22 de março de 2015
por esmael
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Colunista da Gazeta: Richa adotou o “Abismo” como forma de poder no PR

O jornalista Celso Nascimento, colunista da Gazeta do Povo, na edição deste domingo (22), observa que o governador Beto Richa (PSDB) adotou como forma de poder o “Abismo” — corruptela relacionada ao nome do primo Luiz Abi, preso pelo Gaeco desde segunda-feira (16) sob a acusação de liderar uma quadrilha dentro do governo do estado.

A seguir leia a íntegra da coluna:

O Paraná no abismo
por Celso Nascimento

Socialismo, marxismo, capitalismo, nazismo, maoismo, imperialismo, islamismo, comunismo, moralismo… são tantos “ismos” aos quais qualquer um pode optar, mas o Paraná parece ter adotado outro, o abismo. Alguns aplicam o termo para se referir ao precipício em que caíram as finanças estaduais. Outros preferem correlacionar a palavra ao nome de Luiz Abi, o primo de quem se diz ter atuado com grande desenvoltura nos subterrâneos do governo.

Combustível para essa interpretação não falta. O Gaeco levou Luiz Abi preso por suspeita de que, sob sua orientação, uma licitação para contratar oficinas mecânicas para reparo de viaturas policiais teria sido fraudada. Mas os promotores de Londrina que cuidam do caso começam a enxergar ligações dele com outros presos acusados de operar um enorme esquema de sonegação tributária que teria dado prejuízo, estima-se, de R$ 500 milhões aos cofres públicos.

Na última sexta-feira (20), mais 17 personagens dessa história foram presos. Dentre eles, servidores da receita, policiais civis e empresários da área de distribuição de combustíveis. Eles se somam a outros investigados metidos em casos de pedofilia, exploração de prostituição e corrupção ativa e passiva na área da Receita Estadual. Não significa que os crimes – sexo ilegal e sonegação – fossem comuns aos dois grupos, mas os promotores estão intrigados com o fato de que vários nomes cruzavam-se nas duas esferas. E o mais impressionante é que alguns dos investigados faziam parte, oficial ou extraoficialmente, da corte palaciana.

O caminho a ser ainda percorrido pelo Gaeco é longo, mas os promotores começam a puxar liames que datam de 2011 – mesmo ano em que se iniciou o primeiro mandato do governador Beto Richa. Foi em 2011 que aportou no Paraná uma certa Refinaria de Manguinhos, na verdade apenas uma distribuidora de combustíveis.

Impedida de manter suas atividades no Rio de Janeiro por ter sonegado a quantia de R$ 800 milhões em impostos e recusada sua inscrição pelo Fisco paulista, Manguinhos misteriosamente conseguiu se inscrever como contribuinte na Fazenda do Paraná e se instalar em Araucária. Pouco tempo depois, acumulava uma dívida tributária da ordem de R$ 225 milhões, passando a figurar nos primeiros lugares da lista dos cem maiores devedores de impostos para a Fazenda estadual.

No Rio, segundo consta de investigação procedida pelo MP de lá, o dono da refinaria, Ricardo Magro, contaria com a proteção de ninguém menos do que do deputado fluminense Eduardo Cunha, figura hoje nacionalmente conhecida como presidente da Câmara Federal. A bem da verdade: nada se provou contra Cunha, apesar de indícios detectados pelo MP no inquérito 3056/RJ.

No Paraná, o então secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, não teria podido resistir ao suposto lobby que Luiz Abi teria exercido em favor de Ricard