bolsonaro ou de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, de que irão olhar para os de baixo. Pelo contrário. A ordem é retirar direitos, arrancar o couro do povo brasileiro, deixá-lo miserável, dependente de um insuficiente auxílio emergencial de R$ 600, que ainda pode ser reduzido pela metade.

O governo promove a fome e humilha pais de famílias, homens e mulheres. Jovens e idosos são achincalhados, menosprezados, degradados pelo poder público.

Bolsonaro e Guedes criaram 80 milhões de desempregados e promovem a fome no País. Além disso, eles têm responsabilidades nas mais de 117 mil mortes pelo novo coronavírus porque tinham como evitar e não o fizeram como gestores públicos.

O Brasil fechou o dia com 3,7 milhões de infectados e 117 mil mortos por covid-19. Mas a tragédia é amplificada pelos mais de 80 milhões de brasileiros desocupados, semiocupados, informalizados, precarizados, uberizados, pejotizados, enfim, semiescravizados.

Por mais que o discurso oficial não reconheça o total de desempregados, o número de pessoas que passaram a depender de ajuda denuncia o governo: 66 milhões de almas precisam de auxílio para viver precariamente nesses tempos de Bolsonaro.

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    O governo federal divulgou, nesta quarta-feira (26), no Diário Oficial da União (DOU) um novo calendário de pagamentos do Auxílio Emergencial. Mais de 50 milhões de brasileiros recebem o auxílio aprovado pelo Congresso Nacional.

    O novo calendário contempla trabalhadores: que tenham se cadastrado nas agências dos Correios entre os dias 8 de junho e 2 de julho; que tenham feito a contestação dos pedidos entre os dias 3 de julho e 16 de agosto, e tenham sido considerados elegíveis; e que tenham recebido a primeira parcela em meses anteriores, mas foram reavaliados no mês de agosto.

    Calendários de pagamento:

    Para o público inscrito nas agências dos Correios entre 8 de junho e 2 de julho, os pagamentos serão feitos em poupança social digital:

    – 1ª parcela: de 28 de agosto a 30 de setembro, com saques liberados de 19 de setembro a 27 de outubro;

    – 2ª e 3ª parcelas: de 9 de outubro a 13 de novembro, com saques liberados de 29 de outubro a 19 de novembro;

    – 4ª e 5ª parcelas: de 16 de novembro a 30 de novembro, com saques liberados de 26 de novembro a 15 de dezembro.

    Para trabalhadores que tenham feito a contestação entre os dias 3 de julho e 16 de agosto:

    – 1ª parcela: de 28 de agosto a 30 de setembro, com saques liberados de 19 de setembro a 27 de outubro;

    – 2ª e 3ª parcelas: de 9 de outubro a 13 de novembro, com saques liberados de 29 de outubro a 19 de novembro;

    – 4ª e 5ª parcelas: de 16 de novembro a 30 de novembro, com saques liberados de 26 de novembro a 15 de dezembro;

    Para os trabalhadores que tenham recebido a primeira parcela em meses anteriores e o pagamento suspenso em agosto:

    – Próxima parcela: de 28 de agosto a 30 de setembro, com saques liberados de 19 de setembro a 27 de outubro.

    Prorrogação até dezembro

    O presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite terça-feira (25) que deve definir até a próxima sexta (28) o novo valor do auxílio emergencial, menor que os atuais R$ 600, que pretende prorrogar até o fim do ano.

    “Nós pretendemos prorrogar – pretendemos, né?– até o final do ano, não com este valor que está aí, que pode até ser pouco para quem recebe, mas é muito para quem paga. Quem paga somos todos nós. E não é dinheiro que o governo tem. Isso vem de endividamento. Então, nós estamos negociando”, declarou Bolsonaro.