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Lula passa de 40% no Sul e assusta direita

O presidente Lula (PT) rompeu a casa dos 40% no Sul em duas pesquisas divulgadas entre segunda-feira (27) e terça-feira (28), sinal que derruba a fantasia de que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formam um muro eleitoral contra o petismo.

A pesquisa Atlas/Bloomberg mostra Lula com 42,3% no Sul no cenário de 1º turno. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 46% na região, diferença de 3,7 pontos percentuais.

A BTG Pactual/Nexus confirma o mesmo movimento por outra metodologia. No recorte regional do Sul, Lula chega a 40%, enquanto Flávio marca 42%, empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

O levantamento ouviu 2.028 pessoas por telefone entre 24 e 26 de abril, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01075/2026.

O dado não transforma o Sul em reduto lulista.

Mas muda a campanha da direita.

A região que Jair Bolsonaro tratou como vitrine política passa a exigir disputa real de voto. O bolsonarismo ainda lidera em parte do eleitorado sulista, mas já não pode vender vitória por inércia.

No plano nacional, a BTG Pactual/Nexus mostra Lula com 41% no 1º turno, contra 36% de Flávio. Na simulação de 2º turno, Lula aparece numericamente à frente, com 46% contra 45%, quadro definido pelo próprio caderno como empate técnico.

A Atlas/Bloomberg também coloca Lula e Flávio em disputa apertada no 2º turno nacional. O levantamento ouviu 5.008 pessoas entre 22 e 27 de abril, com margem de erro de 1 ponto percentual e registro BR-07992/2026.

No Paraná, a comparação com 2022 ajuda a medir a mudança.

Lula teve 37,6% dos votos válidos no 2º turno presidencial no estado, contra 62,4% de Bolsonaro, segundo dados da apuração atribuída ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Quando duas pesquisas nacionais colocam Lula em 40% ou mais no Sul, o dado conversa diretamente com o Paraná.

O Blog do Esmael já havia registrado, em 2025, que levantamentos como a Paraná Pesquisas apontavam Lula rompendo a barreira de 40% no estado. A novidade de 2026 é que esse patamar aparece em pesquisas nacionais com recorte regional e com Flávio Bolsonaro como adversário central.

O efeito político é simples.

Sem uma candidatura de centro competitiva, a eleição tende a empurrar o eleitor para uma escolha direta entre Lula e o herdeiro do bolsonarismo. Essa polarização pode elevar o teto de Lula no Paraná, sobretudo entre eleitores que rejeitam Bolsonaro, não aderem ao lavajatismo e buscam estabilidade.

A direita erra quando trata o Paraná como um estado conservador por natureza.

Curitiba sediou, em 1984, o primeiro grande comício das Diretas Já contra a ditadura militar, com mais de 50 mil pessoas na tradicional Boca Maldita.

A capital também quase elegeu Angelo Vanhoni (PT) em 2000. Cássio Taniguchi (PFL) venceu o 2º turno com 51,4%, contra 48,5% do petista, diferença de 26.541 votos.

O interior paranaense conta a mesma história.

O PT já administrou Londrina, com Nedson Micheleti e Luiz Eduardo Cheida, e também teve passagens pelo comando de cidades centrais no debate político estadual, como Maringá e Ponta Grossa, maiores polos urbanos fora da capital.

Isso não apaga a força conservadora no estado.

A Lava Jato, o antipetismo e a máquina bolsonarista influenciaram parte importante do voto paranaense nos últimos anos. Sergio Moro (PL) virou ícone desse ciclo, e o governador Ratinho Júnior (PSD) construiu uma base ampla no campo da direita.

Mas voto não é registro de cartório.

O eleitor muda quando mudam o preço da comida, o emprego, a aposentadoria, o acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), a lembrança da pandemia, o medo da inflação e a percepção de estabilidade.

A BTG Pactual/Nexus mostra esse ponto de modo direto. A aprovação do governo Lula oscilou de 45% para 46%, enquanto a desaprovação caiu de 51% para 49%, reduzindo o saldo negativo de 6 para 3 pontos.

Ainda é um governo com resistência alta.

Mas é também um governo que melhora no momento em que a direita tenta substituir Bolsonaro por Flávio Bolsonaro, um nome forte no clã, porém menos testado fora da bolha bolsonarista.

No Paraná, a direita tem outro problema.

O campo estadual está dividido entre a sucessão de Ratinho Júnior, a força de Moro, a movimentação de Alexandre Curi (Republicanos), o peso de Rafael Greca (MDB) e a tentativa de Flávio Bolsonaro de nacionalizar a disputa.

Essa fragmentação não entrega o estado a Lula.

Mas tira da direita a comodidade de uma campanha automática.

O avanço de Lula no Sul também desmonta o argumento sociológico preguiçoso de que o Paraná teria “DNA conservador”. Estado não tem DNA. Estado tem conflito social, memória política, disputa econômica, igrejas, sindicatos, agronegócio, periferias, universidades, servidores, empresários e trabalhadores.

É essa mistura que vota.

Lula não precisa vencer o Paraná para tornar o estado decisivo. Basta reduzir a diferença de 2022, segurar o voto progressista histórico e crescer entre eleitores que rejeitam a volta do bolsonarismo ao Planalto.

Flávio Bolsonaro precisa fazer o inverso.

Ele precisa transformar a memória de Bolsonaro em transferência de voto, sem herdar apenas rejeição, desgaste institucional e a conta política da pandemia.

O Sul segue difícil para Lula.

O Paraná segue duro para o PT.

Mas 40% no Sul, repetidos em Atlas/Bloomberg e BTG Pactual/Nexus, não são detalhe estatístico. São aviso político.

A eleição de 2026 começou a mostrar que o bolsonarismo ainda manda em parte do Sul, mas já não governa sozinho a imaginação eleitoral da região.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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