Irã dispara mais de 100 mísseis contra Israel após ataques a instalações nucleares

O Irã lançou na noite desta sexta-feira (13) mais de 100 mísseis balísticos contra cidades israelenses, em retaliação direta aos bombardeios israelenses que mataram generais da Guarda Revolucionária e atingiram instalações nucleares como Natanz e Isfahan. As sirenes de alerta soaram em todo o território de Israel, enquanto o sistema Iron Dome tentava interceptar as investidas. É o maior contra-ataque direto de Teerã a Tel Aviv em décadas.

A escalada expõe o mundo a um novo e perigoso patamar de tensão no Oriente Médio. O líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, prometeu tornar Israel “indefeso” e alertou que o “inimigo se arrependerá de sua ação tola”. A ofensiva iraniana já provoca efeitos colaterais em mercados financeiros, diplomacia internacional e no campo de batalha.

Bastidores do ataque israelense: generais mortos, instalações destruídas

O contra-ataque do Irã vem após uma ofensiva coordenada de Israel na madrugada de quinta para sexta, que matou pelo menos quatro generais iranianos, incluindo Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e Hossein Salami, comandante da Guarda Revolucionária.

Os ataques atingiram ainda laboratórios de enriquecimento de urânio em Natanz e instalações críticas em Isfahan. O general Ismail Ghaani, que sucedeu Qassem Soleimani no comando das Forças Quds, também foi confirmado entre os mortos — uma baixa com impacto direto na capacidade de operação dos grupos aliados do Irã na região.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que Natanz foi atingida, mas até o momento não houve vazamento de radiação.

EUA reposicionam tropas e alertam para riscos à segurança global

Embora não tenha participado diretamente dos bombardeios, os Estados Unidos começaram a reposicionar destróieres no Mediterrâneo e reforçaram a presença militar na região. O presidente Trump elogiou os ataques israelenses como “excelentes” e alertou Teerã: “há muito mais por vir”.

Por outro lado, líderes europeus como Keir Starmer (Reino Unido) e Kaja Kallas (UE) manifestaram preocupação com a escalada. O Conselho de Segurança da ONU foi convocado a pedido do Irã para uma reunião de emergência ainda nesta sexta.

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fordo-o-coracao-subterraneo-do-programa-nuclear-iraniano">Próximo alvo: Fordo, o coração subterrâneo do programa nuclear iraniano

Fontes israelenses indicam que o próximo alvo é Fordo, a mais protegida instalação nuclear iraniana, localizada sob uma montanha próxima a Qom. Destruir Fordo, segundo especialistas, exigiria bombas específicas para búnqueres — ou incursões especiais — e colocaria a ofensiva israelense em um nível ainda mais perigoso.

“Se o Irã tiver uma arma nuclear, simplesmente não existiremos aqui”, declarou Netanyahu em vídeo gravado.

A reação das milícias e o colapso do “Eixo da Resistência”

Apesar do impacto do ataque, os grupos armados aliados ao Irã (como Hezbollah, Houthis e milícias iraquianas) não reagiram de forma significativa até agora, refletindo a degradação do chamado “Eixo da Resistência”. O Hezbollah, por exemplo, limitou-se a uma condenação verbal. A Síria, aliada histórica do Irã, encontra-se fora do jogo após o colapso do regime Assad em dezembro de 2024.

Um conflito com potencial devastador

A ofensiva militar em curso marca uma guinada perigosa e possivelmente irreversível. A morte de lideranças militares iranianas e o bombardeio de instalações nucleares elevam a tensão a um nível sem precedentes. Israel busca consolidar hegemonia militar. O Irã, retaliar. E o mundo, uma vez mais, observa paralisado à beira de um abismo.

O Blog do Esmael acompanhará minuto a minuto os desdobramentos, com foco nos bastidores diplomáticos, impactos regionais e reação dos mercados.

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