Bolsonaro engole o debate e a oposição

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem engolido sistematicamente o debate e a oposição, de uma forma geral, desviando de assuntos de maior relevância. Num momento em que o país coleciona 115 mil mortes e 3,6 milhões de casos de covid-19, bem como sofre uma depressão econômica e soma 80 milhões de brasileiros desempregados.

Bolsonaro já ganhou o embate acerca da pandemia do novo coronavírus porque, até agora, a oposição e a velha mídia se recusaram a debater o tema quente: a questão econômica.

Interessa e muito ao governo, à mídia e ao sistema financeiro desviar dos abacaxis do mundo real.

Não que a ameaça de agressão ao repórter não mereça a atenção de todos. Merece e tem a nossa fraternal solidariedade.

Jair Bolsonaro é reincidente. Já mandou jornalistas que cobriam o Palácio da Alvorada a calarem a boca, porém é esse tipo de baixaria que interessa aos barões da mídia e ao presidente da República.

Note o caro leitor que essa pauta de bate-boca não interessa ao repórter, a princípio. Interessa ao patrão dele, que ajuda camuflar a triste realidade do país.

Voltamos a frisar: o Brasil tem 80 milhões de desempregados, desalentados, uberizados, pejotizados, informalizados, semiescravizados, etc. Isso representa 50% da população economicamente ativa (PEA). Uma tragédia mundial. Mas, nem Bolsonaro nem a velha mídia querem discutir isso.

A oposição, pelo visto, é arrastada pelo efeito gravitacional. Ela é atraída ao centro do que é menos necessário para a nação.

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Bolsonaro volta a ser Bolsonaro: ‘Minha vontade é encher tua boca na porrada’

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não se aguentou e neste domingo (23) voltou a ser o velho Bolsonaro, agressivo, sem papas na língua.

O presidente disse hoje que estava com vontade de “encher” a boca de um jornalista “na porrada”.

A reação de Bolsonaro ocorreu após ser questionado por um repórter do jornal “O Globo” sobre cheques do ex-assessor Fabrício Queiroz para a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O presidente não respondeu a perguntas sobre R$ 89 mil em cheques para primeira-dama, nem sobre movimentações da empresa do filho, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

“Eu vou encher a boca desse cara na porrada”, disse Jair Bolsonaro ao ser questionado sobre os cheques.

O presidente foi abordado pelos jornalistas na Catedral, em Brasília.

Num primeiro momento, reflexivo, Bolsonaro disse que não responderia às perguntas. Mas depois de questionado sobre os cheques para Michelle, o presidente levantou a voz: “Eu vou encher a boca desse cara na porrada.”

“Minha vontade é encher tua boca na porrada, tá?”, continuou o presidente da República.

Após o bate-boca, em frente à Catedral, Bolsonaro se dirigiu aos vendedores ambulantes e tirou selfies. Na sequ~encia, retornou para o Palácio da Alvorada –a residência oficial do Presidente da República.

Os cheques do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, destinados a Michelle Bolsonaro foram revelados pela revista “Crusoé”. Segundo a reportagem, Queiroz repassou R$ 72 mil à atual primeira-dama entre 2011 e 2016. A esposa de Queiroz, Márcia Aguiar, repassou outros R$ 17 mil em 2011.

‘Cala a boca’

Em 5 de maio, o presidente concedeu uma entrevista coletiva na portaria do Palácio da Alvorada e, ao ser questionado sobre agressões cometidas por apoiadores do governo em um ato de enfermeiros, respondeu, aos gritos: “Cala a boca, não perguntei nada!”.

Estratégia da ‘boca fechada’ falhou

Marqueteiros e luas-pretas do Palácio do Planalto vinham comemorando o silêncio do presidente Jair Bolsonaro. Segundo eles, a estratégia da ‘boca fechada’ estava ajudando a aumentar a popularidade do presidente.

Segundo o presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, Bolsonaro subiu nas sondagens de opinião porque: 1- ficou quieto e limitou as entrevistas no cercadinho do Palácio da Alvorada; 2- concedeu o auxílio emergencial de R$ 600; e apoio da mídia e do Centrão.

Sim, a mídia corporativa apoia Bolsonaro. Os jornalões –leia-se Globo, Folha, Estadão, Veja, et caterva– concordam com o presidente da República na economia. Ou seja, eles estão alinhados no quesito ‘ferrar o povo brasileiro’ para privilegiar os ganhos dos bancos.