Republicanos lança Alexandre Curi ao governo do Paraná

O Republicanos decidiu entrar para valer no jogo paranaense de 2026. Na manhã desta quarta 29, em Brasília, o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, lançou o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, como pré-candidato ao governo do estado.

O gesto foi público e calculado. Na plateia, os ex-prefeitos Rafael Greca, do PSD, e Beto Richa, do PSDB, puxaram aplausos ao nome de Curi, sinalizando alinhamento de setores tradicionais do Paraná e reforçando que o parlamentar circula com desenvoltura entre grupos políticos distintos.

Curi está filiado ao PSD, mas o Republicanos demonstrou que o presidente da ALEP entrou definitivamente em seus horizontes. O movimento mostra que o partido quer protagonismo no Sul e pretende consolidar posição estratégica no tabuleiro estadual, onde a direita se reorganiza e as forças governistas miram sucessão pactuada.

O encontro serviu de pretexto para filiar o deputado federal Pedro Lupion, egresso do PP. A sigla espera ampliar sua bancada até abril, quando se abre a janela partidária. Lupion assumiu a presidência estadual do Republicanos no Paraná e Rodrigo Curi, irmão do presidente da ALEP, tornou-se vice-presidente da agremiação.

Em sua fala, enquanto fitava os olhos de Alexandre Curi e Rafael Greca, o deputado Pedro Lupion previu que o “próximo governador do Paraná” já estava naquela seleta plateia.

A engenharia política reforça que não há ruptura com Ratinho Jr. Pelo contrário, o Republicanos integra o governo estadual e a base do governo federal, atuando como ponte institucional entre Curitiba, Brasília e diversos setores econômicos.

Nos bastidores, a movimentação foi lida como fortalecimento de um bloco que reúne líderes do agronegócio, da infraestrutura e da construção civil. Ao mesmo tempo, projeta Curi como peça nacional em meio ao degelo entre Lula e Trump e a reconfiguração do cenário econômico e político.

O lançamento provoca reações no campo progressista, onde o PT articula uma frente estadual com apoio do presidente Lula, da ministra Gleisi Hoffmann e do presidente da Itaipu, Enio Verri. Há disputa pela narrativa e pela linha de sucessão ao Palácio Iguaçu.

Para aliados, o anúncio de Marcos Pereira é teste de musculatura e vitrine para atrair quadros antes da janela partidária, mirando quociente robusto e base regional sólida. Para rivais, o recado é que o Republicanos pretende ser protagonista na sucessão de Ratinho Jr, sem se limitar a papel coadjuvante.

O Paraná, mais uma vez, consolida-se como laboratório político. E o tabuleiro ganhou peça pesada, com amplitude suficiente para dialogar com o governador, com Brasília e com a elite econômica local.

O jogo recomeçou.

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Lupion, Pereira e Curi no encontro do Republicanos. Foto: reprodução/IG