Fim da integração do transporte na Região Metropolitana é bomba estourando no colo de Fruet

romaA quebra de braço entre o governador Beto Richa (PSDB) e o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), que resultou no fim da integração financeira do transporte coletivo de Curitiba com a Região Metropolitana, atingiu de maneira nefasta um grande número de moradores das cidades no entorno da capital. Foi um duro golpe principalmente nos trabalhadores mais carentes, que dependem de ônibus e se locomovem por grandes distâncias para chegar ao trabalho.

Um dos efeitos da “desintegração” da falecida RIT (Rede Integrada de Transportes) pode ser sentido pela revolta dos usuários no Terminal Vila Angélica, em Araucária, que na última segunda-feira (13) foram dispersados com bombas e balas de borracha pela choque da PM e pela guarda municipal de Araucária.

O custo do transporte para quem mora em Araucária e trabalha na capital pode chegar a R$ 13,20 por dia. Mais ou menos o dobro do que era antes.

Ninguém quer assumir essa conta, mas parece que ela pesa mesmo é para o prefeito Gustavo Fruet. O corte do subsídio por parte do governador tem que ser considerado, mas em última análise quem administrava a integração era a Urbs — empresa da Prefeitura de Curitiba. Além disso, quem disputa a reeleição ano que vem é Fruet. Richa já garantiu a sua no ano passado.

O jogo de empurra abre espaço até para que o líder do governo na Assembleia Legislativa, o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), tire uma “casquinha” e chame de “desumana” a gestão do prefeito Gustavo Fruet na área do transporte público.

Segundo o deputado, a Prefeitura de Curitiba vai receber do governo do estado, somente neste ano, mais R$ 450 milhões provenientes dos reajustes do ICMS e IPVA.

“Isso é dinheiro que nem estava no orçamento dele. Esse valor é muito superior ao subsídio que a prefeitura vinha recebendo anualmente para manter a integração com a região metropolitana”, disse Romanelli.

Há o argumento de que Beto Richa criou o subsídio ao transporte para ajudar o seu aliado Luciano Ducci (PSB) quando este era prefeito da capital e depois, com a derrota de seu pupilo na reeleição, Richa foi tirando o corpo (e o dinheiro) fora. Tudo bem, isso é verdade.

Mas Fruet usou a integração como a justificativa para aumentar a tarifa em Curitiba. Agora que a integração acabou, não seria a hora de reduzir a tarifa?

A verdade é que até agora ninguém enfrentou a máfia do transporte público. A eleição de Gustavo Fruet em 2012 trouxe essa esperança pra muita gente, mas a frustração é grande.

Sem atitude, essa bomba fica mesmo é no colo de Fruet.

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