Moro faz sombra a Sandro Alex na ponte de Guaratuba

O senador Sergio Moro (PL) lançou sombra sobre Sandro Alex (PSD) na inauguração da Ponte de Guaratuba, marcada para esta sexta-feira (1º de maio), ao agradecer o convite para estar ao lado do governador Ratinho Junior (PSD), chamar a obra de vitória de “todos nós” e diluir o crédito da construção entre vários governos do Paraná.

A fala de Moro teve cara de homenagem institucional, mas cheiro de movimento eleitoral.

O ex-juiz da Lava Jato piscou para Ratinho Junior, elogiou a entrega da ponte e tentou entrar na foto de uma obra que o Palácio Iguaçu vinha usando como vitrine para Sandro Alex.

No vídeo, Moro disse estar “honrado” com o convite para ficar ao lado de Ratinho Junior no evento e chamou a ponte de “vitória” do Paraná.

Também fez uma lista de ex-governadores, de Paulo Pimentel a Beto Richa, antes de colocar Ratinho Junior na linhagem dos que “provaram” que o Paraná consegue realizar grandes obras.

A mensagem serviu a dois alvos.

Para Ratinho Junior, Moro ofereceu uma trégua pública, sem precisar assinar pacto.

Para Sandro Alex, deixou um aviso: a ponte pode até ser peça de campanha do Palácio Iguaçu, mas o eleitorado da direita continua olhando para outro lado.

A Quaest explica a tensão. No cenário estimulado com Rafael Greca (MDB), Moro aparece com 35%, Requião Filho (PDT) tem 18%, Greca marca 15% e Sandro Alex fica com 5%. Sem Greca, Moro sobe para 42%, Requião Filho vai a 24% e Sandro Alex chega a 6%.

No confronto direto, a pancada é maior: Moro tem 51% contra 15% de Sandro Alex. A mesma pesquisa mostra que 82% dos eleitores dizem não saber quem será o candidato de Ratinho Junior ao governo do Paraná.

É por isso que a Ponte de Guaratuba deixou de ser apenas obra pública.

Virou teste de transferência de voto.

Ratinho Junior tem 80% de aprovação na Quaest, mas ainda não conseguiu colar esse capital em Sandro Alex. A ponte, nesse sentido, é palanque, ativo administrativo e propaganda de sucessão no mesmo pacote.

Moro percebeu a brecha.

Ao dizer que a ponte é resultado de “muitas gerações” e de “vários governantes”, o pré-candidato do PL diminuiu o monopólio político de Ratinho Junior sobre a obra.

Ao mesmo tempo, não rompeu com o governador.

Pelo contrário. Cumprimentou Ratinho Junior, citou prefeitos do litoral e falou em parceria com todos os municípios do Paraná.

Essa é a matéria-prima do acordo branco: ninguém declara aliança, mas todo mundo entende a piscadela.

O problema de Sandro Alex é que a obra chega antes do candidato.

Como ex-secretário estadual de Infraestrutura, ele deveria ser o herdeiro natural da ponte. Mas, na cena política deste 1º de maio, quem entrou para disputar a narrativa foi Moro.

O Blog do Esmael já mostrou que o contrato original da ponte foi arrematado por R$ 386,9 milhões e que a conta subiu para R$ 488,8 milhões no detalhamento mais recente consultado no Portal da Transparência. A alta foi de 26,3%, com cerca de R$ 102 milhões acrescidos ao valor inicial.

A linha do tempo oficial confirma que o contrato foi assinado em 5 de dezembro de 2022, com previsão de 32 meses e valor de R$ 386,9 milhões.

Esse flanco também importa.

Sandro Alex tenta vender infraestrutura.

Moro tenta vender comando político.

Ratinho Junior tenta vender continuidade.

O eleitor, porém, ainda não comprou o nome do sucessor.

Moro também amarrou a ponte a outra disputa. Nas redes, colocou a inauguração ao lado da rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e da derrubada do veto de Lula à redução das penas do 8 de janeiro.

Foi uma escolha calculada.

A Ponte de Guaratuba virou, no discurso de Moro, a terceira vitória de uma semana em que a direita derrotou Lula em Brasília e tentou ocupar o litoral paranaense com bandeira própria.

Ratinho Junior quer usar a ponte para provar que sua máquina entrega obra.

Sandro Alex precisa usar a ponte para provar que existe como candidato.

Moro entrou na cerimônia para provar que consegue circular no palanque do governo sem abandonar o discurso bolsonarista contra Lula.

É Paraná puro: obra pública, pedágio, litoral, sucessão estadual e 2026 embolados na mesma travessia.

A ponte resolve uma demanda antiga de Guaratuba e Matinhos, mas não resolve a sucessão de Ratinho Junior. A inauguração pode render foto, festa e vídeo; voto transferido, por enquanto, a Quaest ainda não encontrou.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Siga o Blog do Esmael no WhatsApp

*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.