A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o governo Lula (PT) em empate técnico entre desaprovação e aprovação: 48% desaprovam a gestão e 47% aprovam, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado reduz para um ponto a diferença que era de nove pontos em abril e de três pontos em maio.
O movimento dá fôlego político ao presidente na largada da disputa de 2026, mas não elimina a divisão do país. Em março, 51% desaprovavam e 44% aprovavam o governo. Em abril, a desaprovação subiu para 52% e a aprovação ficou em 43%. Em maio, o placar foi de 49% a 46%. Em junho, a fotografia mudou para 48% a 47%.
A leitura fria dos números mostra recuperação gradual, não virada consolidada. A margem de erro impede tratar a aprovação como vantagem, mas a sequência de três meses indica redução do desgaste presidencial.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a melhora combina três fatores: os efeitos da isenção do Imposto de Renda, o novo Desenrola e o aumento da circulação de notícias positivas sobre o governo. A pesquisa aponta que 40% dos eleitores dizem ter ouvido mais notícias negativas do que positivas sobre Lula, índice que era de 48% em abril e 43% em maio. Já os que relatam ter ouvido mais notícias positivas chegaram a 34%, contra 23% em abril e 32% em maio.
O dado mais relevante para 2026 aparece entre os independentes, grupo que não se declara nem de esquerda, nem de direita, nem lulista, nem bolsonarista. A desaprovação nesse segmento caiu de 58% em abril para 52% em maio e 47% em junho. A aprovação subiu de 32% em abril para 37% em maio e 41% agora.
Esse eleitorado corresponde a cerca de um terço do país, segundo a Quaest, e costuma decidir eleições apertadas. Para Lula, a melhora entre independentes reduz o isolamento fora da base petista. Para a oposição, o sinal amarelo é a perda de vantagem justamente no campo menos ideológico.
Entre as mulheres, Lula tem 49% de aprovação e 44% de desaprovação. Entre os homens, o quadro se inverte: 53% desaprovam e 44% aprovam. O recorte confirma que o voto feminino segue como ativo eleitoral do presidente, enquanto o eleitorado masculino permanece mais resistente ao governo.
Entre jovens de 16 a 34 anos, a desaprovação caiu de 55% em maio para 50% em junho. A aprovação subiu de 41% para 43%. O avanço é pequeno, mas ocorre em uma faixa sensível à renda, emprego, preço dos alimentos, dívida familiar e comunicação digital.
No eleitorado evangélico, Lula continua enfrentando seu maior bloqueio religioso. A desaprovação é de 60% e a aprovação, de 35%. A diferença de 25 pontos ainda é alta, embora menor que a distância de 40 pontos registrada em abril.
O Nordeste mantém o melhor desempenho do presidente, com 61% de aprovação e 34% de desaprovação. No Sudeste, a desaprovação caiu de 54% para 51%, enquanto a aprovação subiu de 40% para 43%. A distância, que era de 14 pontos, agora é de oito.
O Sul segue como território mais hostil ao governo Lula. Na região que inclui o Paraná, 63% desaprovam e 33% aprovam a gestão. Em maio, eram 61% de desaprovação e 35% de aprovação. O número mostra que a recuperação nacional ainda não atravessou a muralha política do Sul, onde o bolsonarismo, o antipetismo e a pauta econômica liberal têm maior densidade eleitoral.
No Centro-Oeste e Norte, 50% desaprovam e 44% aprovam. O recorte indica melhora em relação a abril, quando a desaprovação estava em 58% e a aprovação em 36%.
Por escolaridade, Lula tem melhor desempenho entre eleitores com ensino fundamental: 58% aprovam e 38% desaprovam. No ensino médio, 53% desaprovam e 41% aprovam. No ensino superior, 57% desaprovam e 37% aprovam.
Por renda, o governo é aprovado por 59% dos eleitores que vivem com até dois salários mínimos e desaprovado por 36%. Entre quem ganha mais de dois a cinco salários mínimos, 48% desaprovam e 46% aprovam. Acima de cinco salários mínimos, a desaprovação chega a 60%, contra 35% de aprovação.
Na avaliação geral do governo, 38% consideram a gestão negativa, 34% positiva e 26% regular. Em abril, a avaliação negativa era de 42% e a positiva, de 31%. A melhora existe, mas o governo ainda opera com avaliação negativa numericamente à frente da positiva.
A Quaest também mediu a percepção sobre medidas anunciadas pelo governo. As ações para reduzir o preço dos combustíveis são conhecidas e aprovadas por 53% dos entrevistados. O fim da chamada “taxa das blusinhas” tem aprovação de 45%. Já o programa Brasil contra o Crime Organizado ainda não chegou a metade do eleitorado: 50% afirmaram não saber da iniciativa.
A pesquisa mostra que Lula recuperou terreno, principalmente entre independentes, evangélicos e eleitores do Sudeste, mas ainda enfrenta rejeição forte entre homens, eleitores de maior renda, ensino superior e moradores do Sul. Para o Paraná, o dado central é político: o governo melhora no Brasil, mas continua tendo de furar uma barreira regional que será explorada por Sergio Moro (PL), Ratinho Junior (PSD), Paulo Martins (Novo), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e demais vozes da direita no estado.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.
O resultado não encerra a disputa política. Ele mostra que Lula deixou de sangrar no ritmo de abril e voltou a disputar o centro do eleitorado. Para a oposição, a notícia ruim é a melhora entre independentes. Para o governo, a trava continua no Sul, na renda mais alta, no eleitorado masculino e entre evangélicos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




