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Direita rachada abre chance para Gleisi no Senado do PR

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) aparece na pesquisa Quaest/Genial com uma chance objetiva na disputa pelas duas vagas ao Senado no Paraná: a direita e a centro-direita dividem votos entre Alvaro Dias (MDB), Deltan Dallagnol(Novo), Filipe Barros (PL), Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD), enquanto o campo lulista tende a concentrar força em um só nome.

A eleição de 2026 terá duas vagas para o Senado por estado. Serão renovadas 54 cadeiras no país, duas por unidade da federação e duas pelo Distrito Federal.

Esse detalhe muda a leitura da pesquisa.

No Senado, o eleitor vota duas vezes. Por isso, a Quaest apresentou a combinação dos votos totais, além do 1º voto e do 2º voto. O número combinado não deve ser lido como se fosse uma eleição de vaga única.

O exemplo de Alvaro Dias (MDB) mostra a conta. No Cenário I, ele aparece com 16% na combinação dos votos totais, resultado de 18% no 1º voto e 14% no 2º voto. A média dos dois números dá 16%.

Essa aritmética impede uma leitura apressada de “liderança isolada”. Alvaro está numericamente à frente, mas a segunda vaga está embolada.

No Cenário I, Alvaro tem 16%, Deltan Dallagnol aparece com 13%, Filipe Barros, Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann têm 10% cada. Cristina Graeml marca 4%.

A fotografia é de canibalização.

Deltan, Filipe, Curi, Cristina, Pedro Lupion (Republicanos), Luiz Carlos Hauly (Podemos) e Roseane Ferreira (PV) disputam áreas parecidas do eleitorado conservador, governista, bolsonarista ou antipetista.

Gleisi disputa outro tipo de voto. Ela concentra a esquerda, carrega o lulismo e tem menos concorrência direta no próprio campo.

O caderno da Quaest mostra esse desenho com nitidez. Na pergunta sobre o perfil desejado para os próximos senadores, 18% preferem nomes ligados ao presidente Lula (PT), 32% querem nomes ligados a Jair Bolsonaro (PL) e 47% preferem independentes.

O dado é duro para o PT, porque o Paraná segue inclinado à direita. Mas também abre uma avenida: o maior bloco não se declara nem lulista nem bolsonarista.

A chance de Gleisi passa por esse miolo.

Se a direita chegar dividida, uma candidatura de esquerda com voto disciplinado pode atravessar a disputa pela segunda cadeira. O Senado não premia apenas o primeiro colocado. Premia os dois mais votados.

A Quaest também mostra que Gleisi tem desempenho mais concentrado nos segmentos de esquerda. Nos recortes por posicionamento político, ela cresce entre lulistas e eleitores de esquerda não lulista, enquanto perde força na direita e no bolsonarismo.

Gleisi tende a capturar quase todo o voto lulista e boa parte da esquerda não lulista. No recorte por posicionamento político, ela chega a 26% entre lulistas no Cenário I e a 27% entre eleitores de esquerda não lulista. Em outros cenários, sobe para 31% nesses dois segmentos.

Esse é o teto e o piso da candidatura.

O piso é o voto lulista organizado. O teto depende de independentes, de um eventual voto casado com Lula e da incapacidade da direita de montar uma dobradinha eficiente.

A direita sabe disso.

Alvaro carrega memória eleitoral, Deltan tem voto lavajatista, Filipe disputa o bolsonarismo puro, Curi tenta se apresentar como nome de estrutura estadual, Cristina fala com a direita de redes. Cada um tira oxigênio do outro.

Para Gleisi, a eleição fica mais viável quando esse campo chega em pedaços.

O risco para a petista é a direita produzir voto útil. Se Alvaro e Deltan, ou Deltan e Filipe, virarem uma dobradinha informal no eleitorado conservador, a janela fecha.

A errata da Quaest sobre Alexandre Curi também pesa no ambiente da pesquisa. O caderno informa que o questionário registrou Curi como filiado ao PSD, quando o correto é Republicanos, em razão da troca partidária ocorrida em abril.

Partido importa no Senado.

Num estado onde o eleitorado usa legenda, campo político e padrinho eleitoral como atalhos, uma identificação partidária errada pode interferir na leitura de parte das respostas. A Quaest reconheceu o problema e registrou a correção.

A disputa, portanto, não está resolvida.

Alvaro e Deltan aparecem à frente nas simulações divulgadas, como já registrou mais cedo o Blog do Esmael ao publicar a Quaest/Genial.

Mas a eleição com duas vagas transforma a briga pelo segundo posto em outra corrida.

Gleisi não lidera. Também não está fora do jogo.

A combinação entre esquerda concentrada, direita pulverizada e segundo voto ainda pouco consolidado coloca a petista no radar real da disputa.

O Paraná segue adverso ao lulismo, mas a matemática do Senado cobra menos hegemonia e mais sobrevivência no pelotão da frente. Se a direita continuar se devorando, Gleisi pode transformar 10% ou 11% de largada em disputa concreta pela segunda cadeira.

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