UFPR afrouxou a tanga para neofascistas enquanto a USP lançou seu comitê popular com 3 mil assinaturas

  • Veja quem são os 3 mil que assinaram a carta em Defesa da Democracia e contra Bolsonaro, organizado pela Faculdade de Direito da USP

O Blog do Esmael disponibiliza abaixo os mais de 3 mil nomes que assinaram a carta em Defesa da Democracia e contra as ameaças golpistas do presidente cessante Jair Bolsonaro (PL).

O manifesto plural e suprapartidário pela democracia reúne banqueiros, empresários, intelectuais, artistas, profissionais liberais, professores e estudantes, dentre outras personalidades.

Enquanto a UFPR (Universidade Federal do Paraná) proibiu o Comitê Popular de Luta pela Democracia, a Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) planeja a leitura oficial do documento, chamado “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, no dia 11 de agosto, no Largo São Francisco, em São Paulo.

Se até a novela no horário nobre é interrompida pelo TSE para veicular a propaganda política, ora, não faz sentido a tradicional UFPR ‘afrouxar a tanga’ para os neofascistas que se colocam contra a democracia e contra o Brasil.

Na noite de terça-feira (26/07), após a proibição do encontro no Teatro da UFPR, o Blog do Esmael entrevistou os professores Paulo Vieira Neto e Andréa Emilia M. Stinghen, presidente e vice da APUFPR (Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná).

A reitoria da UFPR se intimidou com os fascistas e bolsonaristas, enquanto a USP assumiu a vanguardar em defesa da democracia.

O reitor Marcelo Ricardo Fonseca, eleito pela comunidade antifascista, fica devendo essa para para a democracia, para o Paraná e o Brasil.

Leia a íntegra do manifesto

“Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito!

Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos cursos jurídicos no país, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.

Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.

Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular.

A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral.

Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em país de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude.

Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos.

Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições.

Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional.

Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão.

Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática.

Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.

No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.

Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:

Estado Democrático de Direito Sempre!!!!”

Alguns dos signatários do texto sobre o manifesto são: Roberto Setubal, Pedro Moreira Salles, João Moreira Salles, Candido Bracher, Jose Olympio Pereira, Horacio Lafer Piva e Walter Schalka, Pedro Malan, Arminio Fraga e Celso Lafer. Também colocaram sua assinatura ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como Carlos Ayres Britto, Sepúlveda Pertence e Celso de Mello.

Confira aqui todos os mais de 3 mil signatários.

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