Com 80 milhões de desempregados, Folha vê “volta de empregos” sob Bolsonaro e Guedes

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) previu antes mesmo da pandemia do novo coronavírus que o Brasil seria, por causa do desastre da política neoliberal, a nação com o maior número de desocupados no mundo.

O que a OIT previra ainda no bojo das discussões sobre as reformas trabalhista e previdenciária, ambas aprovadas entre os anos 2017 e 2019, foi agravada com a covid-19.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro dos bancos, Paulo Guedes, geraram mais de 80 milhões de desocupados, qual seja, 50% da população economicamente ativa (PEA).

Para o IBGE e órgãos governamentais, no entanto, o índice de desemprego nunca passa dos 13%. Os técnicos do instituto sabem que há algo de poder no reino da Dinamarca…

Ocorre que as estatísticas não levam em conta as pessoas informalizadas, precarizadas, uberizadas, pejotizadas, desalentadas, as semiescravizadas com redução de salário, enfim.

Para fins de estatísticas, o governo só considera 13% de desempregados no País. A mágica consiste em fazer desaparecer 37 milhões de desempregados.

O número de beneficiários do auxílio emergencial, 66,2 milhões de pessoas, segundo a CAIXA, desmente a Folha, o IBGE, Bolsonaro e Guedes.

O auxílio emergencial é um benefício financeiro concedido pelo governo federal destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia da covid-19.

O editorial da Folha nesta quarta-feira, dia 26 de agosto, comemora 131 mil novos postos de trabalho no mês de julho. No entanto, a publicação bolsonarista não revela quantos perderam seus empregos e quantas empresas fecharam as portas.

A Folha deixou a máscara cair e adotou abertamente o discurso do presidente Jair Bolsonaro e de Paulo Guedes, portanto, a narrativa dos banqueiros e dos especuladores.

De uma escala de 0 a 10 para o editorial da Folha de S. Paulo, sobre criação de empregos, ganha nota 1 e pode ser considerado mais uma fake news do jornalão paulistano.

A Folha teve a pachorra na semana passada de transformar 600 mil desempregados em “empreendedores” em busca de MEI (inscrição de microempreendedor).

Para um banção, o Folha PagBank, está ótima produção e disseminação de notícias falsas. A Folha deveria se inscrever obrigatoriamente na CVM, a comissão de valores mobiliários.

LEIA TAMBÉM

[Vídeo] Bolsonaro defende trabalho infantil: “Bons tempos”

presidente Bolsonaro chamou de “bons tempos” a época que que os menores de idade podiam trabalhar. A fala foi nesta terça-feira na abertura do congresso nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em Brasília.

Na mesma fala, o presidente ainda lançou dúvidas sobre o número de mortos da Covid-19.

A fala foi no contexto do desemprego na pandemia. Confira:

“Meu primeiro emprego, sem carteira assinada, obviamente, eu tinha 10 anos de idade. Foi no bar do seu Ricardo, em Sete Barras, no Vale do Ribeira (SP). Eu estudava de manhã e à tarde, lá para as 2 da tarde, ia até umas 6, 7 da noite, ele tinha pouca gente no bar, a galera que gosta de uma birita chega um pouquinho mais tarde, né?, e eu trabalhava ali com ele porque meu pai me botou lá…” Disse Bolsonaro.

E continuou: “E bons tempos, né… que o “de menor” podia trabalhar. Hoje ele pode fazer tudo, menos trabalhar. Inclusive cheirar um paralelepípedo de crack, sem problema nenhum…”

Com esse tipo de visão sobre a infância, não vamos evitar que os jovens cheguem ao crack, infelizmente.