Depois do coronavírus vem o dilúvio na economia

“E durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as águas e levantaram a arca, e ela se elevou sobre a terra.” (Gênesis 7:17)

Economistas sérios veem o final dos tempos após a pandemia, um verdadeiro dilúvio na economia brasileira depois dessa tempestade do coronavírus. As pesquisas junto aos consumidores também corroboram a tese do juízo final.

Para quem não está habituado aos termos bíblicos, dilúvio é uma narrativa do Gênesis cujo mito retrata uma grande inundação, geralmente enviada por uma divindade, que destrói a civilização em um ato de retribuição.

A retração na economia, no pós-coronavírus, pode ter proporções bíblicas. Os agentes econômicos já falam em queda de 15% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, ainda com possibilidade de ser maior ainda o tombo para este ano de 2020.

Para usar um termo da moda nesses tempos de pandemia, a economia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro Paulo Guedes já vinha com “comorbidades” antes do coronavírus. Ou seja, o estrago do vírus no organismo do “paciente” foi potencializado pelo desemprego, recessão, aumento de miséria preexistentes.

De acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), três em cada quatro consumidores vão manter nível reduzido de consumo no pós-pandemia.

A perda total ou em parte da renda mensal já atingiu 40% dos brasileiros e 77% dos que estão no mercado de trabalho têm medo de perder o emprego, segundo o levantamento divulgado nesta quinta-feira (7).

O medo de perder o emprego e a intenção de manter reduzido o nível de consumo no cenário pós-coronavírus podem dificultar a retomada da economia.

A pesquisa da CNI revela que praticamente metade dos trabalhadores (48%) tem medo grande de perder o emprego. Somado ao percentual daqueles que têm medo médio (19%) ou pequeno (10%), o índice chega a 77%.

Muitos dos entrevistados já sentiram o efeito da crise no bolso. Do total de entrevistados, 23% já perderam totalmente a renda, e outros 17% tiveram redução no ganho mensal. Isso significa dizer que quatro em cada 10 brasileiros acima de 16 anos perderam poder de compra desde o início da pandemia.

A pesquisa da CNI, encomendada ao Instituto FSB Pesquisa, mostra que o impacto na renda e o medo do desemprego levaram 77% dos consumidores a reduzirem, durante este atual período de isolamento social na maioria dos estados brasileiros, o consumo de pelo menos um de 15 produtos testados. Apenas 23% dos entrevistados não reduziram em nada suas compras, na comparação com o hábito anterior à pandemia.

Perguntada sobre como pretende se comportar no futuro, a maioria dos brasileiros (percentuais que variam de 50% a 72%) planeja manter no pós-Covid o nível de consumo adotado durante o isolamento, o que pode indicar que as pessoas não estão dispostas a retomar o mesmo patamar de compras que tinham antes. Mas alguns segmentos podem ter uma volta mais acelerada. Ao todo, 46% dos brasileiros pretendem aumentar o consumo de, pelo menos, cinco itens do total de 15 testados após o fim do isolamento social. No total, 57% pretendem aumentar o patamar de consumo de ao menos um item, enquanto 44% afirmam que não aumentarão o nível de gasto com nenhum dos itens pesquisados.

“Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte, e com o inferno fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos.” (Isaías 28:15)

Maioria dos brasileiros mantém apoio ao isolamento social

Apesar das perdas econômicas, os dados mostram que a população brasileira segue favorável ao isolamento social (86%) e quase todo mundo (93%) mudou sua rotina durante o período de isolamento, em diferentes graus. No cenário pós-pandemia, só 30% dos brasileiros falam em voltar a uma rotina igual à que tinham antes. Sobre o retorno ao trabalho após o fim do isolamento social, a maior parte dos trabalhadores formais e informais (43%) afirma sentir-se segura, enquanto 39% se dizem mais ou menos seguros e apenas 18%, inseguros.

“As atenções dos governos, das empresas e da sociedade devem estar voltadas, prioritariamente, para preservar vidas. Entretanto, é crucial que nos preocupemos também com a sobrevivência das empresas e com a manutenção dos empregos. É preciso estabelecer uma estratégia consistente para que, no momento oportuno, seja possível promover uma retomada segura e gradativa das atividades empresariais”, comentou Robson Braga de Andrade.

Pandemia agrava endividamento da população

Um dado preocupante apontado pela pesquisa é o endividamento, que atinge mais da metade da população (53%). O percentual é a soma dos 38% que já estavam endividados antes da pandemia e os 15% que contraíram dívidas nos últimos 40 dias, período que coincide com o início do isolamento social. E, dentre quem tem dívida, 40% afirmam que já estão com algum pagamento em atraso, sendo que a maioria destes (57%) passou a atrasar suas parcelas nos últimos 40 dias. De maneira geral, 9 em cada 10 entrevistados consideram grandes os impactos da pandemia de coronavírus na economia brasileira.

O levantamento foi realizado pelo Instituto FSB Pesquisa com 2.005 pessoas de todas as Unidades da Federação entre os dias 02 e 04 de maio e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Em virtude do próprio isolamento social, as entrevistas foram realizadas por telefones fixos e móveis, em amostra representativa da população brasileira a partir de 16 anos.

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Mídia corporativa desafina, mas continua com Bolsonaro

A velha mídia corporativa começou a desafinar depois de vários “calabocas” ordenados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), um homem despreparado para o cargo, mas muito útil para banqueiros, especuladores e a burguesia tocarem seu projeto neoliberal, isto é, reduzir o Estado para a maioria da sociedade e maximizar a teta para meia dúzia de espertalhões da República.

A capa do jornal Extra, do grupo Globo, ironiza de forma fantástica ao dizer que o prato predileto de Bolsonaro é “PF do Rio”, numa referência ao depoimento do ex-ministro Sérgio Moro que delatou o presidente.

Moro disse aos delegados da Superintendência da Polícia Federal, no sábado, acerca de mensagem que recebeu do presidente Bolsonaro cujo trecho reproduzimos: “QUE a mensagem tinha, mais ou menos o seguinte teor: “Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

A revista “piauí”, na Folha, também chuta dos “países baixos” de Bolsonaro ao trazer na capa o “Coiso” beijando a caveira da morte nessa discussão sobre a pandemia do coronavírus. A publicação distribuída pela Abril pertence a João Moreira Salles, herdeiro de fortuna oriunda do sistema financeiro.

Note caríssimo leitor que a velha mídia corporativa desafina, mas, na essência, ela continua fechadíssima com Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes. Ou seja, as pautas diabólicas na economia seguem ferrando os trabalhadores e os pobres com o objetivo de salvaguardar os privilégios da minoria mais rica do País.

Nessa “guerra ao coronavírus”, pasme, o inimigo número um tem sido os servidores públicos –com congelamento de salários– e a sociedade em geral, que está sendo conduzida como gado para os ônibus superlotados e, consequentemente, ao matadouro.

A velha mídia corporativa ainda não diz nada sobre o tal “Orçamento de Guerra” –novamente contra o povo– que visa alienar ativos imóveis e participação em estatais, no valor de R$ 2 trilhões, destinando esse numerário para os gordos banqueiros a título de pagamento de juros e amortizações de uma suspeitíssima dívida interna que carecesse moratória e auditoria já.

Não, a mídia corporativa não discute esses temas. Prefere a superficialidade da disputa entre Bolsonaro e Moro. Quer fazer dessa desavença pelo poder uma novela para entreter a sociedade, mais uma vez, enquanto essas raposas do rabo felpudo vendem o Brasil, o “pai” e “mãe” –e os entrega.

A novela Moro x Bolsonaro e a espetacularização do avanço do coronavírus não só desinforma como também aliena os brasileiros de maneira incrível.

Portanto, as capas de “Extra” e “piauí” são bonitinhas e até mereceriam prêmio de design etc., mas esses veículos carecem de “verdade” e eles são apenas a “longa manus” dos jornalões que são financiados e associados a tudo que aí está, inclusive ao bolsonarismo.