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PF investiga atuação do ex-ministro do Turismo em favor do delator do golpe. Caso liga consulado português, rede bolsonarista e plano de fuga internacional.
O Blog do Esmael confirmou que a Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (13) o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL), no Recife, por suspeita de envolvimento em uma tentativa de fuga do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e peça-chave na delação que detalha a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A detenção de Machado, autorizada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), escancara novas conexões entre o núcleo político bolsonarista e a articulação para driblar a Justiça, a partir da emissão de documentos em consulados estrangeiros. O caso envolve, segundo a PF, o Consulado de Portugal no Recife, onde Cid tentaria obter um passaporte português com auxílio direto de Machado.
A trama, digna de um roteiro político-policial, ganha relevância estratégica em um momento de intensificação do cerco jurídico ao bolsonarismo e de reorganização das forças à direita para 2026.
Da sanfona ao consulado: Gilson no centro da crise
Figura folclórica do bolsonarismo raiz, Gilson Machado é sanfoneiro da banda de forró Brucelose, veterinário e ex-presidente da Embratur. Entre 2020 e 2022, chefiou o Ministério do Turismo e foi candidato ao Senado por Pernambuco, perdendo para Teresa Leitão (PT). Em 2024, ficou em segundo lugar na disputa pela prefeitura do Recife, com quase 14% dos votos.
A investigação aponta que, em maio de 2025, o ex-ministro teria atuado diretamente para facilitar o acesso de Mauro Cid a um passaporte português. A alegação de Machado é de que “apenas ligou para renovar o passaporte do pai”. No entanto, segundo a PF, há arquivos no celular de Cid que mostram o plano em curso desde janeiro de 2023.
PF vê tentativa de fuga orquestrada
O inquérito teve origem em representação da Procuradoria-Geral da República (PGR), entregue ao STF na última terça-feira (10). O documento cita fortes indícios de obstrução da Justiça e possível cooptação de canais diplomáticos para garantir a saída de Cid do Brasil, apesar de restrições judiciais.
A operação de hoje também mobilizou agentes em Brasília. Mauro Cid foi conduzido à sede da PF para prestar depoimento. Sua prisão chegou a ser decretada, mas foi revogada pouco antes do cumprimento, conforme informado por sua defesa.
Fontes próximas à investigação indicam que o plano poderia contar com apoio logístico de integrantes da estrutura paralela de inteligência montada no entorno de Bolsonaro durante o mandato, ainda sob apuração nos autos da ação penal no STF.
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Defesa questiona mandado; PL se distancia
O advogado de Gilson Machado, Célio Avelino, afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo. “A PF apenas recebeu o mandado e cumpriu. Não sabemos qual o fundamento concreto da prisão”, disse. A defesa já solicitou acesso ao STF para pedir a revogação.
O Partido Liberal (PL), ao qual ambos são filiados, divulgou nota afirmando que “acompanha com atenção” e “aguarda o esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes”. A postura sinaliza um distanciamento cauteloso da sigla em relação ao ex-ministro, já desgastado por derrotas eleitorais consecutivas.
Projeções: risco para Bolsonaro e o campo conservador
A prisão de Gilson Machado pode representar mais um elo rompido na cadeia de proteção a Jair Bolsonaro, cujo entorno jurídico e político está cada vez mais vulnerável.
A tentativa de uso da cidadania portuguesa como rota de fuga levanta alertas na comunidade internacional e pode servir de base para novas medidas cautelares contra outros investigados. Entre os nomes em monitoramento estão integrantes do PL e ex-auxiliares do ex-presidente.
Com a pré-campanha de 2026 em gestação, o caso Gilson-Cid poderá ser usado tanto pelo governo quanto por setores do centrão para desidratar candidaturas bolsonaristas. O PSD, PL e União Brasil já discutem internamente como reposicionar seus nomes sem o fardo do extremismo.
Portanto, a prisão de Gilson Machado revela como o bolsonarismo segue operando com métodos paralelos, mesmo fora do poder. A política como espetáculo, encenada entre o forró de Caruaru e os bastidores de um consulado estrangeiro, expõe um projeto de poder que não respeita regras, fronteiras nem a Constituição.
O caso é mais do que um tropeço individual — é sintoma de uma cultura de impunidade que precisa ser enfrentada com transparência, investigação e justiça.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




