A ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), das Relações Institucionais do governo Lula, abriu fogo contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com um vídeo de tom explosivo e recolocou no centro da disputa política as conexões do bolsonarismo fluminense com personagens investigados pela Polícia Federal. A gravação, publicada nas redes, usa a Operação Unha e Carne como gatilho para acusar o filho 01 de Jair Bolsonaro de viver cercado por escândalos, milícias e figuras ligadas ao crime organizado.
No vídeo [assista abaixo], Gleisi cita nominalmente Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário do Rio de Janeiro, preso em nova fase da ofensiva policial que apura venda de influência e favorecimento de interesses do Comando Vermelho. A ministra sustenta que Carracena orbitava o campo político de Flávio e amplia o ataque ao mencionar também Gutemberg Fonseca e o ex-deputado TH Joias, todos inseridos, segundo ela, numa mesma rede de relações políticas no Rio.
A base factual da ofensiva existe. Reportagens publicadas nos últimos dias mostram que a PF mirou um núcleo suspeito de negociar vantagens indevidas e usar influência política para beneficiar interesses do Comando Vermelho. A investigação alcançou nomes da máquina pública fluminense e se conectou ao caso de TH Joias, preso em 2025 sob suspeita de intermediar armas para a facção.
O ponto político mais delicado está na ponte feita por Gleisi entre esse ambiente investigado e Flávio Bolsonaro. Segundo a publicação, Carracena teria sido indicado ao governo Cláudio Castro pelo senador, mas há disputa de versões: Gutemberg Fonseca disse ter feito a indicação, e Flávio negou formalmente ter sido o padrinho da nomeação. Essa divergência não impediu a ministra de transformar o caso em munição direta contra o pré-candidato bolsonarista.
A peça foi desenhada para ferir no ponto mais sensível do bolsonarismo: o discurso de moralidade. Ao relembrar a homenagem de Flávio ao miliciano Adriano da Nóbrega, a investigação das rachadinhas e reportagens antigas sobre milícias, Gleisi tenta condensar numa só narrativa tudo aquilo que pesa sobre a família Bolsonaro no Rio. Não é uma fala técnica, nem jurídica. É comunicação de confronto, feita para viralizar e marcar posição.
E viralizou. O conteúdo apareceu replicado em várias plataformas e perfis, com forte repercussão pública. No Facebook e no Instagram, a postagem associada ao vídeo de Gleisi aparecia com milhares de comentários publicados, sinal de que a ministra acertou em cheio o nervo da militância e da polarização.
O ataque não acontece por acaso. O PT já vinha preparando material para enfrentar o avanço de Flávio Bolsonaro no debate nacional, especialmente no Rio de Janeiro, onde o senador tenta se firmar como herdeiro direto do capital político do pai. Nesse cenário, o vídeo de Gleisi funciona como peça de artilharia: não busca apenas responder ao bolsonarismo, mas desgastar preventivamente a candidatura antes que ela ganhe musculatura eleitoral.
No fundo, Gleisi tenta inverter o jogo. Em vez de deixar a direita monopolizar o tema segurança pública, ela devolve a acusação ao campo bolsonarista e diz, em resumo, que o problema não está no discurso da esquerda sobre crime, mas nas companhias incômodas da direita fluminense. É uma operação política de alto risco. Mas, como peça de guerra narrativa, cumpriu seu papel: incendiou as redes e recolocou Flávio na defensiva.
A disputa de 2026 começa a ganhar essa cara. Menos debate programático, mais guerra de reputação. E, quando o campo bolsonarista volta a ser puxado para o pântano político do Rio, a blindagem moral da família Bolsonaro deixa de parecer inabalável. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




