Silas Malafaia é recebido hoje por Jair Bolsonaro em meio à guerra com o grupo Anonymous

O pastor Silas Malafaia, presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB), será recebido às 15 horas desta sexta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O encontro previsto na agenda presidencial será no Palácio do Planalto.

Bolsonaro disse na live desta quinta (4) à noite que evangélicos irão encontrá-lo daqui a pouco para orar pelo governo e pela recuperação na economia.

O religioso teve os dados vazados no final da noite de ontem pelo grupo Anonymous, que o acusa de receber supostas doações sem fazer os repasses à igreja.

“Você já foi um pastor… mas agora suas ovelhas vão ver que você era um lobo”, diz uma conta no Twitter vinculada ao Anonymous.

A conta AnOnCyber mostra ao menos cinco transferências dinheiro para a conta de Malafaia, via PagSeguro, ao invés de ser destinado às igrejas.

Malafaia é da igreja Assembleia de Deus em Cristo. Em resposta ao grupo, ele os xingou de “canalhas” e “esquerdopatas”. “Em nome de Jesus, vocês serão descobertos”, reagiu gritando (em letras garrafais).

O diabo é que, além de Malafaia, o grupo também mirou no presidente Jair Bolsonaro e em seus familiares. Esta semana, de acordo com o registro deste Blog do Esmael, o Anonymous Brasil prometeu “bomba” contra Jair Bolsonaro. “Nos aguarde”, pediu.

Durante a transmissão de ontem, o presidente da República xingou os manifestantes “Antifas”, que irão às ruas no domingo (7), de marginais, maconheiros, black blocs, dentre outros adjetivos.

Bolsonaro disse ainda que o protesto terá como objetivo promover a violência e o vandalismo. Ele chegou a citar o quebra-quebra em Curitiba, na terça, com forte repressão da Polícia Militar.

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Oposição e Bolsonaro se unem contra manifestações “Antifas” deste domingo, por motivos diferentes

O presidente Jair Bolsonaro e os partidos de oposição no Senado –Rede Sustentabilidade, PSB, PT, PDT, Cidadania, e do líder do PSD– se “uniram”, por motivos diferentes, contra as manifestações “Antifas” programadas para este domingo (7) em todo o País.

Preocupado com o alastramento dos protestos contra seu governo, Bolsonaro implorou na live desta quinta-feira (4) que as pessoas não irem nas manifestações no domingo.

“Não compareça nesse movimento, bando de marginais, não tem nada a oferecer. Querem o confronto. Em Curitiba teve quebra-quebra, na verdade black blocs, queimaram a bandeira”, disparou o presidente, com o semblante preocupado.

Temendo que a manifestação “Antifas” questione o desastre na economia, Bolsonaro apelou diversas vezes durante a transmissão de hoje: “Mais uma vez, não compareça domingo [na manifestação]. Esse pessoal, Antifas, novo nome dos black blocs querem roubar a sua liberdade.”

Já os líderes oposicionistas no Senado assinaram uma carta pedindo o cancelamento da manifestação antifascista em virtude da pandemia do coronavírus, que já matou mais de 32,5 mil pessoas no Brasil.

Apesar de a oposição no Senado “afrouxar a tanga”, inclusive a liderança petista, a direção nacional do PT divulgou nota hoje em solidariedade aos “atos legítimos e pacíficos”, orientando os participantes que redobrem os cuidados, usando máscaras para evitar contágio, mantendo distância e não entrando em provocações.

Abaixo, leia a íntegra da nota da oposição no Senado:

Os líderes dos diferentes partidos do Senado Federal, a saber a Rede Sustentabilidade, o PSB, o PDT, o Cidadania, o PSD e o PT, vem através desta nota desencorajar os brasileiros que, acertadamente, fazem oposição ao Sr. Jair Bolsonaro a irem às ruas nesse próximo domingo.

Nosso pedido parte da avaliação de que, não tendo o país ainda superado a pandemia, que agora avança em direção ao Brasil profundo, saindo das capitais e agravando nos interiores, precisamos redobrar os cuidados sanitários e ampliar a comunicação com a sociedade em prol do distanciamento social.

Bem certo que a organização de setores da sociedade aqueceu nossos corações de esperança, na certeza de que o Brasil já identificou que a política da presidência da república tem sido devastadora ao país e aliada do Coronavírus. Adiaremos à ida às ruas, pelo bem da população, até que possamos, sem riscos, ocupá-las, em prol da população.

Ademais, observando a escalada autoritária do governo federal, devemos preservar a vida e segurança dos brasileiros, não dando ao governo aquilo que ele exatamente deseja, o ambiente para atitudes arbitrárias.

Entendemos, portanto, que ainda não é o momento, em respeito às famílias de vítimas do Coronavírus e também daqueles que até hoje tem respeitado e com razões, baseado nos melhores estudos científicos, o isolamento como a melhor alternativa de combate à Covid-19. Continuaremos firmes na oposição das mais diversas formas que a situação pandêmica nos permite.

Assinam,

  • Randolfe Rodrigues, líder da Oposição e da Rede Sustentabilidade do Senado Federal;
  • Eliziane Gama, líder do Cidadania no Senado Federal;
  • Weverton Rocha, líder do PDT no Senado Federal;
  • Jaques Wagner, vice-líder do PT no Senado Federal;
  • Veneziano Vital do Rego, líder do PSB no Senado Federal; e
  • Otto Alencar, líder do PSD no Senado Federal.