Ratinho Junior pediu o PSB que barre filiação de Requião, dizem deputados

Ratinho Junior pediu para que PSB barre filiação de Requião, dizem deputados

A noite de terça-feira, véspera deste 1º de setembro, foi bastante tensa e movimentada em Brasília –sobretudo para os socialistas. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), visitou o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, para um inusitado pedido: barrar a filiação de seu único e principal adversário em 2022, o ex-governador Roberto Requião, que deixou o MDB há um mês depois de 40 anos de militância no partido das Diretas Já.

Ratinho não foi de mãos abanando ao encontro do mandachuva do PSB, segundo relatos de parlamentares ao Blog do Esmael. Em troca do veto a Requião, o PSB no Paraná indicaria o candidato a vice-governador ou a senador na chapa do governador do PSD. Na primeira hipótese, o deputado Alexandre Curi (PSB) seria o vice; na segunda possibilidade, o deputado Luiz Claudio Romanelli concorreria à Câmara Alta.

O diabo é que o chefe da Casa Civil, Guto Silva (PSD), conta com a vaga de candidato ao Senado no ano que vem. Ele acha que vence o senador Alvaro Dias (PODE), há quase 30 anos no cargo. Além disso, as entidades do G7 –Fiep e outras organizações patronais– pretendem repetir Darci Piana como vice, caso contrário, pulam fora do barco em 2022.

Além da proposta da vice ou de senador para o PSB, o governador Ratinho Junior ainda levou na bagagem a mágoa que o presidente do partido no Paraná, Severino Araújo, guarda de Requião desde a CPI dos Precatórios, no Senado, em que o ex-governador paranaense indiciou Miguel Arraes e seu neto Eduardo Campos por corrupção. De acordo com parlamentares, essa mágoa é guardada num “freezer” para durar mais tempo…

Carlos Siqueira ouviu as propostas de Ratinho Junior, mas não bateu o martelo. O dirigente socialista está focado no aumento de sua bancada federal e na disputa presidencial. O PSB estará em 2022 na chapa do ex-presidente Lula e uma composição “estranha” ao campo progressista pode ser entendida como “traição” ao petista na quadra nacional. Além disso, o governador do Paraná é um dos principais apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e uma das promessas de palanque no estado para o inquilino do Palácio do Planalto.

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