Em editoriais, Globo e Folha dão “beijo grego” na Lava Jato

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A Folha de S. Paulo, em editorial desta terça-feira (8), se diz contra o “beijo da morte” dado pela PGR na Lava Jato, mas, pelo visto, deseja um “beijo grego” na força-tarefa que era coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol.

Para o jornal paulistano, que na verdade é um banco, a Lava Jato tem que continuar como um braço político para atuar contra o PT, a volta de Lula à política e até contra o presidente Jair Bolsonaro.

Na prática, Lava Jato “boa” é aquela que funciona como “braço armado” da velha mídia corporativa –cheio de interesses econômicos e bastante associada aos dos bancos e especuladores.

Na mesma pegada, O Globo acusa o procurador-geral da República, Augusto Aras, de transformar o suposto desmonte da Lava Jato numa causa política e pessoal. Segundo o jornal dos Marinho, o PGR capitaneia uma estratégia de fragilização e retrocesso das ações anticorrupção. [Pausas para risos.]

O editorial do Globo não fala em nenhum momento sobre a delação de Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros’, que disse à Lava Jato do Rio de Janeiro que entregava grandes somas em dólar aos donos do grupo.

O editorial do Globo prossegue em ataques ao PGR dizendo que ele pretende dar o “beijo da morte” na força-tarefa cujo trabalho, segundo o jornal dos Marinho, é essencial ao combate à corrupção.

Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro acusa Globo e Folha de darem um “beijo grego” na força-tarefa Lava Jato.

O inquilino do Palácio do Planalto recomendou a Aras, caso haja prorrogação da força-tarefa Lava Jato no Paraná e noutras praças, que os procuradores comecem investigando as relações entre Messer e a Globo. Há evidências de evasão de divisas nessa relação entre o ‘doleiro dos doleiros’ e os donos da emissora de TV.

O Globo, assim como a Folha, não vê motivos para o fim da Lava Jato –desde que a força-tarefa se ocupe de seus adversários políticos e ideológicos, preservando os interesses econômicos da velha mídia corporativa associada ao capital vadio.

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    Houve o “não pronunciamento” do presidente Jair Bolsonaro neste 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil. Antes ficasse quieto.

    Bolsonaro não se solidarizou com as famílias dos 127 mil mortos pela covid-19, não se referiu à redução do auxílio emergencial para R$ 300 durante a pandemia, nem mencionou uma política para retirar 80 milhões de pessoas do desemprego.

    O presidente fez um um não pronunciamento pensando na caserna. Ele repetiu algum texto da extinta disciplina de “Moral e Cívica” da educação básica, coisa dos anos da Guerra Fria [quando ainda existia a União Soviética].

    O presidente defendeu a ditadura militar, nos anos 60, quando, segundo ele, a “sombra do comunismo” ameaçou.

    Bolsonaro disse que o País era tomado pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada.

    “O sangue brasileiro sempre foi derramado pela liberdade”, discursou.

    Resumo da ópera: o não pronunciamento de Jair Bolsonaro foi um fiasco se comparado ao do ex-presidente Lula.

    Assista ao vídeo: