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Último debate em SP expõe tensão e trocas de acusações

No último debate antes do primeiro turno das eleições para a Prefeitura de São Paulo, realizado na noite de 3 de outubro de 2024 na sede da TV Globo, os principais candidatos não fugiram das polêmicas e das trocas de farpas.

Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL), Tabata Amaral (PSB), Pablo Marçal (PRTB) e José Luiz Datena (PSDB) usaram o palco para reafirmar suas propostas, mas também para intensificar os ataques uns contra os outros, especialmente com o cenário acirrado apontado pelas pesquisas, que mostram um empate técnico entre os três primeiros colocados.

Segundo pesquisa do Datafolha, Boulos tem 26%, Nunes e Marçal 24%.

O debate começou morno, mas logo ganhou contornos de tensão.

Pablo Marçal, em seu estilo provocador, buscou atrair o eleitorado cristão ao associar sua campanha a princípios religiosos e reforçar seu discurso antissistema.

Ele acusou seus adversários de representarem o “extremismo de esquerda”, atacando diretamente Boulos e Nunes.

Marçal, que chegou ao evento com o braço engessado após um incidente com Datena em um debate anterior, foi alvo de provocações de Tabata Amaral, que insinuou que o gesso era cenográfico, o que aumentou a tensão entre os candidatos.

Ricardo Nunes, atual prefeito e candidato à reeleição, foi o principal alvo dos adversários.

As críticas focaram sua gestão, especialmente em áreas como saúde e mobilidade urbana.

Boulos e Tabata fizeram uma dobradinha para desgastar a imagem do prefeito, destacando problemas na administração dos serviços públicos.

Nunes, por sua vez, tentou se defender, afirmando que sua gestão está focada em uma “economia liberal” e que os ataques são injustos.

Porém, ele foi confrontado novamente sobre o boletim de ocorrência registrado por sua esposa, algo que Marçal explorou sem pudor, acusando-o de envolvimento em escândalos de corrupção.

Guilherme Boulos, em sintonia com seu padrinho político, o presidente Lula, adotou uma postura mais calma, como havia sido sugerido pelo presidente em uma live pouco antes do debate.

Ele evitou reações agressivas e manteve o foco em propostas voltadas para a periferia, mencionando o nome de Marta Suplicy, sua candidata a vice, como parte de sua equipe para resolver os problemas de São Paulo.

A presença de manifestantes na porta da TV Globo aumentou o clima de polarização do debate.

Apoiadores de Marçal e Boulos se enfrentaram com gritos e provocações, exigindo a intervenção da polícia para evitar confrontos.

O evento refletiu a tensão que marca a reta final da campanha, com cada candidato tentando consolidar seu eleitorado e atrair os indecisos.

Faltando dois dias para a eleição, o debate foi uma oportunidade crucial para os candidatos se apresentarem ao público em rede nacional, mas também escancarou a divisão política e as tensões que permeiam a disputa na maior cidade do país.

Com o eleitorado fragmentado, o debate da Globo pode ser decisivo para definir o segundo turno.

A estratégia de moderação de Boulos, contrastada com o tom agressivo de Marçal e as tentativas de Nunes de se defender dos ataques, pode consolidar votos, mas o impacto real só será sentido nas urnas.

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