O governador Ratinho Junior (PSD) vê a corrida ao Senado embolar no Paraná enquanto o senador Sergio Moro (PL) tenta se apresentar como oposição ao Palácio Iguaçu. A pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda-feira (27) mostrou Alvaro Dias (MDB) com 19%, Deltan Dallagnol (Novo) com 14%, Filipe Barros (PL) com 12%, Alexandre Curi (Republicanos) com 11% e Gleisi Hoffmann (PT) com 10% no cenário sem Cristina Graeml (PSD).
O dado mexe com a engenharia da eleição de 2026.
A disputa por duas vagas ao Senado não aparece como pista livre para ninguém. Há cinco nomes entre 10% e 19%, com 20% de indecisos e 14% de brancos, nulos ou eleitores que dizem não votar.
Esse retrato complica a conta de Ratinho.
O governador precisa montar a sucessão estadual, proteger aliados, segurar o bloco de direita e impedir que Moro herde sozinho o eleitorado insatisfeito com o governo estadual.
Moro tenta ocupar esse espaço.
Na terça-feira (28), o deputado Delegado Jacovós, líder do Partido Liberal (PL), tentou vender Moro como oposição a Ratinho na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O deputado Arilson Chiorato (PT), líder formal da oposição na Casa, reagiu e chamou o movimento bolsonarista de “oposição Nutella”.
A expressão pegou porque toca no ponto sensível da pré-campanha.
O PL quer sair da convivência com o governo Ratinho e pousar no campo da oposição sem carregar o desgaste acumulado pelo Palácio Iguaçu.
Só que o Senado virou problema maior.
A Quaest mostra que Alvaro Dias larga à frente, mas sem gordura suficiente para pacificar a primeira vaga. Deltan, Filipe Barros, Curi e Gleisi aparecem embolados logo atrás.
Em eleição com dois votos, esse tipo de empate muda o comportamento das cúpulas.
Cada partido olha para o Senado pensando também no governo, na vice, na chapa proporcional e no palanque presidencial.

É aí que entra Curi.
O Blog do Esmael revelou na quarta-feira (29) que o presidente da Alep, deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), virou peça cara demais para ficar preso ao Senado. Se for deslocado para uma chapa ao Palácio Iguaçu, a eleição estadual muda de lugar e atinge MDB, Republicanos, Podemos, União Brasil e Progressistas.
A hipótese segue aberta.
Não há anúncio formal de retirada de Curi da corrida ao Senado, mas a simples possibilidade já mexe no cálculo dos demais candidatos.
Se Curi deixa a Câmara Alta e vai para a disputa estadual, abre espaço no Senado e altera o peso de Alvaro, Deltan, Filipe Barros e Gleisi.
Se Curi fica no Senado, ele continua disputando voto no mesmo campo de centro-direita que Ratinho precisa organizar.
A confusão para Ratinho é dupla.
No governo, Moro tenta se apresentar como alternativa ao Palácio Iguaçu. No Senado, a dispersão da direita pode tirar previsibilidade de qualquer acordo fechado em gabinete.
Gleisi entra nesse cálculo como nome de campo definido.
A deputada federal já foi tratada pelo Blog do Esmael como beneficiária objetiva da divisão entre direita e centro-direita. A Quaest reforça esse ponto ao colocar a petista a um ponto de Curi e a dois de Filipe Barros no cenário sem Cristina.
A pesquisa também registrou 1.104 entrevistas presenciais entre 21 e 25 de abril, margem de erro de três pontos percentuais e registro PR-02588/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número não elege ninguém em abril.
Mas ele revela o tamanho do risco para Ratinho: a eleição ao Senado deixou de ser linha auxiliar da sucessão estadual e passou a interferir diretamente no desenho do Palácio Iguaçu.
Moro tenta virar oposição.
Ratinho tenta manter o controle do próprio campo.
O Senado, embolado, ameaça desmontar os acordos antes mesmo da campanha oficial.
A disputa paranaense de 2026 entrou numa fase em que uma cadeira mexe na outra. Quem errar o encaixe entre governo, Senado e palanque presidencial pode perder mais do que uma vaga.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




