De Brasília – O deputado estadual Ney Leprevost (União) esteve em Brasília, onde se encontrou com figuras de destaque do partido, como o presidente nacional Antônio Ueda, o senador Sergio Moro (União) e o deputado federal Felipe Franchischini, presidente estadual do União no Paraná. Este encontro foi marcado pela busca de unidade dentro do partido, aumentando seu poder de negociação para as eleições de 2024 e 2026.
Segundo apuração do Blog do Esmael em Brasília, o União Brasil reivindica a Primeira Secretaria da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), mesmo com a pré-candidatura de Leprevost à Prefeitura de Curitiba. A tese se baseia no fato de que o União tem a segunda maior bancada na ALEP, com sete deputados, o que o habilitaria para o cargo estratégico na mesa da ALEP, cuja eleição ocorrerá após o recesso, em agosto.
Fontes confiáveis afirmam que o partido não imporá nomes à ao governador Ratinho Junior. A decisão final ficará a cargo do próprio mandatário, que escolherá ou não um nome do União para a cobiçada Primeira Secretaria. Caso Ney Leprevost seja o escolhido para o cargo, ele renunciaria em dezembro de 2024, caso seja eleito prefeito de Curitiba.
Nos bastidores do Congresso Nacional, comenta-se sobre a “Síndrome de Osmar Dias”. Em 2014, mesmo com uma “tempestade perfeita” para sua candidatura ao governo do Paraná, Dias desistiu, favorecendo a eleição de Ratinho Junior. Agora, fala-se abertamente que Ney Leprevost também pode refugar na hora H.
Rumores apontam que Sergio Moro busca um acordo com Ratinho Junior para 2026. Moro almeja o governo do Paraná, enquanto Ratinho Junior mira uma das cadeiras do Senado.
Ney Leprevost pode estar inclinado a aceitar a Primeira Secretaria da ALEP e não disputar a Prefeitura de Curitiba. Nesse cenário, Sergio Moro seria o candidato de Ratinho Junior ao governo do Paraná, enquanto Moro apoiaria Ratinho Junior para o Senado em 2026. Sem Leprevost na disputa, Eduardo Pimentel (PSD) teria um caminho mais claro para a vitória no primeiro turno. A operação política incluiria desmobilizar as candidaturas de Maria Victória (PP) e Beto Richa (PSDB), além de enfraquecer a pré-candidatura de Roberto Requião (Mobiliza).
No entanto, essa articulação precisa ser combinada com os eleitores, que terão a palavra final nas urnas.
Para o consumo do distinto público, o União Brasil vazou a informação de que durante sua estadia em Brasília Ney Leprevost recebeu o apoio total da cúpula nacional do União Brasil para disputar a Prefeitura de Curitiba. Antonio Rueda, presidente do partido, teria garantido que Curitiba é uma prioridade, com um invejável fundo partidário de R$ 10 milhões para enfrentar o candidato governista.
Além do apoio financeiro, prossegue o União, Leprevost conquistou um aliado importante: Sergio Moro. O ex-juiz da Lava Jato deve participar ativamente da campanha de Ney, com a possibilidade de Rosangela Moro ser anunciada como vice na chapa. Moro, que tem ambições para 2026, precisa de votos em Curitiba e vê em Ney um aliado estratégico.
Além disso, foi disseminado pela agremiação que será pedido ao ex-presidente Jair Bolsonaro para que ele não suba no palanque de Eduardo Pimentel, mesmo com Paulo Martins (PL) na vice de Pimentel.
Segundo os feiticeiros do União Brasil, Moro também buscará atrair o apoio de Deltan Dallagnol para Ney Leprevost. Recentemente, Deltan anunciou apoio à pré-candidatura de Eduardo Pimentel. Ocorre que, em contrapartida, Deltan emplacou um correligionário do Novo como presidente da Fomento Paraná, um banco com capital social de até R$ 4 bilhões.
Na semana que vem, o governador Ratinho Junior retorna de suas férias na Europa para bater o martelo nessas articulações políticas, que envolvem Leprevost, Moro e União. A unidade no partido deixa a fatura mais cara para o Palácio Iguaçu, a sede do executivo estadual.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




