Eduardo Bolsonaro chama polícia contra Intercept no BolsoMaster

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acionou a polícia dos Estados Unidos após um repórter do Intercept Brasil ir até a casa onde ele mora no Texas, em episódio divulgado neste sábado (23) que empurra o caso BolsoMaster de volta para o centro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Eduardo afirmou ter registrado boletim de ocorrência e enviado imagens do jornalista às autoridades locais. Na mesma publicação, disse ter se sentido ameaçado e mencionou o ambiente armado do Texas, frase que elevou a temperatura política do caso.

O filho zero três do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também tentou associar o portal ao Primeiro Comando da Capital (PCC), sem apresentar prova pública dessa ligação. A acusação desloca o foco do ponto central: o Intercept está apurando as conexões entre o clã Bolsonaro, o filme Dark Horse e o dinheiro ligado a Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A reação de Eduardo não prova que uma nova reportagem será publicada. Mas, politicamente, mostra que a apuração encostou no trecho mais sensível do caso: os Estados Unidos, o fundo no Texas e o papel atribuído ao filho 03 de Jair Bolsonaro na engrenagem financeira do filme.

O Intercept publicou em 13 de maio que Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro. A reportagem citou diálogos, comprovante de ordem de pagamento de US$ 2 milhões e uma tabela de valores, além de afirmar que parte do dinheiro foi transferida para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo.

Dois dias depois, o mesmo veículo afirmou que Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo de Dark Horse, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo contrato e diálogos obtidos pela reportagem. A defesa de Mario Frias negou que Eduardo tenha exercido essa função ou recebido dinheiro do fundo.

É esse encadeamento que faz a visita de um repórter ao endereço de Eduardo nos Estados Unidos ter peso político. O episódio não aparece isolado. Ele ocorre depois de reportagens que tiraram o caso do terreno da fofoca eleitoral e o colocaram no caminho do dinheiro, dos contratos e da estrutura montada fora do Brasil.

Flávio Bolsonaro já havia negado a informação quando foi questionado pelo repórter Thalys Alcântara, do Intercept, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois, o portal divulgou áudios e mensagens que colocaram o senador em contato direto com Vorcaro.

A direita tenta transformar o repórter em personagem para escapar da pergunta principal: por que um banqueiro no centro do caso Master aparece, segundo o Intercept, ligado ao financiamento de um filme destinado a fortalecer a memória política de Jair Bolsonaro antes da eleição de 2026.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro voltou para cima do telhado porque o dano já apareceu na pesquisa. O Datafolha divulgado na sexta-feira (22) mostrou Lula (PT) à frente do senador em eventual segundo turno, por 47% a 43%, depois de levantamento anterior registrar empate entre os dois.

A mesma rodada mostrou uma base bolsonarista ainda fiel: 88% dos eleitores de Flávio Bolsonaro defendem que ele continue na disputa mesmo após o caso Dark Horse. O problema está fora da trincheira, onde o escândalo pesa sobre independentes, aliados regionais e candidatos que dependem da marca Bolsonaro sem querer carregar a conta do Master.

No Paraná, o recado atinge a direita que se organiza para 2026. Quem esperava usar Flávio Bolsonaro como locomotiva presidencial agora precisa decidir se embarca no trem, se espera a próxima reportagem ou se começa a medir distância pública antes que o BolsoMaster vire custo de palanque.

A porta tocada no Texas virou imagem política de uma crise que ainda procura seu limite. Enquanto Eduardo Bolsonaro chama a polícia, o Intercept segue no rastro do dinheiro, e Flávio Bolsonaro descobre que bolha fiel não basta para vencer eleição nacional.

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