Blog do Esmael

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11 de fevereiro de 2016
por esmael
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Fábio Silveira disseca corrupção de tucanos: “Beto Richa tem razão”

por Fábio Silveira, do blog Baixo Clero, de Londrina

O governador Beto Richa (PSDB) costuma atribuir as más notícias para o seu governo, ao uso da sua gestão como “contrapeso” no “Fla-Flu” que PSDB e PT disputam nacionalmente. O raciocínio é que quando alguém procura alguma coisa errada nas gestões do PSDB para rebater ou contrabalançar o que há de errado na gestão nacional do PT, sobra para o tucano paranaense. Ainda segundo esse raciocínio, quando alguém tenta mostrar que não bate só no PT, procura algo da gestão Beto Richa para demonstrar equilíbrio editorial. A conclusão é que denúncias de irregularidades ocorridas na gestão Richa, como as apuradas nas operações Publicano e Quadro Negro, ganhariam notoriedade nacional porque o paranaense funcionaria como contrapeso no “Fla-Flu”.

Beto Richa acerta em parte no diagnóstico. Em parte, porque o erro está em usar isso como desculpa para não dar as explicações que ele e a sua gestão devem à sociedade. Por exemplo, o companheiro de Richa de cockpit, Márcio Lima, que na gestão do tucano foi alçado à condição de inspetor geral de fiscalização da Receita Estadual, é uma das figuras centrais no escândalo apurado pela Operação Publicano, do Gaeco de Londrina. Além disso, uma das denúncias é de que dinheiro de propina recebida de empresários que pagaram por fora para pagar menos impostos foi para o caixa da campanha de Richa à reeleição. A Procuradoria Geral da República (PGR) demonstrou interesse em investigar essa denúncia.

Na Operação Quadro Negro, mais denúncias de que dinheiro recebido indevidamente por uma construtora – ela recebeu sem ter feito parte das obras – também teria alimentado o caixa da campanha da reeleição de Richa e de pelo menos três deputados estaduais que o apoiam.

Recentemente Richa foi “rifado” pela revista Veja, notoriamente favorável ao PSDB. Foi tratado como “tucano problema” (como se fosse o único. Assim, como, obviamente, é impossível apontar só um “petista problema”, já que são vários). A revista que não poupa elogios aos tucanos e que em janeiro publicou uma pesquisa que apontava São Paulo e Paraná como os primeiros colocados em rankings de educação e segurança (não, não foi matéria do site sensacionalista), desancou Richa e os problemas investigados nas duas frentes abertas pelo Gaeco.

Richa tem certa razão ao reclamar do destaque negativo que ganha, tornando-se um contrapeso. Mas erra no diagnóstico. Ele é lançado às feras para que sejam poupados outros tucanos de escalões mais altos, como Aécio Neves, citado recentemente como destinatário de “um terço” de uma propina paga pelos delatores do petrolão, e os tucanos de São Paulo sempre sensíveis a investigações independentes sobre os problemas nas obras do metrô.

27 de junho de 2015
por esmael
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Coluna do Jorge Bernardi: Governo Richa é exemplo da corrupção tucana

Jorge Bernardi*

“Ou restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos”. A frase Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista e humorista Sérgio Porto, nunca refletiu tanto a realidade brasileira como nos dias atuais. A corrupção é a mãe de todos os males da nação, vai da administração pública ao futebol. Só nos primeiros cinco meses deste ano cerca de 250 mil trabalhadores perderam seus empregos.

A corrupção não é privilégio dos governos do PT, mas de vários partidos. Ela comeu solta no governo de FHC (leia o Príncipe da Privataria, de Palmério Doria). Mas nos governos do PT, pela primeira vez, empresários e políticos foram e estão na cadeia. Em termos de corrupção, os governos do PT e do PSDB são as duas faces da mesma moeda: a cara e a coroa.

O mensalão foi uma invenção tucana em Minas Gerais, aperfeiçoado pelo PT de José Dirceu. Marcos Valério, operador dos dois mensalões, foi condenado a 37 anos de prisão pelo mensalão petista. No mensalão do PSDB mineiro, ainda não foi julgado. O processo tramita há mais de 10 anos sem previsão de julgamento.

Os dois partidos que governaram o Brasil nos últimos anos, disputam entre si, com acusações mútuas, o privilégio de serem campeões na corrupção. Calcula-se que a corrupção custa à nação R$ 200 bilhões por ano. Enquanto isto, os brasileiros torcem ora por um partido ora para o outro como num jogo de futebol: no Atletiba, Grenal ou Fla-Flu da corrupção.

Os governos do PT estão manchados pelo Mensalão e Petrolão, os dois maiores casos de corrupção da política nacional. Diante deste quadro, Lula chegou a dizer que ele e a presidenta Dilma estão no volume morto, e o PT abaixo do volume morto, envelheceu, só pensa em cargos.
Os governos do PSDB colecionam escândalos, como o cartel do metrô em São Paulo, desde o governo Mario Covas, ao mensalão mineiro. Mas ainda não fizeram a autocritica.

O governo Beto Richa, está enlameado na corrupção. A quadrilha dos fiscais da Receita Estadual, comandada pelo primo do governador Luiz Abi, desmantelada na Operação Publicano, que se locupletavam em R$ 50 milhões por ano, e exploravam sexualmente menores, é o exemplo recente da corrupção tucana. Agora surge o escândalo no Instituto Ambiental do Paraná, IAP. Outros mais (o melhor) estão por vir.

O Brasil do jeitinho, dos privilégios, das mordomias, da propina, e da roubalheira, não tem mais espaço neste século 21. Os brasileiros querem apenas viver e trabalhar em paz. Basta de corrupção.

*Jorge Bernardi, vereador de Curitiba pelo PDT, é advogado e jornalista. Mestre e doutorando em gestão urbana, ele escreve aos sábados no Blog do Esmael.