A imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional despenca diante da população, revelando o tamanho da crise institucional que se aprofunda no Brasil.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (27) mostra que 58% dos brasileiros dizem ter vergonha dos ministros do STF, enquanto apenas 30% expressam orgulho da Corte. Na mesma linha, 58% também têm vergonha dos deputados, e 59% se envergonham dos senadores.
Em meio ao desgaste provocado pela taxação dos super-ricos, pelo aumento do IOF e pelas retaliações do Congresso ao Palácio do Planalto nas emendas parlamentares, a imagem do Legislativo derrete nas redes sociais. Segundo o analista Pedro Barciela, 92% das menções aos deputados e senadores são críticas. O rótulo mais frequente? “Inimigos do povo”.
Os dados reforçam o ambiente de desgaste generalizado que contamina Executivo, Legislativo e Judiciário. O próprio presidente Lula (PT) aparece com 56% de desaprovação, embora uma pesquisa paralela do Instituto Paraná Pesquisas aponte que o petista mantém 40% de aprovação no cenário atual (leia aqui).
Críticas ao Congresso explodem nas redes

A insatisfação nas plataformas digitais bateu recorde. De acordo com Barciela, as menções aos parlamentares saltaram de 2,2 milhões em abril para 2,5 milhões em maio, e já chegaram a 3 milhões antes mesmo do fim de junho. A imensa maioria são manifestações de repúdio.
Entre os fatores que mais irritaram os brasileiros estão o aumento na conta de luz, provocado pela derrubada do veto presidencial sobre o setor elétrico, e o projeto que amplia o número de deputados e os gastos públicos.
“O Congresso errou feio ao misturar, no mesmo dia, o aumento no número de parlamentares com a derrubada do decreto do IOF”, analisa Barciela, em referência à decisão do Legislativo na quarta-feira (25).
O desgaste, segundo ele, atinge diversas faixas ideológicas. “As críticas vêm tanto de setores de esquerda quanto de perfis antibolsonaristas e até de apoiadores do próprio bolsonarismo”, observa.
Vergonha do STF reflete polarização política
O Datafolha também identificou que a percepção negativa em relação ao STF varia de acordo com a preferência política. Entre eleitores de Bolsonaro, a rejeição aos ministros atinge 82%, chegando a 91% entre apoiadores declarados do PL. Já entre os eleitores de Lula, o cenário se inverte: 52% sentem orgulho do STF, enquanto 36% manifestam vergonha.
O recorte religioso também revela nuances importantes. Entre evangélicos, a rejeição à Corte é de 66%, frente a 56% entre católicos.
Forças Armadas seguem poupadas da rejeição

Ao contrário dos Três Poderes, as Forças Armadas mantêm imagem relativamente preservada. O orgulho em relação aos militares atinge 52% entre eleitores de Lula e 54% entre apoiadores de Bolsonaro.
Projeção: crise de confiança amplia o vácuo político
Os números expõem o esgotamento da confiança pública nas instituições, alimentando um ambiente fértil para radicalismos e discursos antissistema. O Congresso, particularmente, se vê isolado, sem vozes de defesa sequer dentro da bolha governista ou entre setores moderados.
A leitura dos bastidores políticos aponta que o desgaste do STF e do Congresso tende a intensificar as disputas de 2026, em um cenário de desconfiança e radicalização. A disputa pelo Senado e pela Câmara promete ser uma das mais tensas dos últimos anos, com reflexo direto sobre o próprio funcionamento do Estado brasileiro.
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O Brasil atravessa um momento delicado, onde a desconfiança popular se alastra entre as instituições que deveriam sustentar a democracia. A pressão das redes e o clima de vergonha generalizada colocam o STF, o Congresso e o próprio Planalto diante de um dilema: reconstruir a credibilidade ou alimentar a fogueira da instabilidade.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




