Senado dos EUA aprova US$ 1 trilhão em investimentos públicos enquanto Brasil corta salários e desinveste

Senado dos EUA aprova US$ 1 trilhão em investimentos públicos enquanto Brasil corta salários e desinveste

Enquanto o Brasil desinveste e ataca os salários dos trabalhadores, precariza a mão de obra, os Estados Unidos pegaram uma via contrária: o Senado americano aprovou nesta terça-feira (10/08) um projeto de infraestrutura de US$ 1 trilhão [R$ 5,2 trilhões] para reconstruir as estradas e pontes em deterioração do país e financiar novas iniciativas de resiliência climática e banda larga, entregando um componente chave da agenda do presidente Joe Biden.

A Câmara dos Deputados, no Brasil, aprovou hoje uma nova minirreforma trabalhista desgraçando ainda mais o mundo do trabalho. Dentre as medidas votadas pelo parlamento brasileiro estão redução ou suspensão de salários e jornada de trabalho; novas mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e definição de quem pode contar com gratuidade no acesso à Justiça.

Voltemos aos EUA, onde as notícias são melhores. Quiçá um bom exemplo de política econômica keynesiana para o próximo governo no Brasil.

A votação no Senado, de 69 a 30, foi incomumente bipartidária [democratas e republicanos]. Os votos sim incluíram o senador Mitch McConnell de Kentucky, o líder republicano, e 18 outros de seu partido, que ignoraram os esforços cada vez mais estridentes do ex-presidente Donald Trump para inviabilizá-lo.

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“Este investimento histórico em infraestrutura é o que acredito que vocês, o povo americano, desejam, o que vêm pedindo há muito, muito tempo”, disse Biden da Casa Branca, ao agradecer aos republicanos por mostrarem “muito de coragem.”

McConnell, que havia declarado que sua prioridade era interromper a agenda de Biden, disse em um comunicado que “estava orgulhoso de apoiar o acordo histórico bipartidário de infraestrutura de hoje e provar que ambos os lados do corredor político ainda podem se unir em torno de soluções de bom senso.”

A medida enfrenta um caminho potencialmente difícil e demorado na Câmara, onde a presidente da Câmara Nancy Pelosi e uma maioria dos quase 100 membros do Partido Democrata disseram que não votarão nela a menos e até que o Senado aprove uma decisão separada, ainda mais ambiciosa, uma conta de política social de US$ 3,5 trilhões. Isso poderia colocar a conta da infraestrutura em espera por semanas, se não meses.

Voltemos ao Brasil.

A Câmara dos Deputados, tomada por patrões bolsonarista, representam um atraso jamais visto na história da República. O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que tem a discricionariedade para abrir o impeachment, se porta como porta-voz de Jair Bolsonaro ao pautar retiradas de direitos dos trabalhadores.

O Brasil tem uma Câmara de merda, mas ela é necessária à democracia.