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Lula lidera no 1° turno, Flávio Bolsonaro encosta no 2º

O presidente Lula (PT) abriu cinco pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno da pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (27), mas o 2º turno segue travado: 46% para o petista, 45% para o filho de Jair Bolsonaro, empate técnico dentro da margem de erro.

O dado corta a euforia dos dois lados.

Lula lidera a largada, mantém a dianteira no campo popular e chega a abril com palanques mais organizados do que a direita. Ainda assim, a pesquisa mostra que a eleição não se resolve só na montagem estadual.

O PT já vende a tese de que tem cerca de 90% da campanha de Lula estruturada nos estados. A pesquisa Nexus coloca a consequência incômoda sobre a mesa: palanque ajuda, mas não liquida um 2º turno apertado.

No cenário com oito nomes, Lula aparece com 41%. Flávio Bolsonaro marca 36%. Romeu Zema tem 4%, Ronaldo Caiado soma 3%, Renan Santos aparece com 3%, Augusto Cury tem 2%, Aldo Rebelo e Cabo Daciolo registram 1%.

O Sul, tratado pela direita como trincheira bolsonarista, também mandou aviso. Flávio Bolsonaro aparece com 42%, mas Lula chega a 40%, diferença de dois pontos num recorte regional que impede qualquer canto de vitória antecipado.

Na sequência vêm Romeu Zema, com 5%, Ronaldo Caiado, com 3%, e Renan Santos, com 2%.

A margem de Lula no 1º turno é real, mas não confortável.

Flávio Bolsonaro já ocupa o lugar de herdeiro eleitoral do bolsonarismo. Não é mais apenas o sobrenome do pai na urna. A pesquisa mostra um candidato capaz de chegar ao 2º turno colado no presidente.

O problema de Flávio está fora da bolha mais fiel da direita.

Entre as mulheres, Lula tem 45%, contra 31% de Flávio Bolsonaro no 1º turno. Entre os homens, Flávio lidera por 42% a 36%. A diferença mostra onde a campanha bolsonarista ainda sangra: voto feminino segue sendo uma barreira concreta.

A renda também pesa contra o PL.

Entre eleitores com renda de até 1 salário mínimo, Lula tem 53%, contra 25% de Flávio Bolsonaro no 1º turno. No 2º turno, o recorte social mais forte aparece entre beneficiários do Bolsa Família ou pessoas que moram com beneficiários: Lula marca 65%, contra 29% de Flávio.

O retrato regional confirma a velha fratura do país.

No 1º turno, Lula lidera no Nordeste por 54% a 30%. Flávio Bolsonaro fica à frente no Norte e Centro-Oeste por 42% a 33%, no Sudeste por 37% a 36% e no Sul por 42% a 40%. O mapa mostra uma eleição nacionalmente dividida.

A rejeição ajuda a explicar o nó.

Segundo a pesquisa, Lula tem 48% de rejeição. Flávio Bolsonaro também tem 48%. O empate no desgaste limita a capacidade dos dois de crescerem sem buscar voto fora do próprio campo.

Há outro dado ruim para o Planalto.

Entre eleitores que votaram nas duas últimas eleições presidenciais, em 2018 e 2022, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no 1º turno cai de cinco para três pontos. O próprio caderno da Nexus aponta que a abstenção pode ser risco para a campanha petista.

Esse é o alerta para o governo.

A campanha de Lula pode até estar montada em quase todos os estados, mas precisa transformar palanque em voto, renda em conversa direta e defesa da democracia em maioria social. Organização partidária não substitui disputa diária por mulheres, evangélicos, trabalhadores informais e classe média baixa.

Também é o alerta para Flávio Bolsonaro.

Ele herda o eleitorado do pai, mas carrega o mesmo teto de rejeição. Para vencer Lula, precisa falar com centro, mulheres e baixa renda sem romper com o bolsonarismo que o sustenta. Essa conta ainda não fecha.

A pesquisa BTG Pactual/Nexus foi feita por telefone entre sexta-feira (24) e domingo (26). A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-01075/2026. O caderno informa 2.028 entrevistas na apresentação e 2.000 eleitores na metodologia.

O quadro de abril não autoriza festa no PT nem salto alto no PL. Lula lidera, mas o 2º turno no fio obriga o governo a tratar 2026 como eleição dura desde agora.

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