Gleisi: “Defender a soberania nacional, a hora é agora”

Publicado em 12 setembro, 2019
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A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), escreve nesta quinta-feira (12) um emocionante e contundente texto em defesa da soberania nacional, da Constituição e das empresas públicas estratégicas.

A dirigente petista ainda aproveita o espaço para dar uma “sabugada” no presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, segundo ela, fraudou a eleição de 2018 e enganou a [quase] todos.

Gleisi também convoca a manifestação de 20 de setembro em defesa do serviço público, contra as privatizações e a agenda neoliberal. “É hora de agirmos para dar a volta por cima”, exalta.

Leia a íntegra do manifesto de Gleisi:

Defender a soberania nacional, a hora é agora

Gleisi Hoffmann*

Diante da ameaça do governo Bolsonaro em privatizar as empresas estatais brasileiras e dos ataques que o próprio presidente da República desfere contra a soberania nacional, a oposição no Congresso Nacional e forças progressistas juntamente com movimentos sociais, entidades, sindicatos e igrejas lançaram a Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Soberania Nacional. Organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, o encontro suprapartidário e ecumênico chama atenção da sociedade brasileira para o golpe que está curso contra o país, entregar as riquezas nacionais e áreas estratégicas para investidores estrangeiros.

Não é à toa que a soberania está entre os princípios fundamentais no Artigo 1º da Constituição Cidadã como parte do Estado de Direito Democrático, cabendo ao país decidir sobre seu próprio destino, proteger seu território e utilizar suas riquezas em benefício de todos seus cidadãos e cidadãs. Defender a soberania, é garantir saúde, educação, segurança, cultura e proteção social; direito ao trabalho e à aposentadoria; salário digno e crédito para produção e consumo; acesso à terra e à assistência no campo; acesso à alimentação; acesso à justiça; liberdade e democracia.

Na ocasião, foi lançado um manifesto coletivo que alerta para a necessidade imperativa de fazer frente ao desmonte do Estado. Nas últimas décadas, o Brasil avançou no crescimento econômico com inclusão social, na redução da pobreza, na realização de negócios com diversas nações, proteção do meio ambiente, no respeito à democracia e nos direitos da população indígena e quilombola, nos direitos sociais, na convivência pacífica e altiva com outras nações, na defesa da soberania nacional e do princípio da autodeterminação dos povos. Mas, tudo isso está sendo retirado do povo brasileiro de forma rápida e avassaladora.

Sendo assim, como está expresso no manifesto, defender a soberania é o Estado e o governo utilizarem todos os recursos possíveis para cuidar bem da população e do seu futuro. A defesa da soberania é a mais importante tarefa do chefe de uma nação e cabe ao Estado assegurar a soberania popular, respeitando a vontade da sociedade e fazendo cumprir um dos princípios básicos das democracias. “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”, determina o texto constitucional.

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Eleito com a missão de cumprir a Constituição, em oito meses de mandato Bolsonaro afronta diariamente a nossa carta maior e ao determinar que “tem que vender uma [estatal] por semana”, contraria e despreza o desejo da população, que não quer a privatização das nossas empresas, conforme revelou pesquisa Datafolha divulgada nesta semana, quando 67% disseram não à agenda entreguista de Bolsonaro. Nada menos do que dois em cada três brasileiros se opõem à venda de companhias públicas para empresas privadas.

Para cumprir a agenda nociva neoliberal, comandada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o governo pretende criar o Programa de Aceleração das Privatizações (PAP). Em entrevista o jornal Valor Econômico, Guedes revelou que Bolsonaro não só tem pressa como ele mesmo, que não entende nada de economia, escolhe quais patrimônios nacionais serão entregues ao capital privado.

Mas, para fazer valer a vontade destruidora de Bolsonaro, será preciso a aprovação do Congresso Nacional, que deve escutar a voz do povo e rejeitar a entrega da soberania nacional. Como o legislativo brasileiro só funciona com grande pressão e o Supremo Tribunal Federal (STF) acabou de decidir pela autorização da venda de empresas subsidiárias ou controladas por estatais sem autorização do Congresso, precisamos de uma maciça campanha de esclarecimento para que a população entenda o significado da soberania nacional para o país e para a própria vida do povo brasileiro.

É urgente mostrar que cada alvo da política bolsonarista, seja a Petrobras, Eletrobrás, Amazônia, Correios, a educação, a pesquisa e a ciência, os diretos dos indígenas e dos quilombolas, as liberdades individuais entre outros, são fundamentais para o desenvolvimento do Brasil e o futuro da nação, dos nossos filhos e netos. A situação do Brasil é muito difícil, mas é uma oportunidade para nossa luta. As pessoas estão se dando conta do quanto o governo Bolsonaro veio para destruir os direitos civis do povo, as políticas sociais, a proteção ambiental e seguridade para os que mais precisam.

Por isso, nesse momento de crise econômica, queda de renda e desemprego, em que a grande maioria se encontra desalentada diante de um presidente da República que fraudou a eleição e enganou a todos é hora de agirmos para dar a volta por cima. Os momentos de crise nos fortalecem, as adversidades nos fazem reagir. A população está aberta a isso e situação começa a mudar. Cabe a nós, forças progressistas e democratas esclarecer as pessoas sobre o que está acontecendo. É um terreno que está começando a ficar fértil para a semeadura e precisamos aproveitar isso. E o primeiro passo será dado no dia 20 de setembro, quando acontecerá o Dia Nacional de Mobilização e Protesto do Setor Público. Não vamos nos deixar emparedar pelo governo Bolsonaro e a hora é agora, defender nossa soberania e os direitos do povo brasileiro.

*Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, é deputada federal pelo Paraná. Site oficial www.gleisi.com.br.

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