Irã promete retaliação e alerta EUA sobre guerra total

O aiatolá Ali Khamenei rompeu o silêncio nesta quarta-feira (18) com uma mensagem contundente: “A nação iraniana nunca se renderá a nenhuma forma de imposição”. A fala do líder da Revolução Islâmica do Irã ecoou pelo país e pelo mundo como um ultimato. A mensagem televisionada elevou o grau da tensão internacional ao afirmar que qualquer incursão dos Estados Unidos no conflito com Israel causará “danos irreparáveis”.

Khamenei elogiou a “conduta composta, corajosa e oportuna” do povo iraniano, atribuindo ao país uma força espiritual e intelectual crescente. “A nação iraniana se posicionará firmemente contra uma guerra imposta, assim como resistirá resolutamente a uma paz imposta”, afirmou.

A declaração ocorreu no sexto dia da ofensiva israelense, que já vitimou centenas de iranianos, incluindo civis, cientistas nucleares e oficiais militares de alta patente. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram ter atingido 20 alvos estratégicos em Teerã, incluindo instalações de centrífugas. A ONU confirmou danos a duas fábricas do setor nuclear.

Em resposta, o Irã lançou sua operação retaliatória batizada de “Verdadeira Promessa III”, composta por 11 fases de ataques com mísseis e drones contra alvos estratégicos de inteligência militar israelense. Fontes locais relatam que os ataques semearam pânico entre colonos israelenses, muitos dos quais se refugiaram em túneis subterrâneos.

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Donald Trump, por sua vez, voltou a ameaçar Teerã. Na terça-feira, acusou o Irã de buscar armas nucleares e exigiu “rendição incondicional”. O presidente dos EUA disse ainda estar pronto para apoiar Israel militarmente e, nas entrelinhas, cogitou até um ataque à usina nuclear de Fordo — protegida por uma montanha de concreto e solo.

O embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini, reagiu duramente: “Há uma linha que, se cruzada, terá resposta imediata. E essa linha será definida por nossas autoridades militares.” A retórica foi respaldada por alertas do Kremlin e da China sobre os riscos de um envolvimento direto dos EUA no conflito.

No campo simbólico, o bisneto de Khomeini, Ahmad Khomeini, apareceu publicamente ao lado da multidão em Teerã. Disse que a guerra “não é apenas militar, é existencial”. Ele reafirmou o compromisso da juventude leal ao regime com a defesa do país: “Mesmo que tenhamos que sacrificar cada gota de sangue”.

Apesar do cerco, Khamenei insiste que a diplomacia ainda está em ação. Mas deixa claro que o Irã não aceitará submissão. “Aqueles com sabedoria, que realmente entendem o Irã e sua história, jamais usarão a linguagem da ameaça. O Irã não cederá”, concluiu.

O tom do aiatolá Khamenei é mais que retórico — é estratégico. O Irã não sinaliza rendição nem recuo. A entrada dos Estados Unidos no conflito seria, nas palavras do próprio líder, uma “receita para o caos global”. A pergunta que fica é: quem lucra com essa guerra prolongada?

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