Ucranianos se armam para combater exército de Putin

Medo da guerra: ucranianos se armam para combater exército de Putin

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O governo de Vladmir Putin está se tornando cada vez mais ofensivo. Ao longo da fronteira com a Ucrânia, os russos estão agitando seus sabres, ameaçando ocupar a Ucrânia com tanques, foguetes com cerca de 100 mil soldados.

Não apenas os 255 mil soldados ucranianos estão em alerta por medo da guerra. Civis ucranianos também estão começando a se armar em preparação para uma ocupação de Putin.

Uma delas é Mariana Zhaglo (52), mãe de três filhos. Para poder defender a si mesma e sua família, ela comprou um rifle de caça e fez um curso de atirador de duas semanas. Ela também investiu em roupas de camuflagem, colete à prova de balas e suprimentos de comida, e participa de exercícios das Forças de Defesa Nacional – uma afiliação civil do exército ucraniano.

Ela disse ao jornal britânico The Times: “Eu nunca cacei. … Mas quando chegar a hora, vamos lutar por Kiev. Vamos defender nossa cidade.” Porque, segundo Zhaglo: “Meu marido e eu moramos aqui, não podemos ir a outro lugar. Esta é a nossa casa, vamos lutar por ela.”

Ela disse que os ucranianos aprenderam a conviver com a ameaça de uma ocupação russa desde que Putin anexou a península da Crimeia, na Ucrânia, em 2014.

Segundo a mídia ocidental, desde que a Rússia vem concentrando suas tropas na fronteira, milhares de ucranianos estão pensando como Mariana Zhaglo e se juntando às Forças Voluntárias para lutar ao lado do exército ucraniano no caso de uma invasão russa.

Os jovens também estão praticando a guerra nas florestas ucranianas. Muitos têm pouco mais de 20 anos e ainda eram crianças quando o conflito começou.

Tropas do governo lutam contra separatistas apoiados por Moscou no leste da Ucrânia desde 2014. Segundo estimativas da ONU, mais de 14 mil pessoas foram mortas desde então.

O conflito está centrado em uma parte do sudeste da Ucrânia controlada pelos insurgentes. A região é aproximadamente do tamanho da Saxônia. Os cerca de 35 mil separatistas devem receber armas do território russo.

Eles são combatidos por cerca de 70 mil soldados ucranianos estacionados apenas no leste, ao longo de áreas controladas pelos insurgentes.

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Para evitar a escalada do conflito, representantes da Ucrânia, Rússia, Alemanha e França estão reunidos hoje em Paris. Pela primeira vez desde o início da crise atual, os enviados da Ucrânia e da Rússia se reuniram lá. Alemanha e França estão mediando o conflito que vem acontecendo desde 2014. No entanto, o plano de paz negociado está suspenso.

A Ucrânia vê a reunião como “um forte sinal de que está pronta para uma solução pacífica”, disse Andriy Yermak, chefe do Gabinete Presidencial em Kiev. Ele espera um diálogo construtivo no interesse da Ucrânia.

No chamado formato da Normandia, a Alemanha e a França mediaram o Tratado de Minsk entre a Rússia e a Ucrânia em 2015, que visa pacificar o leste da Ucrânia. O governo federal tem enfatizado repetidamente a importância desse formato.

Ao mesmo tempo, a Rússia mantém conversações diretas com os Estados Unidos. Atualmente, eles estão enviando 300 mísseis antitanque Javelin para a Ucrânia como parte de um pacote de ajuda militar de US$ 200 milhões.

Javelins são mísseis guiados por infravermelho projetados para voar alto no ar antes de atingir seus alvos – tornando-os particularmente mortais contra tanques, já que a blindagem é mais fina no topo.

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O reencontro entre a Europa e seu velho fantasma: a guerra

Por Fabio Reis Vianna, no Pravda [em russo]

 

Com a fatídica notícia de que o Departamento de Estado ordenou a evacuação de parte de seu pessoal da embaixada americana em Kiev, fica aparente um enredo que se desenrola há cerca de longos trinta anos, mas que se esconde atrás de uma neblina de normalidade e hipocrisia.

Como uma repetição farsesca do conflito que foi travado no território do Sacro Império Germano – cristão, entre 1618 e 1648, tal qual um universo em expansão, o sistema interestatal contemporâneo se comporta como a mesma e velha máquina de acumulação de poder baseada no confronto permanente para se manter vivo e alargar-se cada vez mais.

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O cerco à Rússia

Neste cenário, e sem não antes recusar o pedido russo de retirada de suas forças da Bulgária e da Romênia, a OTAN oficializa o cerco às bordas da zona de influência direta da Rússia.

A velha Europa, palco original do sistema de acumulação de poder forjado nas guerras de todos contra todos, tragicamente parece retomar seu papel histórico de caixa de ressonância global. O cisne negro de uma tragédia há tempos anunciada, mas que as elites globais, e em particular, as elites europeias, recusam-se a enxergar.

Com a manifestação ocorrida em Bruxelas no domingo (23), em que cidadãos revoltados com as restrições sanitárias atacaram violentamente as instituições representativas do projeto de integração europeu, fica claro que a “profilaxia” encontrada para reagir a uma crise estrutural que se arrasta há anos vem tornando-se gradativamente mais disruptiva e fora de controle.

Ao mesmo tempo em os Estados nacionais realizam movimentações militares cada vez mais ousadas, as classes médias europeias – empobrecidas desde a crise de 2008 – demonstram a cada dia menos paciência.

E tudo isso parece, de fato, ter se tornado mais complexo e profundo com a entrada em cena da pandemia.

Não que a pandemia em si tenha gerado tal situação, mas certamente potencializou algo que já estava vivo e em evolução, mesmo que de maneira até então lenta e gradual.

EUA procura aumentar tensões

Diante deste quadro, o grande erro de muitos analistas em relação ao cenário atual reside na ideia de que o alargamento da OTAN em direção ao leste – e mesmo a expansão da UE – teria sido um equivoco estratégico dos Estados Unidos e, portanto, se eles pudessem voltar no tempo, evitariam tal expansão.

Pelo contrário, quando os Estados Unidos revelam que reforçarão as tropas da OTAN na Europa Oriental e nos países bálticos, como anunciado no ultimo dia 23 de janeiro, demonstram claramente a intenção de escalar ainda mais a crise com a Rússia.

Como um verdadeiro Cavalo de Tróia dentro da Europa, essa expansão, portanto, serviu apenas como instrumento de desestabilização da própria Europa e seu projeto de integração política e econômica. 

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Tal cenário se enquadra no contexto maior da instabilidade global contemporânea que teria suas raízes fundadas no abandono por parte dos Estados Unidos de sua liderança ética forjada na chamada ordem liberal do pós Segunda Guerra.

De 1991 – com o colapso da URSS e a ascensão do hegemon unipolar – para cá, e em especial, a partir de 2001, os Estados Unidos se assumem como um império militar sem nenhum compromisso ético com a estabilidade global, tampouco com seus velhos aliados europeus.

A ascensão chinesa, e o ressurgimento da Rússia, agravam o quadro e aprofundam ainda mais a postura beligerante e imperial dos Estados Unidos.

Tanto é assim, que poderíamos delimitar o biênio 2015-2016 como chave para a compreensão da atual conjuntura.

A entrada vitoriosa da Rússia na guerra da Síria provavelmente gerou uma espécie de curto circuito em todo o sistema do establishment americano, incluso o complexo industrial militar, que teria precipitado a assunção de um modus operandi menos sutil e, portanto, mais espalhafatoso e muito bem personificado da errática figura do Sr. Donald Trump.

Sendo assim, eventos como a tentativa de golpe militar na Turquia, o Brexit, e o golpe parlamentar no Brasil, todos ocorridos no ano de 2016, fariam parte de um mesmo enredo comum: a nova estratégia de segurança dos Estados Unidos.

Tendo como enfoque central a divisão da Europa ( Brexit ), ou o enquadramento geopolítico de Brasil (Golpe contra Dilma) e Turquia ( Tentativa de golpe contra Erdogan), a nova estratégia de segurança dos Estados Unidos dialoga perfeitamente com o rasgar da fantasia de um líder global que abdica de sua liderança ética de hegemonia e governança internacional em nome de um projeto de poder imperial que não vê aliados, mas inimigos e vassalos.

No mundo que caminha para uma espécie de nova bipolaridade, forjada em civilizações novas (Ocidente), e ancestrais (Oriente), a Europa perece perdida e sem rumo, quase esmagada em meio ao novo sistema internacional que se descortina.

Que a nova “Paz de Westfália” global não ocorra através de uma Europa arrasada por mais uma guerra.