Sergio Moro usa Expoingá para furar reduto de Ratinho

O senador Sergio Moro (PL) confirmou na sexta-feira (8), durante a Expoingá, em Maringá, que será pré-candidato ao Governo do Paraná em 2026, cobrou a Copel pelas falhas no fornecimento de energia e defendeu uma reação do Congresso ao Supremo Tribunal Federal (STF), num movimento calculado para falar ao eleitor rural e ao agronegócio.

A declaração foi dada por Moro em um cenário escolhido que pesa na leitura política. A Expoingá é uma das vitrines do agronegócio paranaense, setor onde o governador Ratinho Junior (PSD) ainda conserva capital político e onde o PSD tenta manter terreno para seu candidato à sucessão estadual.

Moro disse que pretende disputar o Palácio Iguaçu em 2026 e afirmou que quer dar continuidade ao que considera positivo na atual gestão, com foco maior em segurança pública. A formulação evita uma ruptura frontal com Ratinho Junior, mas coloca o senador dentro do mesmo campo eleitoral que o governador tenta organizar para a própria sucessão.

A presença em Maringá não foi uma agenda neutra. Ao falar em propriedade, segurança, energia e força do Congresso, Moro buscou um eleitorado conservador que combina produtor rural, empresário regional e bolsonarismo organizado. Esse público será decisivo na disputa pelo governo estadual, sobretudo se a direita chegar dividida à eleição.

A crítica à Companhia Paranaense de Energia (Copel) ampliou o alcance da agenda. O senador afirmou que produtores rurais e empresários acumulam prejuízos com quedas de energia e demora no restabelecimento do serviço. Moro citou o caso de uma empresa de embalagens em Ponta Grossa que teria ficado cerca de 15 dias sem produzir por falta de energia.

A cobrança atinge um ponto sensível do governo Ratinho Junior. A Copel foi privatizada em sua gestão e virou símbolo da agenda econômica defendida pelo Palácio Iguaçu. Moro não atacou a privatização, mas deslocou o debate para a obrigação de entregar energia com regularidade. Para o consumidor, pouco importa a tese liberal quando a luz cai, a produção para e a conta chega.

O tema já passou da reclamação isolada para a crise política. Após audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado, na terça-feira (5), a Copel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) terão 30 dias para apresentar diagnóstico e plano de ação sobre as falhas no Paraná. A Aneel confirmou aumento expressivo de reclamações e colocou a companhia sob fiscalização técnica.

No campo, o problema tem impacto direto sobre avicultores, piscicultores e produtores de leite. Um dos casos apresentados no debate envolveu a morte de 20 mil frangos em uma granja em São Miguel do Iguaçu após queda de energia. Na cidade, a crise chega junto ao reajuste tarifário previsto para 24 de junho, quando a conta de luz pode subir para 4,5 milhões de unidades consumidoras no Paraná.

Moro também usou a entrevista para defender o fortalecimento do Congresso diante do STF. Ele afirmou que o Parlamento precisa voltar a se impor para restabelecer equilíbrio entre os poderes. A frase conversa com a base bolsonarista e lavajatista, que transformou o Supremo em alvo permanente.

A fala tem custo político porque Moro não fala do STF de fora da disputa. O senador também responde a processos e questionamentos no tribunal, o que torna o tema sensível para sua campanha. Ao mirar o Supremo, ele tenta se apresentar como voz da direita contra o Judiciário, mas carrega sua própria disputa jurídica com ministros da Corte.

Na mesma entrevista, Moro citou Deltan Dallagnol e Filipe Barros como nomes definidos pelo PL para o Senado no Paraná. A composição reforça o eixo bolsonarista-lavajatista da chapa e confirma que a disputa estadual tende a pressionar o campo de Ratinho Junior por dentro, especialmente entre eleitores que rejeitam o PT e buscam uma candidatura mais colada ao bolsonarismo.

O efeito imediato da passagem pela Expoingá é claro: Moro saiu da condição de pré-candidato em construção para a de adversário declarado na sucessão paranaense. Ele escolheu um território simbólico do agro, abraçou a pauta da Copel e falou a linguagem da direita contra o STF. Ratinho Junior terá de proteger seu legado, seu sucessor e sua base conservadora ao mesmo tempo.

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