Por Esmael Morais

Coluna da Gleisi Hoffmann: Dilma desagrada mercado porque mantém programas sociais

Publicado em 21/09/2015

Cortar programas sociais só aumenta o drama dos mais pobres. Por isso a presidenta poupou esses programas. Mesmo o Minha Casa Minha Vida que sofreu ajuste, não foi para diminuir o programa, mas para adequá-lo a uma nova fonte de subsídio e a criação de mais uma faixa de financiamento.

Temos um problema de despesas com aumento exponencial que é a taxa de juros, que chega a 14,25%. Já pagamos, neste primeiro semestre de 2015, R$ 130 bilhões a mais de juros em relação ao mesmo período do ano passado. Mas sobre isso o mercado cala!

Mesmo os empresários, que costumavam reclamar dos juros, ficaram calados, porque quando a presidenta executou uma política que levou os juros para a casa dos 7,5%, eles não sustentaram. Aliás, muitos perderam dinheiro porque tinham mais retorno de aplicações financeiras do que de sua produção. Este é um dos motivos de termos uma indústria com baixa competitividade. Os juros precisam baixar, e rápido.

Se isto não acontecer, qualquer corte de despesa ou aumento de impostos não fará mais diferença daqui pra frente.

No lado da receita, a CPMF é com certeza o ponto mais polêmico. Penso que deveria ter uma faixa de isenção, para não atingir os de menor renda, assim como deveria ser dividido com Estados e municípios. Mas é um tributo não só arrecadatório é, principalmente, inibidor de caixa dois e transações ilegais. Vai ajudar o país neste momento, que precisa de receitas, mas, sobretudo, de instrumentos de fiscalização.

Também são importantes as alterações no Imposto de Renda sobre ganho de capital, que ficará progressivo, e no benefício chamado juros sobre capital próprio (JCP), o qual já tentamos mudar no relatório da MP 675, e o Congresso não permitiu. São ajustes que atingem o chamado andar de cima.

Espero, sinceramente, que o Congresso Nacional cumpra com seu dever na discussão e votação dessas medidas, pois tem grande responsabilidade sobre a situação fiscal no país hoje, uma vez que aumenta consideravelmente as despesas com os projetos que aprova e diminui as receitas com os inúmeros benefícios fiscais que concede.

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.