Petrobras atropela plano de Lula e aumenta diesel em R$ 0,38

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou segurar o impacto da guerra do petróleo no bolso do brasileiro, mas a Petrobras respondeu em sentido contrário nesta sexta-feira (13). Um dia após o governo zerar PIS/Cofins sobre o diesel, criar uma subvenção de R$ 0,32 por litro e reforçar a fiscalização contra abusos, a estatal anunciou aumento de R$ 0,38 por litro no diesel A vendido às distribuidoras, com vigência a partir de sábado (14).

Na prática, o choque de realidade foi imediato. Considerada a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o reajuste equivale a R$ 0,32 por litro no diesel B que chega aos postos. O preço médio do diesel A nas distribuidoras passará para R$ 3,65 por litro, e a participação da Petrobras no valor final do diesel B ficará, em média, em R$ 3,10 por litro.

O dado político é bruto. Lula entrou em campo na quinta-feira (12) para anunciar um pacote emergencial com o discurso de “evitar que os efeitos das guerras cheguem ao povo brasileiro”. O pacote incluiu a zeragem de PIS/Cofins, uma medida provisória autorizando subvenção econômica de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel, além de novas regras de transparência e fiscalização. Menos de 24 horas depois, a Petrobras reajustou o combustível e expôs o limite da intervenção estatal diante da pressão internacional sobre o barril.

A própria Petrobras tratou de dizer que o efeito ao consumidor seria “mitigado” pela desoneração federal. Também informou que seu Conselho de Administração aprovou a adesão ao programa de subvenção criado pela Medida Provisória nº 1.340, embora a assinatura definitiva ainda dependa da regulamentação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ou seja: o alívio prometido pelo Planalto ainda depende da engrenagem regulatória, enquanto o aumento da refinaria já tem data para bater no mercado.

É aí que mora a contradição central desta sexta-feira. O governo abre mão de tributo, banca subvenção e aciona a máquina regulatória para conter a escalada, mas a formação de preços continua contaminada pela guerra, pelo câmbio, pelo mercado internacional e pelas decisões comerciais da estatal. O resultado é um jogo de empurra em que Brasília anuncia proteção, a Petrobras corrige preço e o consumidor fica no meio do fogo cruzado.

Quem paga essa conta, no fim da cadeia, não é o gabinete nem a diretoria da estatal. É o caminhoneiro, é o frete, é o transporte público, é a comida no supermercado. O diesel pesa na logística do país inteiro. Por isso, mesmo quando o reajuste não chega integralmente à bomba, ele se espalha como pressão inflacionária por várias pontas da economia.

A Petrobras argumenta que o último reajuste havia sido uma redução, em 6 de maio de 2025, e que o último aumento ocorrera em 1º de fevereiro de 2025. Também sustenta que, no acumulado desde dezembro de 2022, o preço do diesel A vendido às distribuidoras ainda registra queda de R$ 0,84 por litro, o equivalente a 29,6%, considerada a inflação do período. O problema é que consumidor não abastece com série histórica. Abastece com o preço do dia.

Politicamente, o episódio cria um teste para o discurso econômico do governo. O Planalto tentou vender rapidez, coordenação e proteção social diante da crise internacional do petróleo. A reação da Petrobras, contudo, embaralhou a narrativa e entregou munição para adversários que acusam o governo de prometer mais controle do que de fato consegue exercer.

Dito de outra forma, Lula agiu, mas o mercado continuou mandando no preço. E isso recoloca na mesa uma pergunta incômoda para o governo: até onde vai a capacidade real de amortecer choques internacionais sem desorganizar as contas públicas, tensionar a Petrobras e, ainda assim, falhar em impedir novos repasses ao consumidor?

O mundo político entendeu como “sabotagem” o reajuste praticado pela estatal petrolífera, após o esforço anunciado pelo presidente da República.

A sexta-feira deixou essa resposta mais dura. O governo desonerou, subsidiou e fiscalizou. A Petrobras, ainda assim, aumentou. Quando isso acontece, a disputa já não é apenas sobre combustível. É sobre poder, comando de preços e sobre quem, de fato, governa a economia em tempos de guerra global. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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