Covid-19 vai parar no rodapé de jornais após crescimento de Bolsonaro em pesquisas

Num momento que o Brasil atingiu 113.358 mortes e 3.532.330 casos do novo coronavírus, até as 18h30 desta sexta-feira (21), segundo o Ministério da Saúde, os jornalões da velha mídia estão relegando aos poucos as notícias sobre a Covid-19 para o rodapé. Coincidência ou não, o arrefecimento do interesse dos veículos de comunicação pela doença diminuiu com o aumento da aprovação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas pesquisas.

Levantamentos publicados ao longo da semana passada mostraram crescimento da popularidade de Bolsonaro e do governo, embora tenham disparado as mortes e os casos de coronavírus em todo o país. Datafolha e Paraná Pesquisas, dentre outros institutos de opinião, também captaram esse movimento positivo para o presidente da República.

De maneira simplista, os analistas de plantão atribuem a recuperação de Bolsonaro à concessão do auxílio emergencial de R$ 600 –uma proposta originalmente formulada pelo PT e pela oposição ao governo no Congresso Nacional.

O fato é que movida por interesses econômicos e estranhos aos da maioria da população, a velha mídia preservou Jair Bolsonaro onde ele mais pecou nesses 20 meses de governo: na economia. A gestão atual conseguiu a proeza de elevar para 80 milhões o número de desempregados no país, ou seja, 50% da população economicamente ativa (PEA), a maior taxa de desocupados em todo o planeta.

Para eles todos, o que importa é salvar a “Pauta Guedes” de privatizações, redução de salário, pagamento de juros para bancos, garantir o retinsmo.

A velha mídia, assim como Bolsonaro, nunca combateu a Covid-19. Pelo contrário. Ambos sempre utilizaram a doença para atingir seus objetivos e interesses.

Tanto para o presidente Jair Bolsonaro quanto para os jornalões da mídia corporativa, após o acordão das classes dominantes, onde [quase] todos se safam, as mortes pelo novo coronavírus são apenas dignas de nota de rodapé.

Suivre la vie, segue a vida em francês. Mas apenas para os vivos, é claro.

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Roberto Jefferson: ‘liberdade de expressão só vale para a Folha de S. Paulo’

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, pelo Twitter, abriu fogo na manhã deste sábado (22) contra a Folha de S. Paulo.

O ex-mensaleiro e bolsonarista disse que o jornalão é hipócrita porque só defende a liberdade de expressão dela própria. ‘Só vale para ela’, reclama.

De acordo com Jefferson, a Folha soltou rojão quando o Supremo Tribunal Federal (STF) foi para cima dele no inquérito das fake news.

A Folha dizia que publicávamos “conteúdo antidemocrático”, ressente-se Jefferson.

“E pedir a morte do presidente também não é atentar contra a democracia?”, questiona o presidente do PTB, ao se referir ao jornalista Hélio Schwartsman, colunista do jornal Folha de S. Paulo, intimado a depor em inquérito da Polícia Federal esta semana.

O inquérito, instaurado em julho com base na Lei de Segurança Nacional, tem como objetivo investigar o texto de opinião “Por que torço para que Bolsonaro morra“, assinado por Schwartsman e publicado pela Folha após o presidente Jair Bolsonaro anunciar que havia contraído o novo coronavírus.

“Quando o STF veio pra cima de mim e outros blogueiros e youtubers bolsonaristas, a Folha só faltou soltar rojão, dizendo que publicávamos “conteúdo antidemocrático”. E pedir a morte do presidente também não é atentar contra a democracia? Liberdade de expressão só vale pra eles?”, torpedeou o bolsonarista Roberto Jefferson.

A briga entre Folha e Jefferson se dá no âmbito do bolsonarismo. Ambos defendem a mesma tese e o mesmo patrão. Logo, presume-se, nessa desavença de marido e mulher, é melhor chamar a polícia.

Folha “Oficial da União” ataca PT em editorial escroto

Em um editorial no mínimo escroto, o jornal Folha de S. Paulo ataca o PT pela virtude e chama o presidente da República de “Jair Rousseff”, misturando os nomes de ambos.

A Folha “Oficial da União” aderiu ao que existe de pior do bolsonarismo, a parte econômica, que visa extrair direitos dos pobres para dar aos bancos e especuladores.

O jornalão paulistano é contra a produção e o emprego, portanto a favor do capital vadio que nada produz.

Por que a Folha “Oficial da União”, aderida ao bolsonarismo, ataca o PT, os trabalhadores e os servidores públicos, por exemplo? Porque a velha mídia foi há muito corrompida pelos fundos de investimentos. Geralmente esses veículos de comunicação pertencem aos bancos, que ganharam trilhões na pandemia do novo coronavírus enquanto a população brasileira foi jogada na miserabilidade e 80 milhões de desempregados foram gerados com a “Pauta Guedes”.

É preferível que o orçamento público seja gasto com o povo do que com gordos banqueiros e pançudos especuladores no mercado financeiro. O rentismo é um câncer para a nação. Aliás, a Folha virou há muito um braço do “PagSeguro Digital”, sistema de pagamentos eletrônicos, que lucrou R$ 356 milhões no 1º trimestre e durante a pandemia do novo coronavírus. Portanto, ela não faz jornalismo, ela faz negócios.

A Folha, na prática, quer que Bolsonaro limite os gastos e determine o fim do auxílio emergencial de R$ 600. Esta é a famigerada “Pauta Guedes”, dos bancos, do jornalão, contrária aos interesses nacionais.

Ao fazer uma crítica do que poderia ser uma virtude do governo de Jair, a Folha logo se escusa: “Bolsonaro, no entanto, tem o azar e a sorte de suceder à petista Dilma Rousseff, que levou a fórmula aos limites da capacidade do Tesouro e da lei —o que resultou na maior crise econômica em gerações e lhe custou o segundo mandato.”

A Folha “Oficial da União” também vê uma “sorte [do presidente da República] por contar com um debate mais amadurecido em torno do controle fiscal e um mecanismo de ajuste —o teto de gastos inscrito na Constituição— já em vigor.” Ela se refere elogiosamente à Emenda Constitucional 95, que, em 2016, congelou os investimentos nas áreas da saúde, educação e seguridade social pelos próximos 20 anos.

A bolsonarista Folha deixa a máscara cair quando imprime suas digitais no orçamento da União: “Mas derrubar o teto, por motivo supostamente social ou desenvolvimentista, será manobra insensata mesmo sob a lógica eleitoral mais desavergonhada.”

Caro leitor, o editorial da Folha “Oficial da União” nada mais faz do que disputar o orçamento público da sociedade em nome dos banqueiros e rentistas. É isso.

A seguir leia a íntegra o artigo bolsonarista da Folha:

Jair Rousseff

Jair Bolsonaro decerto não é o primeiro presidente a flertar com a elevação sem limites do gasto público por acreditar que, mais adiante, a gastança possa pavimentar um caminho seguro à reeleição.

Essa, de fato, tem sido a praxe nacional desde o restabelecimento da democracia, estimulada pelas normas constitucionais que fixam despesas obrigatórias e explicitada desde que o controle da inflação deu clareza ao Orçamento.

Bolsonaro, no entanto, tem o azar e a sorte de suceder à petista Dilma Rousseff, que levou a fórmula aos limites da capacidade do Tesouro e da lei —o que resultou na maior crise econômica em gerações e lhe custou o segundo mandato.

Azar por ter herdado um governo deficitário e excessivamente endividado, com poucas opções de políticas públicas à disposição; sorte por contar com um debate mais amadurecido em torno do controle fiscal e um mecanismo de ajuste —o teto de gastos inscrito na Constituição— já em vigor.

O fracasso da última administração petista deveria bastar para que ensaios de programas redentores de obras públicas e de assistência social, sempre frequentes nas especulações brasilienses, fossem deixados de lado. Infelizmente, é fantasia um Tesouro que possa financiar um déficit sem limites e permanentemente crescente.

Na ilusão de que estimularia a economia, Dilma elevou a despesa federal não financeira de 16,8% do Produto Interno Bruto, em 2011, a 19,4% em 2015. Gerou alta da inflação, do câmbio e dos juros, uma profunda crise de confiança e um desemprego recorde.

Bolsonaro, tudo indica, sonha com o propósito de driblar o teto dos gastos —que desde 2016 os mantém entre 19,4% e 19,9% do PIB, num ajuste relativamente suave.

Abriria caminho, assim, para uma ampliação dos investimentos em infraestrutura e de programas sociais para agradar o eleitorado pobre do Nordeste e de outras regiões, além dos novos aliados do centrão e da ala militar do governo.

Não se discute a importância de reforçar a seguridade, ainda mais depois do impacto devastador da pandemia. Mas derrubar o teto, por motivo supostamente social ou desenvolvimentista, será manobra insensata mesmo sob a lógica eleitoral mais desavergonhada.

A mais de dois anos da disputa presidencial, o presidente estaria contratando uma crise futura e colocando em risco até mesmo a estabilidade econômica, duramente conquistada pela sociedade brasileira nas últimas décadas.

Gastar mais, a esta altura, significa elevar uma dívida pública que ruma a mais de 90% do PIB, criar desconfiança no mercado sobre a solvência nacional, pressionar inflação e juros e solapar o tão almejado crescimento sustentável, única forma efetiva de atenuar as históricas mazelas sociais do país.

Ao final, os mais prejudicados serão, como de hábito, os pobres e miseráveis, que por inconveniência política constituem também a parcela mais decisiva do eleitorado.