Na tarde deste domingo de Páscoa, dia 31 de março de 2024, a cidade de São Paulo será palco de um evento de suma importância: a Caminhada do Silêncio, um ato que marca a descomemoração dos 60 anos do golpe militar. Este evento, que será transmitido ao vivo pelo Blog do Esmael, em parceria com o site Holofote, inicia-se às 16 horas com um protesto no pátio do antigo DOI-Codi, situado na Rua Tutóia, 921, no bairro do Paraíso, zona sul de São Paulo.
O DOI-Codi, infame pela sua função como principal centro de tortura da ditadura militar no Brasil, foi palco de inúmeras atrocidades durante os Anos de Chumbo. Pelo menos 50 presos políticos foram mortos sob sua custódia, entre eles figuras emblemáticas como o estudante de Geologia da USP Alexandre Vannucchi Leme, em março de 1973, e o jornalista Vladimir Herzog, conhecido como Vlado, em outubro de 1975. Mesmo após o fim da ditadura, a história macabra do local persiste, com a 36ª Delegacia de Polícia ainda operando nas suas dependências.
Neste domingo, ex-presos políticos retornam ao espaço que um dia representou o ápice da repressão. Ao lado de representantes de diversos movimentos sociais, eles farão pronunciamentos críticos à ditadura militar e aos seus desdobramentos, que culminaram na tentativa de golpe ocorrida em 8 de janeiro do ano anterior.
Após o protesto inicial, a caminhada silenciosa terá início, seguindo em direção ao Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos. Localizado em frente ao Parque Ibirapuera, na Avenida Pedro Álvares Cabral, este monumento é um símbolo da luta pela justiça e pela memória das vítimas da ditadura.
“No Monumento, entoaremos os nomes das vítimas da violência do Estado, tanto do passado quanto do presente, e teremos uma apresentação musical com Tobias, da escola de samba Vai-Vai, que entoará o Canto das Três Raças”, adianta o historiador César Novelli, do Núcleo Memória, uma das entidades organizadoras da Caminhada do Silêncio.
É pedido aos participantes que levem flores e cartazes com fotos das vítimas da ditadura e também das vítimas da violência policial contemporânea. Além disso, destaca-se que o protesto também visa a responsabilização dos agentes estatais envolvidos em violações dos direitos humanos.
Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo e participante do evento, expressa sua confiança no sucesso da Caminhada do Silêncio: “Acredito que terá uma adesão maciça, diante da covardia do governo brasileiro. É na Semana Santa, que há mais de dois mil anos, os cristãos fazem um movimento de memória (que lembra a tortura e morte de Jesus), embora muitos papas tenham tentado obstaculizar essa homenagem.”
Este ato de descomemoração não apenas resgata a memória dos que foram vítimas da ditadura, mas também reafirma o compromisso com a justiça e a democracia, reiterando que o passado não pode ser esquecido e que as lutas por direitos humanos e liberdades civis são contínuas e necessárias.
Assistir ao vivo: Caminhada do Silêncio
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




