Presidente Bolsonaro sinaliza desistência da reeleição de 2022; a exemplo de Collor de Mello, Bolsonaro já sofreu impeachment moral em 2022

Presidente Bolsonaro sinaliza desistência da reeleição de 2022

A empatia do presidente Jair Bolsonaro (PL) com o sofrimento do povo baiano, que literalmente está morrendo afogado pelo excesso de chuvas, pode dizer muito mais do que a vã filosofia pode explicar: sinaliza que o mandatário desistiu da reeleição em 2022 –não formalmente, por óbvio.

Bolsonaro perde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pode vencer já no primeiro turno, de acordo com todas as pesquisas de intenção de votos. A desistência de concorrer pode cair bem ao atual inquilino do Palácio do Planalto, ante a iminente derrota nas urnas.

Em férias em São Francisco do Sul, litoral de Santa Catarina, o presidente da República mostra indiferença com a Bahia submersa e pelos nordestinos. Ele é mal avaliado nos estados do Nordeste e é nessa região que Lula está mais à frente das pesquisas.

Em Santa Catarina, Bolsonaro pesca, faz passeios de jet ski, enquanto não chega o feriado de Réveillon. “Espero não ter de retornar antes”, disse ele, cruzando os dedos e batendo na madeira.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), comunicou nesta terça-feira (28/12) que as enchentes já deixaram pelo menos 21 mortos e milhares de desabrigados no estado.

Nas redes sociais, Bolsonaro é duramente criticado e xingado de “vagabundo” porque curte férias em Santa Catarina ao mesmo tempo que a Bahia se afoga nas chuvas.

Em vários momentos, ao logo deste conturbado ano de 2021, Jair Bolsonaro falou em não concorrer nas eleições de 2022.

Em julho passado, por exemplo, o presidente insinuou que não disputaria se voto não fosse impresso –assunto já superado pelo TSE e os partidos políticos [a votação será 100% eletrônica]. No mês de outubro, Bolsonaro voltou a dizer que não sabe se concorreria a um novo mandato ao falar sobre fake news e uso das redes sociais nas eleições.

Mas, suponhamos que Bolsonaro realmente desista da reeleição. Quem herdaria seus votos? O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ou o suspeito ex-juiz Sergio Moro (Podemos). O candidato do PDT, Ciro Gomes, ou esses votos viriam para Lula consolidar a vitória no primeiro turno com votação consagradora?

O fato é que Jair Bolsonaro age como se não fosse presidente da República, como se não gostasse da ofício, embora goste bastante das mordomias do cargo e do cartão corporativo.

Bolsonaro é cada vez menos candidato em 2022. Ele sabe que é mais fácil o Saci-Pererê cruzar as pernas do que ele vencer a disputa presidencial do ano que vem.

Sobre as chuvas na Bahia

Até o momento, o número de pessoas na Bahia afetadas pelas chuvas se aproxima de 500 mil, em especial moradores do sudoeste, sul e extremo sul do estado. Na segunda-feira (27/12), o estado contabilizava mais de 31.405 desabrigados e 31.391 desalojados, de acordo com dados enviados pelas prefeituras e divulgados pela Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec). O total de municípios afetados chega a 116, sendo que 100 já decretaram situação de emergência. Pelo menos 21 pessoas morreram.