Por Esmael Morais

Coluna do Luiz Claudio Romanelli: O Parlamento é o espelho da sociedade

Publicado em 06/07/2015

Não bastassem os desarranjos causados pelas barbeiragens na pilotagem da política econômica, que após dez anos de desenvolvimento econômico e inclusão social, faz com que estejamos muito próximos de tecnicamente entrar em recessão. Temos, por outro lado, o discurso catastrofista da oposição e de parte da mídia, que leva o Brasil ao aprofundamento da crise, com grande impacto social, aprofundando novamente a desigualdade social e a exclusão. Vivemos numa sociedade contaminada de más notícias, portanto ou reagimos e retomamos o crescimento, ou sucumbiremos.

Os primeiros a sentir os efeitos da crise, foram as grandes corporações. Depois as empresas pequenas e médias vinculadas à produção e comercialização dos bens de consumo salário. Agora a crise se espalha e, sistemicamente, atinge com o desemprego os trabalhadores.

Na mesma semana que o Senado aprovou um aumento salarial de até 78% para os servidores do Judiciário federal, reajuste que varia de 53% a 78% e que representa um impacto de R$ 25 bilhões em quatro anos, o governo federal corta o abono salarial de 2015 da metade dos trabalhadores, que só receberão o benefício a partir de janeiro do ano que vem.

Com a medida, o governo federal vai economizar R$ 10 bilhões neste ano e esta mudança no calendário terá um impacto na economia e na vida dos trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, pois o abono é uma espécie de 14º salário.

Aquilo que todos nós achávamos parte do passado, se torna novamente um ciclo vicioso traduzido na queda da atividade econômica com desemprego e recessão.

E é de causar certa estranheza que enquanto a opinião pública se volta somente ao debate das ações do Judiciário sobre os desvios da Petrobras – quem roubou mais: os políticos, os executivos ou empresários? -, mais de 260 mil trabalhadores da cadeia produtiva do petróleo e gás já perderam seus postos de trabalho e outros tantos perderão o emprego pela paralisia da estatal responsável por 10% do investimento produtivo do país.

Se o país se consome pela crise – e isso é o que acontece – se estranha mais ainda também que o Congresso Nacional priorize o debate de temas secundários, para este momento, como a redução da maioridade penal, já que os estudos apontam que menos de 2% dos crimes hediondos são cometidos por jovens de 16 a 18 anos.

O comportamento do Congresso Nacional, a disputa insana pelo poder e pelo prazer da adrenalina do jogo político e do jogo de interesses, nos leva a paralisia da solução estruturada da crise econômica que se transformará em social.

Não dá para fazer de conta que o problema não existe, que o país tem ainda a chance de promover os ajustes necessários e virar o jogo a favor do povo e das milhões de pessoas que foram incluídas e estão muito próximas de serem expulsas da sociedade de produção e consumo.

O que precisamos neste momento é superar as diferenças políticas, às vezes até ideológicas, e convocar toda a sociedade para debater um pacto nacional contra a crise. O que acontece no campo, em especial no setor agropecuário, é um exemplo claro da superação da crise com investimentos voltados à produção de bens de consumo com emprego e renda para todos os que participam desta cadeia produtiva.

Senador Aloísio Nunes, disse: “Não quero o impeachment da Dilma, quero ver ela sangrar”.

Ora, quem sangra é o povo.

Não há disposição de diálogo. Jogam com apoio das próprias vítimas no “quanto pior, melhor”. As “vítimas” em breve verão que quanto pior, pior.

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PMDB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.