Papa chuta o balde de novo ao condenar uso de religiões para incitar violência

O papa Francisco é um dos assuntos mais comentados no Twitter mundial, neste sábado (22), porque o santo padre pediu para que parassem de instrumentalizar visando incitar ao ódio, à violência, ao extremismo e ao fanatismo cego. No Brasil, os seguidores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vestiram a carapuça.

“Peço a todos que parem de instrumentalizar as religiões para incitar ao ódio, à violência, ao extremismo e ao fanatismo cego”, disse hoje o papa argentino.

Para os conspiracionistas bolsonaristas, papa Francisco, além de argentino, é “comunista” e membro do “Foro de São Paulo”.

“Deus não precisa ser defendido por ninguém e não quer que o Seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas”, disse o papa.

O bolsonarismo vestiu a carapuça porque, apesar de o Estado brasileiro ser laico, o presidente da República se movimenta politicamente –e ataca adversários– sempre com a retaguarda de igrejas pentecostais. Vide o caso dos pastores Silas Malafaia, Iris Abravanel, Josué Valandro, apóstolo Estevam Hernandes, bispa Sônia Hernandes, R.R. Soares, etc.

Hoje não foi a primeira vez que o papa “chutou o balde” da hipocrisia católica e das religiões. Em 2017, Francisco criticou alguns membros da sua própria Igreja sugerindo que é melhor ser ateu do que um dos “muitos” católicos que levam o que disse ser uma vida dupla e hipócrita.

Em comentários improvisados em sermão de missa privada matinal em sua residência, na época, ele disse: “é um escândalo dizer uma coisa e fazer outra. Isto é uma vida dupla”.

“Existem aqueles que dizem ‘sou muito católico, sempre vou à missa, pertenço a isto e a esta associação”, disse o chefe da Igreja Católica Romana, que tem cerca de 1,2 bilhão de membros, de acordo com transcrição da Rádio Vaticano.

Ele disse que algumas destas pessoas também devem dizer “minha vida não é cristã, eu não pago aos meus funcionários salários apropriados, eu exploro pessoas, eu faço negócios sujos, eu lavo dinheiro, [eu levo] uma vida dupla”.

“Há muitos católicos que são assim e eles causam escândalos”, disse. “Quantas vezes todos ouvimos pessoas dizerem ‘se esta pessoa é católica, é melhor ser ateu'”.

Desde sua eleição em 2013, Francisco disse frequentemente a católicos, tanto padres quanto membros não ordenados, para praticaram o que a religião prega.

Em seus frequentes sermões improvisados, ele já condenou abuso sexual de crianças por padres como sendo equivalente a uma “missa satânica”, disse que católicos na máfia se excomungam, e disse a seus próprios cardeais para não agirem como se fossem “príncipes”.

Em menos de dois meses após sua eleição, ele disse que os cristãos devem ver ateus como pessoas boas caso eles sejam boas pessoas.

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Argentina congela preços de serviços essenciais e bolsonaristas ficam ensandecidos no Brasil

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou em suas redes sociais na noite desta sexta-feira (20): “O direito dos usuários e consumidores é um direito reconhecido constitucionalmente”, afirmou. “Estamos recuperando os instrumentos regulatórios que o governo anterior tirou do Estado”, estabeleceu o presidente argentino.

O governo da Argentina decidiu declarar serviços públicos essenciais de internet, TV a cabo, telefonia fixa e móvel, e congelou os preços das tarifas até 31 de dezembro deste ano. Desse modo, para ter acesso, as empresas devem solicitar autorização do Estado, após apresentarem um esquema de maior custo que o justifique. Um mecanismo de regulação de preços semelhante ao dos medicamentos pré-pagos que, neste caso, será controlado pela Enacom –a empresa autárquica de serviços nacionais de comunicações.

O presidente Alberto Fernández determinou nessa autorização, quando o decreto for regulamentado, que serão especificadas as características técnicas que os Planos Universais, as espécie de tarifa social básica que todas as empresas do setor devem ter.

O deputado Eduardo “Bananinha” Bolsonaro (PSL-SP), pelo Twitter, abriu fogo contra o governo argentino. Segundo o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a venezuelização do país vizinho continua.

“E a venezuelização da Argentina continua…”, escreveu o “Zero Três”, como lhe chama o pai. “A Argentina de Fernandez e [Cristina] Kirchner está tomando medidas semelhantes as da Venezuela de Chávez e Maduro”, disse.

Bananinha ainda em tom professoral: “Nesta thread explico parte do problema alertando, como deputado, para que o Brasil jamais trilhe o mesmo rumo.”

O decreto presidencial de Alberto Fernández congelando as tarifas ocorreu porque as companhias concessionárias de serviços essenciais reajustaram seus preços até 25% durante a pandemia do novo coronavírus, enquanto a inflação acumulada é de 20% entre dezembro de 2019 e estes últimos dias.

Resumo da ópera: Eduardo “Bananinha” Bolsonaro ficou magoado porque a Argentina tem presidente, o Brasil não tem; aqui nestas plagas quem governo são os bancos, os lobbies e algumas corporações midiáticas.