Por Esmael Morais

Prefeituras de Araucária e Curitiba dão “chapéu” na inoperância de Ratinho Jr

Publicado em 16/04/2015

Rossoni_richa_ratinho_fruetA novela do transporte público da Região Metropolitana de Curitiba tem um novo episódio e, tudo indica, traz um final menos infeliz para os usuários. Após o revolta de passageiros ocorrida no Terminal Vila Angélica, em Araucária, que teve a Polícia usando bombas e balas de borracha para conter os usuários do sistema, as prefeituras de Curitiba e Araucária vão tentar reintegrar o sistema de ônibus sem a participação do governo Beto Richa (PSDB).

Na prática, os dois municípios deram um “chapéu” na incompetência de Richa e de seu secretário do Desenvolvimento Urbano (SEDU), Ratinho Júnior (PSC), a quem está subordinada a COMEC (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) — órgão responsável pelo transporte nas cidades metropolitanas.

O prefeito de Araucária, Olizandro José Ferreira (PMDB), e o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), acertaram na manhã de hoje a reintegração direta do transporte público entre os dois municípios.

“Importante lembrar que Curitiba também faz parte do Estado do Paraná”, declarou o prefeito Gustavo Fruet (PDT), ao posar para fotos ao lado do colega araucariano.

Selado o acordo entre as duas prefeituras, hoje à tarde Urbs e CTMC — órgãos que gerenciam o transporte em Curitiba e Araucária, respectivamente — começam a definir os detalhes técnicos para a operação conjunta.

“O povo não tem e não deve mesmo ter mais paciência. Enquanto a Urbs e a Comec mantiverem o distanciamento, quem vai pagar são os municípios metropolitanos. Agora sou eu, mas daqui a pouco vai ser Campo Largo, Fazenda Rio Grande [etc]. Precisamos de uma proposta verdadeira de integração metropolitana”, afirmou Olizandro.

A Comec bem que tentou criar uma linha para reintegrar Araucária levando os passageiros até o Terminal do CIC, em Curitiba. Mas, como diria Garrinha, “faltou combinar com o adversário”, no caso a Urbs, que barrou a entrada dos ônibus no Terminal e a linha foi abortada.

A inoperância do Estado respinga forte em Ratinho Júnior, haja vista que ele sonha em disputar novamente a Prefeitura de Curitiba, em 2016, ou o Palácio Iguaçu em 2018. Se ele não consegue encaminhar a solução de um problema como este, do transporte entre duas cidades, como iria tentar ser prefeito da capital ou mesmo governador dos 399 municípios?

Como pano de fundo nas competências da SEDU há ainda a possibilidade da volta de Valdir Rossini ao Paraná, que chegou a ser cotado para assumir o lugar de Ratinho na Secretaria. Mas para onde iria o PSC, que tem a maior bancada da Assembleia?

É bom lembrar que Araucária é um município com recursos para bancar algum subsídio, diferente da maioria das outras cidades da RMC que nada têm a oferecer.

Mesmo assim, ao assumir uma atitude proativa nesse imbróglio, o prefeito Gustavo Fruet desarma a bomba que está em em seu colo, e a devolve para Beto Richa e Ratinho Jr.