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Lula melhora no Ipsos-Ipec, mas desaprovação segue maior

Blog do Esmael, direito de Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou um respiro na pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta quarta-feira (11), mas ainda está longe de poder comemorar. A avaliação positiva do governo subiu para 33%, porém a fatia que considera a gestão ruim ou péssima permaneceu em 40%. Na aprovação pessoal da forma de governar, Lula marca 43%, contra 51% de desaprovação.

Na prática, o levantamento mostra um governo que interrompeu parte da sangria, mas ainda não reconquistou a maioria do humor nacional. O Planalto melhora um pouco, sem desmontar o desgaste acumulado ao longo de 2025.

Os números centrais da Ipsos-Ipec são claros. Hoje, 15% classificam a administração como ótima e 18% como boa, somando 33%. Outros 24% dizem que ela é regular. Já 9% a consideram ruim e 31%, péssima, totalizando 40% no campo negativo. Há ainda 3% que não souberam ou não responderam.

No recorte da aprovação do presidente, 43% aprovam a maneira como Lula governa o Brasil, enquanto 51% desaprovam. Outros 6% não souberam responder.

A principal novidade política da rodada é a melhora relativa na avaliação do governo em comparação com dezembro de 2025. A série histórica do instituto mostra que o ótimo ou bom foi de 30% para 33%, enquanto o regular caiu de 29% para 24%. O ruim ou péssimo, porém, ficou estacionado em 40%. Ou seja, Lula recupera parte do centro morno da opinião pública, mas ainda não reduz de fato o bloco mais hostil ao governo.

Na aprovação pessoal, o movimento também é modesto. Lula saiu de 42% para 43%, enquanto a desaprovação recuou de 52% para 51%. Está melhor do que no fim do ano passado, mas o saldo ainda segue negativo.

A pesquisa também mede confiança no presidente. Nesse quesito, 40% dizem confiar em Lula e 56% afirmam não confiar. O dado é importante porque ajuda a separar avaliação de governo de imagem pessoal. Mesmo com alguma recomposição da gestão, a confiança no presidente continua travada em nível baixo.

Outro dado sensível para o Palácio do Planalto é o da expectativa frustrada. Para 25% dos entrevistados, o governo está melhor do que esperavam. Para 28%, está igual. Já 43% afirmam que está pior do que imaginavam. Esse é um número que pesa politicamente porque mede decepção, não apenas crítica conjuntural.

No pano de fundo, a economia continua funcionando como freio. Hoje, 27% acham que a situação econômica do país está melhor do que há seis meses, 28% a veem igual e 42% dizem que piorou. Quando o brasileiro olha para os próximos seis meses, 33% acreditam em melhora, 23% em estabilidade e 36% em piora. Há, portanto, um país dividido, mas ainda com o pessimismo à espreita.

Os recortes sociais ajudam a entender onde Lula ainda encontra chão e onde o governo enfrenta mais resistência. Entre os que ganham até 1 salário mínimo, a aprovação chega a 53%, contra 41% de desaprovação. Já entre os que recebem mais de 5 salários mínimos, o quadro se inverte com força: 30% aprovam e 65% desaprovam.

Regionalmente, o Nordeste segue sendo o principal colchão político do lulismo. Na região, 58% aprovam a forma de governar do presidente e 36% desaprovam. No Sul, o cenário é inverso: 33% aprovam e 62% desaprovam. No Sudeste, Lula também está em terreno difícil, com 38% de aprovação e 54% de desaprovação.

A clivagem religiosa continua forte. Entre católicos, Lula marca 49% de aprovação e 45% de desaprovação. Entre evangélicos, o quadro é mais duro: 29% aprovam e 64% desaprovam. No quesito confiança, a distância é ainda mais nítida: 46% dos católicos confiam no presidente, enquanto entre evangélicos esse índice cai para 27%.

Isso significa que a pesquisa não autoriza nem o obituário político vendido por parte da velha mídia nem a fantasia triunfalista de uma recuperação plena. O retrato mais honesto é outro: Lula segue vivo, favorito e com base popular relevante, mas ainda carrega um passivo importante na classe média, nos estratos de renda mais alta e no eleitorado evangélico.

Há também um dado estratégico para 2026. A série histórica da Ipsos-Ipec mostra que o pior momento do governo, até aqui, apareceu em meados de 2025, quando o ruim ou péssimo bateu 43% e a aprovação caiu a 39%. Desde então, Lula parou de afundar e passou a ensaiar uma recomposição parcial. Em março de 2026, ele está melhor do que naquele fundo do poço, mas ainda abaixo do patamar de julho de 2024, quando tinha 37% de ótimo ou bom e só 31% de ruim ou péssimo.

O mais importante, portanto, é não ler esse levantamento como ponto de chegada. Ele é sinal de disputa. O governo ganha algum oxigênio, a oposição mantém munição, e o eleitorado continua dividido entre desalento, cautela e expectativa.

A pesquisa Ipsos-Ipec foi realizada entre os dias 5 e 9 de março de 2026, com 2.000 entrevistas presenciais em 131 municípios. A margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O relatório técnico disponibilizado pela Ipsos-Ipec [clique aqui para ler a íntegra] não informa o contratante do levantamento.

Lula não morreu politicamente, como gostariam os editorialistas de sempre. Mas também não ressuscitou com folga. O que a Ipsos-Ipec desta quarta-feira (11) mostra é um presidente que voltou a respirar no noticiário, sem ainda ter retomado o comando da narrativa. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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