O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), nesta segunda-feira (17/6), enviou um ofício à Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) solicitando autorização para se ausentar do país entre os dias 26 de junho e 16 de julho. Esta solicitação ocorre logo após a controversa aprovação do projeto que autoriza a privatização das escolas públicas no estado.
No início deste mês, a ALEP aprovou um projeto de lei proposto pelo Palácio Iguaçu que permite a privatização das escolas públicas no Paraná. Este projeto, que gerou grande debate e oposição entre educadores, pais e sindicatos, foi visto por muitos como um golpe na educação pública e um favorecimento ao setor privado.
A aprovação do projeto foi interpretada por muitos analistas políticos como uma “Vitória de Pirro” para Ratinho Junior. Embora tenha conseguido aprovar a medida, o custo político e o desgaste com diversos setores da sociedade foram altos. A medida enfrenta resistência significativa e pode ter consequências nas urnas e na opinião pública.
A ausência de Ratinho Junior por 22 dias levanta questões sobre a gestão do estado durante esse período, especialmente em um momento de definições políticas importantes. Além da polêmica da privatização, o governador estará ausente nas vésperas da definição do vice na chapa de Eduardo Pimentel (PSD).
A escolha do vice na chapa de Eduardo Pimentel é uma decisão estratégica importante. Dois nomes são fortemente cogitados: o ex-deputado Paulo Martins (PL), que conta com o apoio de Ratinho Junior, e a ex-secretária municipal de Meio Ambiente, Marilza Dias (Republicanos), pupila do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD).
Paulo Martins, ex-deputado federal, é visto como uma escolha para manter uma aliança com a direita bolsonarista. Dileto amigo de Ratinho Junior, o político do PL seria uma espécie de “garante” de que a Prefeitura de Curitiba não seria utilizada contra as aspirações do governador nas eleições de 2026.
Marilza Dias, por outro lado, representa uma aliança estratégica com Rafael Greca, atual prefeito de Curitiba. Sua escolha poderia deixar o prefeito na pista para concorrer uma das duas vagas ao Senado ou ao própio Palácio Iguaçu em 2026.
A privatização das escolas públicas no Paraná é um tema que toca diretamente na qualidade da educação oferecida às crianças e jovens do estado. A medida pode alterar significativamente o panorama educacional, transferindo a gestão e operação das escolas para empresas privadas. Esse movimento é visto por muitos como um risco à equidade e à qualidade da educação pública.
Desde a aprovação do projeto, diversos grupos e entidades se mobilizaram em protesto contra a privatização. Manifestações foram organizadas por sindicatos de professores, associações de pais e estudantes, que argumentam que a medida pode levar a uma deterioração da qualidade do ensino e aumentar a desigualdade educacional – além da precarização do trabalho de educadores.
A questão agora é observar como a privatização será implementada e quais serão seus efeitos reais na educação do estado. As próximas semanas e meses serão decisivos para avaliar o impacto desta medida e como ela será recebida pela população.
A solicitação de Ratinho Junior para se ausentar do país por quase um mês, logo após a aprovação de uma medida tão controversa, coloca o Paraná em um período de incertezas. O inquilino do Palácio Iguaçu não informou quais países pretende visitar entre os dias 26 de junho e 16 de julho [durante 20 dias].
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




