O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (9) que a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode ser uma “excursão de curto prazo”, numa tentativa de transmitir controle político e militar sobre a escalada no Oriente Médio. O problema é que o mercado de energia está lendo outro roteiro: o petróleo disparou, o Estreito de Ormuz virou foco central da crise e crescem os temores de inflação, combustíveis mais caros e novo choque global de preços.
Falando a republicanos reunidos em Doral, na Flórida, Trump repetiu que a guerra estaria “praticamente concluída” e sustentou que as forças americanas estão “muito à frente” do cronograma inicial. Na mesma linha, disse à CBS que o conflito estaria “muito completo, praticamente”, embora, horas depois, tenha endurecido o discurso público ao falar em derrota “total e decisiva” do inimigo iraniano.
A contradição está no centro da crise. Se a Casa Branca tenta vender uma operação breve, os preços do barril indicam que investidores, tradings e governos trabalham com risco prolongado de desorganização na oferta. Segundo a Reuters, o Brent fechou a US$ 98,96 e o WTI a US$ 94,77, os maiores níveis desde agosto de 2022. No pico do dia, os dois contratos encostaram em US$ 119,50.
O gatilho é conhecido e explosivo. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo, virou o ponto mais sensível da guerra. Mais de 20 milhões de barris por dia cruzam aquela rota, além de grande parte do gás natural liquefeito exportado pelo Catar. A Reuters informou que a guerra praticamente paralisou a passagem, ainda que alguns navios comerciais sigam tentando atravessar o corredor marítimo.
Trump ainda elevou a temperatura ao dizer à CBS que está “pensando” em assumir o controle de Ormuz. A fala ajuda a entender por que o temor do mercado não diminui. Quando o presidente dos EUA mistura promessa de guerra curta com ameaça de controle militar sobre a principal artéria energética do planeta, a mensagem real deixa de ser pacificação e passa a ser imprevisibilidade.
Do outro lado, a conversa telefônica de Trump com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, mostrou que a crise já transbordou do campo militar para a arena diplomática e energética. Segundo o Kremlin, Putin apresentou propostas para uma solução política e diplomática rápida do conflito iraniano. A simples entrada explícita de Moscou na discussão reforça que a guerra não é mais apenas um confronto regional, mas uma disputa com impacto direto sobre petróleo, inflação e correlação global de forças.
A conta dessa escalada chega rápido ao bolso. A própria Reuters relata que autoridades americanas e países do G7 já discutem medidas de contenção, como uso de reservas estratégicas, diante do risco de inflação mais alta e desaceleração econômica. Não por acaso, companhias aéreas e setores dependentes de energia já sentem o baque.
Para o Brasil, a crise recoloca pressão sobre diesel, gasolina, inflação e Petrobras. Quanto mais tempo durar a instabilidade em Ormuz, maior a chance de repasse ao consumidor e de novo ruído sobre política de preços. Em outras palavras, Trump pode chamar a guerra do que quiser. O mercado já entendeu que, curta ou não, ela começou a produzir efeitos longos. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




