14 de agosto de 2014
por Esmael Morais
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Morto é principal cabo eleitoral de candidato a deputado no Paraná

Que as pessoas ficam mais legais quando morrem todo mundo fala. Mas será que morto dá voto? Essa é aposta do candidato a deputado estadual Marquinhos Roque (PMDB), que usa a imagem de seu pai falecido, o ex-prefeito de Paranaguá e ex-deputado estadual, Mario Roque; que morreu quando estava à  frente da prefeitura da maior cidade do litoral paranaense em julho do ano passado. A novidade está na forma como a imagem é utilizada. Nos materiais de campanha de Marquinhos aparece uma foto de seu pai como se fosse um fantasma. Para completar, o sobrenome Roque recebe uma aureola de santo, como na novela Roque Santeiro exibida nos anos 80 pela TV Globo.

Na história do nosso país há diversos casos em que pessoas mortas serviram a objetivos políticos. Um dos casos mais conhecidos é do presidente da então província da Paraíba, João Pessoa. Seu assassinato quando era candidato a vice-presidente na chapa com Getúlio Vargas foi o estopim para a revolução de 1930. Seu corpo foi embalsamado e o esquife ficou exposto à  visitação pública por vários dias na Paraíba, até ser transportado para ser sepultado no Rio de Janeiro.

O Paraná está cheio de herdeiros políticos!, como o governador Beto Richa (PSDB), o deputado Alexandre Curi (PMDB), entre outros. ! O prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), se elegeu deputado federal em 1996 substituindo seu pai, Mauricio Fruet, falecido poucos dias antes das eleições.

A trágica morte do candidato a presidente Eduardo Campos (PSB) ocorrida ontem (13) trouxe o tema à  tona. Analistas políticos! costumam afirmar que casos de vitimização, como falecimentos de parentes ou correligionários, tendem a atrair a simpatia dos eleitores, o que pode ser revertido em votos.

Mas Marquinhos Roque é campeão em enfatizar a herança! no material de campanha. Seu irmão, Marcelo Roque, candidato a deputado federal pelo PV é mais discreto. Limita-se a usar o slogan Com a experiência e a força do povo, é Roque de novo!”, numa clara referência ao pai, visto que é bem novo e não tem lá muita experiência.

Já Marquinhos resolveu não arriscar e abandonou a sutileza. Ele deve pensar que se o pai era bom de voto, é melhor! fazer de tudo para garantir que esse capital político lhe sirva de herança.

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