Índice de Tópicos
O Irã lançou, na noite deste sábado (14), uma nova onda de mísseis e drones contra Israel. A ofensiva, batizada de Verdadeira Promessa III, marca a maior operação militar de Teerã desde o início do conflito com Tel Aviv e é uma resposta direta ao assassinato de generais e cientistas nucleares iranianos.
A escalada, que já atinge níveis alarmantes, expõe a fragilidade das instituições diplomáticas no Oriente Médio e reacende o risco de uma guerra regional em larga escala. O que acontece quando potências nucleares deixam a contenção de lado?
Retaliação após ataque a generais iranianos
A nova fase da operação começou por volta das 23h45 [17h45 ho horário de Brasília], quando imagens nas redes sociais mostraram mísseis atingindo alvos militares e industriais em Haifa, Galileia Ocidental, Nazaré e Afula.
Segundo o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a ação é uma resposta à “agressão do regime sionista”, que na madrugada de sexta-feira matou figuras-chave da cúpula militar iraniana. Entre os alvos do bombardeio israelense estavam o chefe do Estado-Maior do Irã, Mohammad Bagheri, e o comandante da Divisão Aeroespacial do IRGC, Amir Ali Hajizadeh.
Além dos generais, foram mortos três renomados cientistas nucleares, incluindo Fereydoon Abbasi. Mulheres e crianças também estão entre as vítimas, segundo fontes oficiais iranianas.
Mísseis sobre Jerusalém e ataques israelenses ao Iêmen

A retaliação iraniana foi respondida por bombardeios simultâneos de Israel contra Teerã e alvos militares no Iêmen, segundo a IDF (Forças de Defesa de Israel). Sirenes de alerta tocaram em diversas cidades israelenses, inclusive em Jerusalém, enquanto a população buscava abrigos.
Serviços de emergência confirmaram feridos graves e pessoas presas sob escombros no norte de Israel. O governo britânico, por meio do chanceler David Lammy, pediu contenção imediata. “Agora é hora de diplomacia”, escreveu ele.
O que vem a seguir: projeção de escalada regional
Especialistas alertam que a operação iraniana, coincidente com o Eid al-Ghadir, não deve ser vista como ponto final, mas como um divisor de águas. Pela primeira vez desde 1979, o Irã assume responsabilidade aberta por ataques diretos ao território israelense com armamentos estratégicos.
A retaliação marca uma ruptura no padrão de dissuasão tradicional entre as potências da região. O aviso dado pelo IRGC aos pilotos israelenses – para que pousassem suas aeronaves sem resistência – sugere que novas fases da operação já estão desenhadas, com possibilidade de envolvimento de aliados regionais como Hezbollah e Houthi.
O colapso da contenção
Quando o chefe do Estado-Maior é assassinado em solo iraniano e a resposta vem com mísseis sobre Haifa e Jerusalém, não estamos diante de mais um capítulo no histórico conflito entre Irã e Israel. Estamos vendo o colapso de uma contenção frágil sustentada por medo mútuo.
A diplomacia, como alertou o Reino Unido, está por um fio. É hora de pressionar por cessar-fogo e investigações internacionais. A comunidade internacional não pode repetir os erros que permitiram a guerra na Ucrânia ou o genocídio em Gaza.
Leia também no Blog do Esmael: Irã dispara mais de 100 mísseis contra Israel após ataques a instalações nucleares; Irã bombardeia Israel e promete retaliação total após mortes de generais

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




