Israel escalou a guerra contra o Irã nesta segunda-feira (16) ao bombardear a sede da TV estatal iraniana em Teerã, logo após emitir um alerta raro de evacuação em persa à população do Distrito 3 da capital. A ofensiva ocorre em meio a uma entrevista explosiva do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, na qual ele cogita a eliminação física do líder supremo iraniano, Ali Khameini, como forma de “acabar com o conflito”.
Em resposta a uma pergunta da rede ABC sobre os relatos de que Donald Trump rejeitou um plano para matar Khameini por receio de escalada, Netanyahu foi taxativo:
“Isso não vai agravar o conflito. Vai acabar com o conflito.”
A fala de Netanyahu, que já vinha adotando uma retórica de guerra aberta, agora explicita uma estratégia de confrontação total — inclusive com apoio velado da ala militar israelense, que justifica o bombardeio à TV estatal como ataque “contra infraestrutura militar disfarçada”.
ONU é acionada e Irã acusa Israel de crime de guerra
O Irã reagiu com dureza à entrevista e aos bombardeios. Em carta oficial ao Conselho de Segurança da ONU, o embaixador Amir Saeid Iravani afirmou que os ataques israelenses violam a Carta das Nações Unidas e que as ações do Irã são “operações defensivas proporcionais”, amparadas pelo Artigo 51 do documento fundador da organização.
Teerã também advertiu que qualquer país que coopere com Israel se tornará “cúmplice das consequências legais e militares” da guerra. A comunicação iraniana foi acompanhada por um apelo diplomático para que Catar, Arábia Saudita e Omã pressionem os Estados Unidos por um cessar-fogo imediato.
Bombardeios atingem civis e agravam crise humanitária
Segundo o Magen David Adom, o serviço de emergência de Israel, 21 pessoas morreram nos ataques iranianos desde sexta-feira. Outras 631 ficaram feridas — incluindo 13 em estado grave. Em Bat Yam, dois corpos foram localizados entre os escombros, elevando o número de mortos.
Do lado iraniano, o governo informou que 45 mulheres e crianças foram mortas apenas nas últimas horas, e que o número de feridos passa de 70. A mídia estatal alerta para uma possível nova rodada de ataques “mais destrutiva”.
Na Faixa de Gaza, 38 palestinos morreram após confrontos em centros de distribuição de alimentos apoiados por Israel e pelos EUA, segundo o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas.
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Após os bombardeios em Teerã, o Irã anunciou que se prepara para “o maior ataque com mísseis já visto em solo israelense”. A Força Aérea de Israel, por sua vez, afirma ter destruído um terço dos lançadores iranianos até agora. A retórica de ambos os lados aponta para uma guerra prolongada e sem mediação à vista.
Internamente, o Irã prendeu dezenas de supostos espiões ligados a Israel. Já em Israel, crescem os protestos contra a guerra — inclusive com vídeos mostrando policiais reprimindo manifestantes que vestiam camisetas com a frase “Parem a guerra”.
Trump evita compromisso no G7 enquanto Netanyahu radicaliza discurso
Na Cúpula do G7, no Canadá, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou qualquer compromisso concreto diante da escalada entre Israel e Irã. Limitou-se a dizer que “sempre apoiou Israel”, mas recusou-se a revelar o que exigiria para iniciar um processo de distensão com Teerã. “Não quero falar sobre isso. Veremos”, afirmou, em tom evasivo.
Já Benjamin Netanyahu aproveitou a visibilidade da entrevista à ABC para confrontar a ala republicana que tenta barrar o envolvimento direto dos EUA. Em sua fala, classificou o conflito como uma “batalha entre o bem e o mal” e criticou os defensores da política isolacionista:
“Entendo ‘América Primeiro’. Não entendo ‘América Morta’.”
A retórica de Netanyahu revela o esforço de arrastar Washington para um alinhamento automático com a ofensiva israelense, mesmo diante das divisões internas no Congresso americano e da ausência de respaldo explícito da diplomacia internacional.
Netanyahu aposta tudo na guerra e arrasta aliados
Ao cogitar abertamente eliminar Khameini, Netanyahu joga Israel e seus aliados no abismo de uma guerra sem precedentes, com potencial de devastação regional. A destruição da TV estatal iraniana é mais do que um ataque: é um recado ao mundo sobre a disposição de Israel em ultrapassar todos os limites diplomáticos e legais.
O Irã, por sua vez, aposta na retaliação em larga escala e na mobilização do Conselho de Segurança da ONU — um campo onde Tel Aviv já conta com a resistência da Rússia e da China.
Diante da paralisia internacional e da hesitação dos EUA, o Oriente Médio parece condenado a um novo ciclo de destruição. A pergunta que paira é: quem deterá Netanyahu antes que a guerra se torne irreversível?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




